Diversão

Ana Maria Braga comemora 20 anos de ‘Mais Você’ no ar: ‘Sempre acreditei no improviso'

Divulgação / TV Globo

São 20 anos no ar apresentando um programa ao vivo, de segunda à sexta-feira, na TV Globo. Milhões de horas em frente às câmeras para levar ao telespectador um conteúdo que mistura culinária, prestação de serviços, entretenimento, jornalismo, além dos assuntos que repercutem nas redes sociais.

Ana Maria Braga não é só a criadora do Mais Você, que fez aniversário neste dia 18 de outubro. Ela é o trabalho: sua personalidade, seu jeito de ser e suas ideias se misturam com a atração. Nesta sexta-feira, o programa será transmitido ao vivo dos estúdios da emissora em São Paulo, onde tudo começou.

Ao atender a reportagem do Estado, a apresentadora havia acabado de sair de uma reunião de pauta justamente para falar sobre o conteúdo do que foi apresentado e o que irá ao ar no dia seguinte. “Estou interagindo o tempo todo. Não é que vou chegar aqui amanhã e vou apresentar um programa pronto. Participo desde a decisão da matéria até ela chegar pronta hoje. A reunião que fiz agora mudou o programa de amanhã. Aliás, o programa muda até amanhã de manhã. Para você ter uma ideia, a última reunião acontece às 8h (uma hora antes de começar)”, relata.

A experiência depois de tantos anos no ar ajuda. Porém, até mesmo quem conhece os bastidores da televisão admira o traquejo e o poder de improviso de Ana Maria. Se a apresentadora lê o famoso TP (Teleprompter), equipamento acoplado às câmaras de vídeo que exibe o texto a ser lido pelo apresentador, é praticamente imperceptível. E ela confessa: “Eu sei exatamente o conteúdo que vai para o ar. Eu realmente leio pouco o TP do que eu vou chamar. Fica mais natural”.

A TV Globo contratou Ana Maria Braga em 1999 após o sucesso do programa Note e Anote, na Record. A apresentadora se lembra com detalhes da época em que passava em frente a emissora. “Eu morava no Morumbi e, quando passava pela Marginal (do Pinheiros) e via a Globo sendo construída na Berrini, eu dizia: ‘Um dia vou trabalhar aqui’. Sempre digo que as palavras são sementes. Você tem que projetar aquilo que você quer, desde que você pense que o que você está querendo é possível”, reflete. 

Na entrevista ao Estado, Ana Maria relembrou, com detalhes, de quando começou na Globo.

Ela conta que, após a contratação, a Globo reconsiderou a proposta de fazer um programa diário ao vivo. “A Globo nunca tinha feito. Tinha o jornalismo e o programa do Fausto no domingo, que era um programa de auditório, mesmo formato do Chacrinha. Mas programa de entretenimento sem ser jornalístico, ao vivo, o Mais Você foi o primeiro. Estava todo mundo inseguro. E aí a responsabilidade aumentava. Eles falavam: ‘Vamos gravar...é melhor’. Eu disse: ‘Olha, eu não sei fazer programa gravado. A gente se propôs a vir para cá e o programa ao vivo tem uma adrenalina. Eu sempre acreditei na possibilidade do erro, na possibilidade do improviso. Eu aprendi televisão fazendo assim”, afirma.

No início, o Mais Você era voltado para um público predominantemente feminino, em que as mulheres estavam conquistando espaço. Para Ana Maria, ainda há muita estrada a ser percorrida. “Acho que a gente tem ganhado espaço muito lentamente. Obviamente tem muito mais mulheres agora exercendo papeis inimagináveis antigamente. Mas em matéria de salário, a mulher ainda não chegou lá. Falta muito. Ao mesmo tempo, ela é mais respeitada e reconhecida como profissional do que antes”, analisa. 

Mudanças na linguagem e conteúdo do Mais Você

Duas décadas atrás, quando o Mais Você foi ao ar pela primeira vez, o Brasil era outro: o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso, a população temia o chamado ‘bug do milênio’ e acesso à internet era privilégio. 

E, ao longo dos últimos 20 anos, o telespectador se transformou. Com isso, a linguagem do programa também teve de se adaptar. “A comunicação mudou muito. A TV mudou muito, principalmente nos últimos dez anos. Mas o foco não. Antes o foco era as cartas que chegavam, o contato com quem estava do outro lado da câmera. E esse foco não pode mudar nunca!”, ensina Ana Maria, que garante que procura ficar antenada nos comentários em redes sociais.

A apresentadora tem praticamente um ‘mantra’ que a acompanha desde sempre: “Sou de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. Se eu falar de algum assunto que minha mãe não entenderia, por exemplo, não estou falando com ninguém. Mas também não posso falar o ‘patati-patatá’. Eu tenho que falar também com quem frequenta o Shopping Iguatemi e que pode viajar para a Europa. Preciso falar de forma que todos entendam., seja de culinária, saúde, bem-estar, amor.

