Esporte

CPI das apostas: Hugo Jorge Bravo diz que futebol poderia estar “contaminado” com manipulações

MyKe Sena/Câmara dos Deputados
Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, participou da primeira Audiência Pública na CPI das apostas

Presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo acredita que o futebol brasileiro poderia estar contaminado caso a Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás (MP-GO), não tivesse sido deflagrada em 2023. Na opinião do dirigente colorado, o cenário poderia ocorrer em “três, quatro anos”. Em depoimento na CPI das Apostas Esportivas, Hugo Jorge Bravo sugeriu a criação de uma delegacia especializada para apurar casos de manipulação de resultados.

“Se fosse daqui quatro, cinco anos, teríamos aquele problema semelhante à febre aftosa, nós teríamos ali o mundo se fechando ao produto brasileiro. Então, essa operação veio num momento muito importante", disse o dirigente em sua fala de apresentação na CPI das Apostas Esportivas, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Hugo Jorge Bravo frisou que, se a Operação Penalidade Máxima não tivesse sido deflagrada pelo MP-GO, “nos próximos três, quatro anos, o futebol estaria completamente contaminado”.

O dirigente colorado chegou a falar que atletas com algum tipo de envolvimento no esquema agiram como aliciadores. “Fica muito claro que os atletas, que até então eram aliciados, se tornaram aliciadores. Estava se criando ali um ciclo vicioso que iria comprometer o futebol brasileiro", completou Hugo Jorge Bravo, referindo-se ao  caso de Romário, que era atleta do Vila Nova quando se envolveu no esquema. O atleta acabou banido do futebol pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), punição da qual irá recorrer.

Após o depoimento, que durou 20 minutos, o presidente do Vila Nova foi questionado pelos deputados que compõem a CPI das Apostas Esportivas.

Na opinião do dirigente colorado, não há motivo para paralisar o futebol brasileiro. “De forma alguma, se tem um momento do campeonato que não vai ter problema é agora. Só se for maluco pra intervir neste momento. O torcedor pode ir tranquilo (para o estádio). Para não desacreditar o futebol brasileiro, eram eventos individuais que não afetaram o resultado da partida”, disse Hugo Jorge Bravo.

O presidente do Vila Nova explicou que o tema manipulação de resultados é debatido há algum tempo de forma “superficial” nos clubes de futebol. O dirigente acredita que a partir do escândalo de apostas esportivas, as equipes brasileiras poderão “educar” jogadores que integram categorias de base por meio de conversas e palestras com promotores, por exemplo.

“Isso já era abordado, mas de forma superficial. Creio que, com esse escândalo, principalmente as equipes formadoras vão se cercar com esses cuidados. Em relação aos atletas profissionais, são pessoas de caráter formado. O alerta é bem-vindo, mas qualquer tipo de ação dessa não pode passar impune. No nosso clube (Vila Nova), todos sabem o que vai acontecer. Vai depender das ações do clube”, falou Hugo Jorge Bravo.

Sugestão de delegacias especializadas

O presidente do Vila Nova sugeriu que delegacias especializadas em apostas esportivas sejam criadas para que denúncias sejam feitas e ações investigadas. Na opinião do dirigente, as casas de apostas devem ser tratadas como vítimas, mas poderiam fazer mudanças na quantidade de eventos que permitem apostas (exemplos: pênaltis, cartões, escanteios etc).

“Eu gostaria de sugerir a criação de uma delegacia especializada. Vai facilitar a interlocução de forma sigilosa. Outra sugestão é a limitação de ações individuais (nas casas de apostas) e limitação de campeonatos. As casas de apostas são vítimas, como nós”, concluiu o dirigente goiano.

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