Iniciada em 2023, unidade tem 90% da 1ª etapa concluída e previsão de término para o fim deste mês, após adiamentos. Investimentos nesta fase chegam a R$ 256 milhões
Os atendimentos para o público infanto-juvenil no Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) devem começar a partir do dia 5 de maio, com a abertura da ala pediátrica da unidade. A primeira etapa da estrutura, que já tem 90% finalizado e expectativa de conclusão ainda no final deste mês, teve R$ 256 milhões investidos em obras e equipamentos e contará com 60 leitos entre internação e observação, além de infraestrutura para procedimentos de alta especialização, como transplante de medula óssea e cirurgias oncológicas, além de reabilitação de pacientes.
Equipes multiprofissionais iniciaram o treinamento para o novo trabalho nesta quarta-feira (2), na Câmara de Goiânia. Até o momento, 281 profissionais das áreas de saúde, limpeza e segurança foram contratados pela Fundação Pio XII. Conforme o diretor do Cora, Mário José de Paula, 275 deles estiveram presentes no início da capacitação e outros 52 funcionários, em fase final de seleção, também devem compor o quadro da entidade. Oriunda de Barretos (SP), a organização da sociedade civil (OSC) foi responsável pela construção e segue com a gestão do hospital.
O POPULAR havia mostrado no início de janeiro que a inauguração do Cora, que estava prevista para o segundo semestre de 2024, foi adiada para março deste ano. À época, 70% do serviço estavam finalizados, mas ainda faltava a construção de uma faixa de acesso na BR-060 por parte da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Contudo, mesmo com o novo prazo, não foi possível concluir a intervenção a tempo e a nova data para inauguração, ainda que não oficial, se estendeu para maio. A Goinfra diz que a obra já foi iniciada e que a previsão é concluir no mesmo mês de abertura da unidade.
Secretário estadual de Saúde de Goiás, Rasível dos Santos explica que o "hospital está agora com quase 90% das obras concluídas". "As partes superiores já estão prontas, inclusive para receber essa capacitação inicial, fazer treinamento dos funcionários, isso enquanto está sendo finalizada a parte baixa. E começou agora essa alça para fazer integração na chegada no hospital. Não é apenas uma obra, são várias, e a concatenação de todas culminou com a finalização agora para esse prazo de abril a maio, para a gente começar a operação mesmo em maio", cita.
Conforme Santos, todos os equipamentos da ala infanto-juvenil já estão no Cora. Ao todo, o investimento apenas nessa parte da primeira etapa foi de R$ 63,2 milhões. "Todos os equipamentos já chegaram, são muitos itens, mais de 2,5 mil que a gente teve ali, além dos equipamentos grandes e toda a parte de reabilitação", explica. Dentre eles, está o aparelho de ressonância magnética para as salas de cirurgia da unidade, que possibilitará aos médicos cirurgiões obter imagens dos pacientes durante os procedimentos, algo inédito em Goiás.
"É uma grande inovação termos ressonância magnética nuclear dentro das salas de cirurgia porque ao fazer uma neurocirurgia em uma criança, a gente não pode fazer o que chamamos de 'cirurgia awake', que é com o paciente acordado. A criança, como ela é pequena, às vezes, não consegue obedecer comando, então preciso saber se a retirada do tumor -- um tumor cerebral, por exemplo -- está no nível correto, se posso fazer mais um pouco de ressecção ou não. Durante o ato operatório fazer esse exame é extremamente importante, para deixar o menor nível de sequela possível para a criança", explica o secretário.
Outra inovação no Cora é a instalação de filtros Hepa (sigla para "high efficiency particulate air", em português, "alta eficiência na retenção de partículas") na área voltada ao transplante de medula óssea, em uma espécie de "bolha" dentro da unidade. "É uma bolha porque as crianças e familiares vão poder ficar no quarto, mas não precisam ficar restritos. Podem sair, ir à brinquedoteca e até mesmo, se precisar, transferir para a unidade de terapia intensiva (UTI). Importante dizer que essas crianças que fazem transplante, só de passar ali no corredor do hospital, já podem pegar uma bactéria, um vírus, o que pode levar a complicações e até ao óbito. Essa é a importância do filtro", complementa.