Ela tem que entender as palavras. E nem todo mundo tem a felicidade de frequentar uma faculdade, que sabe ler e escrever. A gente ainda tem um alto índice de analfabetismo no Brasil”.

Sobre os assuntos abordados no ar, ela pondera que é preciso saber como lidar. Ana Maria dá como exemplo a educação sexual. “Lá, 12 anos atrás, qualquer matéria que você abordasse, mesmo suavemente, trazendo algum especialista para falar sobre essa necessidade, a gente tinha queda de audiência. Porque as pessoas não queriam ouvir. Imagine só falar de diferentes formas de se amar, né? Era impossível. A gente ainda tem grande parte da tradicional família brasileira. E eu respeito e tenho que respeitar. E tem que saber o jeito de abordar isso”, avalia. Ouça o trecho da entrevista em que Ana Maria Braga analisa sobre temas mais delicados de serem tratados.

A relação com Louro José

Fiel companheiro de televisão, Louro José, interpretado por Tom Veiga, já estava na vida de Ana Maria Braga antes mesmo da Globo. “Ele nasceu na Record. O Tom é um grande companheiro, meu parceiro. Foi uma obra da graça de Deus, um milagre a gente ter se encontrado lá atrás. Ele era produtor e eu inventei o papagaio. E desde o momento que ele seguiu o Louro a gente nunca brigou. E olha que a gente convive todo dia. É o meu mais longo casamento”, conclui aos risos.

Campeão de memes na televisão brasileira

Não é de hoje que o Mais Você é conhecido por ser ‘gerador de memes’. Viralizar situações do programa ou que envolvem a apresentadora é praticamente corriqueiro. E Ana Maria se diverte: “Adoro! Não tem nada melhor do que meme, a gente ri muito. E o que é legal é que a gente não monta meme. E tem gente, veja, não estou levantando contra ninguém, mas tem gente que cria meme. Aqui não! A gente é tão desastrado, às vezes, que de vez em quando escapa e é muito bem vindo. Adoro ver a moçada reagindo”, confessa.

Ana Maria admite que é fascinada por tecnologia e que sempre joga videogame com os netos: “Gosto de estar com gente jovem e aprendo com criança de dez anos. Hoje até os videogames mudaram. Você joga online com o mundo inteiro. E eu tenho a felicidade de gostar disso”.

Ana Maria admite que é fascinada por tecnologia e que sempre joga videogame com os netos: “Gosto de estar com gente jovem e aprendo com criança de dez anos. Hoje até os videogames mudaram. Você joga online com o mundo inteiro. E eu tenho a felicidade de gostar disso”.

A paixão pela culinária desde sempre

Seguindo o ritmo de se reinventar e aprender a cada instante, Ana Maria Braga realizou, recentemente, um curso de caldos na renomada Cordon Bleu Paris, na França. “Fiz o curso do Cordon Bleu. Eu nunca fiz um caldo profissional, daqueles de restaurante, que têm os seus segredos. Fui fazer o curso de caldos que me acrescentou muito. Eu acho que saber, ninguém sabe tudo. Eu aprendo todo dia”. 

Ao olhar para o início de carreira na televisão, ela lembra de como as pessoas encaravam a culinária antigamente. “Quando eu comecei a fazer culinária lá atrás, ainda na Record, era uma coisa considerada brega, sabe? Para dona de casa, cozinheira. E mesmo as mulheres não achavam chique falar que faziam uma comida legal. Ao longo do tempo fui aprendendo que a gente podia dar um caminho para essa culinária. A gente sempre focou aqui em uma comida que possa ser consumida por qualquer pessoa da população brasileira”, diz.

A apresentadora ressalta que o salário mínimo no Brasil é baixo e que, além da questão econômica, procura fazer receitas com ingredientes acessíveis à população. “Não faço ingrediente que só tenha no nordeste, só no sul ou que seja importado. Tem que todos ter acesso ou tenho que fazer a substituição do ingrediente. E tem que dar certo. A pessoa não pode fazer uma receita que custa 30 reais, não dá certo, e joga fora esse dinheiro, levando em conta esse salário mínimo que temos aqui”, explica.

Projetos para o futuro

Com espírito em constante transformação, Ana Maria Braga revela que tem muitos planos para os próximos anos. “Vou esperar esses 20 anos que você falou (risos). Mas, sério, tenho muitos sonhos ainda para esse nicho Mais Você. No ano que vem, não posso contar agora, mas a gente ainda vai ficar mais juntinho”, conclui.

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
ANUNCIE AQUI