Diversão

Nicki Minaj cancela show em defesa dos direitos das mulheres e da população LGBT

Reprodução/Instagram/@nickiminaj

Nicki Minaj cancelou um show na Arábia Saudita porque quer mostrar apoio aos direitos das mulheres, aos direitos dos homossexuais e à liberdade de expressão.

“Depois de uma cuidadosa reflexão, decidi não avançar mais com o meu concerto marcado no Jeddah World Fest. Enquanto eu quero nada mais do que trazer o meu show para os fãs na Arábia Saudita, depois de me informar melhor sobre as questões, acredito que é importante para mim deixar claro o meu apoio aos direitos das mulheres, comunidade LGBT e liberdade de expressão", disse Minaj em uma declaração nesta terça-feira,2, à Associated Press.

Na Arábia Saudita, a segregação de gêneros entre homens e mulheres solteiros ainda é aplicada em muitos restaurantes, cafeterias, escolas públicas e universidades, mas outras regras caíram, agora mulheres são autorizadas a dirigir e participar de eventos em estádios esportivos.

Jeddah World Fest, que está de acordo com as leis da Arábia Saudita, é livre de álcool e drogas, está aberto a pessoas de 16 anos ou mais e será realizado no Estádio de Esportes Rei Abdullah, na cidade do Mar Vermelho. 

A Human Rights Foundation emitiu uma declaração na semana passada, pedindo que Minaj e outros artistas deixassem o evento. Nesta terça, a organização de Nova York elogiou a decisão de Minaj de não se apresentar no show.

“É assim que a liderança parece. Somos gratos a Nicki Minaj por sua decisão inspirada e ponderada de rejeitar a tentativa transparente do regime saudita de usá-la para uma ação de relações públicas”, disse Thor Halvorssen, presidente da Human Rights Foundation. “O festival de 18 de julho na Arábia Saudita ainda conta com Liam Payne na programação. Esperamos que ele siga o exemplo de Nicki Minaj. A postura moral de Minaj difere de artistas célebres como J-Lo e Mariah Carey que no passado escolheram encher seus bolsos com milhões de dólares e apoiar governos ditatoriais em oposição a comunidades oprimidas e ativistas de direitos humanos presos”.

Nos últimos meses, o reino saudita assistiu a performances de Carey, Enrique Iglesias, Black Eyed Peas, Sean Paul, David Guetta e Tiesto. Isso é uma mudança radical de quando a polícia da moral saudita atacaria estabelecimentos que tocavam música alta.

Os organizadores sauditas disseram que o Jeddah World Fest será transmitido globalmente. O reino também está prometendo vistos eletrônicos rápidos para visitantes internacionais que querem participar.

A Arábia Saudita viu mudanças profundas no ano passado, como resultado dos esforços de reforma de cima para baixo do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, incluindo a abertura da primeira sala de cinema e a suspensão da única proibição do mundo às mulheres.

Em dezembro de 2018, as mulheres - algumas sem lenços de cabeça - dirigiram-se para uma corrida de carros de Fórmula-E, na qual milhares de jovens sauditas e centenas de visitantes internacionais participaram na noite em concertos. O espetáculo teria sido impensável até recentemente no reino ultraconservador, onde a polícia religiosa costumava impor a segregação estrita de gênero e censurava as mulheres por não cobrirem seus cabelos.

Mas há um limite rígido para as reformas - como revelado pelo brutal assassinato do escritor saudita Jamal Khashoggi por agentes sauditas próximos ao príncipe herdeiro em outubro e pela tortura relatada de vários ativistas dos direitos das mulheres na detenção. Enquanto a arena do entretenimento está se ampliando, o espaço para engajamento político e dissidência praticamente desapareceu.

O príncipe herdeiro de 33 anos, apoiado por seu pai, o rei Salman, preside uma nação onde ele sozinho define o ritmo e o escopo da mudança./ Aya Batrawy, da Associated Press, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, contribuiu para esta reportagem.

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