A bolha criada com o filtro Hepa instalado na área para o transplante de medula óssea abrange 11 leitos de UTI, sendo que 5 deles estarão anexados aos 5 leitos voltados ao transplante. O ineditismo mencionado por Santos ocorre justamente porque a filtragem do ar, em geral, é feita apenas nas UTIs onde estão internados os pacientes transplantados, para reduzir o risco de infecção. Contudo, na unidade tal mecanismo está instalado em um espaço maior, que permite que as crianças transitem pela área.
Ao todo, a ala infanto-juvenil contará com 48 leitos de internação e 12 de observação, além de centro cirúrgico, farmácia, centro de exames por imagem e infusão quimioterápica construídos em uma área de 19,2 mil metros quadrados (m²). Apenas para as obras da área voltada ao público infantil, foram investidos R$ 192.658.160,25 pelo governo estadual. Ao se somar com o montante empenhado na aquisição de equipamentos, de R$ 63.241.779,56, o valor total chega a R$ 255.899.939,81. Já o investimento integral para todas as etapas do Cora chega a R$ 724.039.683,05.
2ª etapa tem expectativa de operação para 2027
Primeiro hospital público destinado ao tratamento do câncer em Goiás, o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) teve as obras iniciadas em fevereiro de 2023 para a primeira etapa: a ala infanto-juvenil. Com a inauguração dela, em maio, a segunda etapa já tem sido anunciada para entrar em operação a partir de 2027. Titular da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Rasível dos Santos explica que essa parte ainda está em fase de projeto, mas com uma previsão para ser iniciada entre o fim deste ano e o próximo.
"Estamos elaborando o projeto da segunda etapa, tanto da parte adulta quanto diagnóstica, para ser iniciada no fim do ano e possivelmente entrar em operação em 2027", diz. Com a conclusão de todas as alas do hospital, que está sendo erguido em uma área de 44 mil metros quadrados (m²) nas proximidades do Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia, a unidade contará ao todo com 148 leitos de internação e 22 de observação, totalizando 170 leitos. Haverá ainda uma ala de prevenção e um alojamento para receber familiares de pacientes.
Goiás realiza em média 4,5 mil cirurgias oncológicas e a promessa é que, com a inauguração do Cora, o total suba para 7,2 mil procedimentos, ou seja, em torno de 600 cirurgias ao mês. Além disso, a unidade deve proporcionar 13,5 mil consultas e uma média de 600 internações mensais. Hoje, pacientes diagnosticados com a doença têm sido regulados para o Hospital Araújo Jorge e o Hospital das Clínicas, em Goiânia, e ao Hospital Evangélico Goiano, em Anápolis. O custo ao Estado gira em torno de R$ 35 milhões, enquanto a previsão da unidade é ter um custo mensal em torno de R$ 21 milhões quando estiver em pleno funcionamento.
Filosofia
O Cora tem sido idealizado para seguir os moldes do Hospital de Amor de Barretos (SP), também gerido pela Fundação Pio XII e tido como referência no tratamento do câncer no Brasil. "É uma parceria de longa data, porque a gente vai desde o início, de pensar o hospital e desse sonho construir uma unidade que vai fazer o tratamento de toda a região Centro-Oeste, apoiar a região Norte e o Brasil", comenta Santos.
Ele destaca ainda que a "filosofia" importada do hospital paulista, com base em um atendimento humanizado, tem sido o foco do treinamento dos profissionais iniciado nesta quarta-feira (2), fala também reforçada pelo diretor do Cora, Mário José de Paula. "Não é somente trazer a estrutura física, é trazer também o conceito do Hospital de Amor, que além de cuidar as pessoas e tratar dos pacientes e suas famílias, trata bem o ser humano", enfatiza o secretário. "Estamos focados em passar para os colaboradores a filosofia de humanização no atendimento ao paciente oncológico e no acolhimento às famílias", complementa Mário.