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Coronel da PM é inocentado por execução de suspeito de roubar caminhonete

Matheus Albernaz/TV Anhanguera
Coronel Carlos Macário foi o último dos seis réus do processo, denunciados pelo Ministério Público, a ser julgado

O coronel da Polícia Militar (PM), Carlos César Macário, de 64 anos, foi inocentado em 2ª instância nesta terça-feira (7) por homicídio ocorrido em junho de 2010. A vítima, Deivid Dias, foi perseguido por roubar uma caminhonete em Acreúna, e executado pela PM, segundo a Polícia Federal (PF).

O coronel Carlos Macário é um dos seis réus do processo, denunciados pelo Ministério Público (MP), em que todos os acusados foram absolvidos. O MP aceitou a absolvição da juíza da Acreúna, Vivian Dutra, de três acusados, enquanto os outros três foram a júri popular. Carlos foi o último a ser julgado e inocentado.

Por quatro votos favoráveis contra três, o Júri Popular decidiu que Carlos Macário não foi considerado responsável pela morte. Ele era chefe da operação em que Deivid foi executado, por isso, estava em julgamento se havia autorizado os disparos ou de alguma forma contribuído para a chacina, como denomina o MP. A operação atuou em terra e ar, havendo militares em um helicóptero e no chão, confrontando Deivid. Carlos Macário estava em terra.

O juiz do caso, Thales Prestrêlo, disse ao o Daqui que “ele, de acordo com os autos, não chegou a atirar nessa vítima que veio a óbito. Então, a participação dele, de acordo com o Ministério Público, não teria sido por efetivamente apertar o gatilho à vítima”. Outros dois policiais que teriam de fato apertado o gatilho foram julgados e absolvidos.

O advogado de defesa de Carlos Macário, Gustavo Luiz Barbosa, defendeu quatro policiais nesse caso desde 2018. Ao Daqui, ele afirmou que desses, “três foram absolvidos no Tribunal do Júri pelo Conselho de Sentença. Em relação aos dois policiais que atiraram, decidiram que eles não deveriam ser condenados em virtude de legítima defesa. Hoje, o Tribunal do Júri reconheceu que o Coronel Macário sequer participou do tiroteio”.

O promotor do caso, Sandro Barros, disse que a vítima tem “grande histórico criminal. Na minha opinião, foi decisivo para a absolvição”. O Tribunal do Júri é composto por leigos que não precisam fundamentar ou justificar suas decisões, explicou o promotor do caso, Sandro Barros: “julgam de acordo com a consciência”.

Deivid pertencia a uma quadrilha que roubava caminhonetes em Rio Verde. O promotor disse que “os roubos eram cometidos com violência e com restrição à liberdade das vítimas”.

Relembre o caso
De acordo com os autos do processo, Deivid Dias roubou uma caminhonete em 24 de junho de 2010, em Rio Verde. O promotor Sandro Barros conta que ele abasteceu o veículo com um combustível inapropriado, o que fez com que a caminhonete apresentasse problemas em Acreúna. Deivid foi até um mecânico, mas foi localizado pela Polícia Militar (PM), que o perseguiu.

Um tiro atingiu o pneu da caminhonete, e Deivid seguiu com o carro para um matagal, já perdendo o controle da direção. Por isso, a PM solicitou reforços e usou um helicóptero.

Na época, a PM disse que tiveram dois confrontos e que agiram em legítima defesa. Na versão dos policiais, no primeiro, nenhum tiro havia acertado a vítima. Eles diziam que Deivid havia conseguido fugir e se esconder no matagal. Já na segunda abordagem, dois tiros acertaram o rosto dele, o que ocasionou a morte.

A versão policial foi desmentida pelo laudo de exame cadavérico, onde foram identificados cinco tiros que o atingiram enquanto estava ajoelhado, à curta distância. Dois no rosto, um no pescoço, um no ombro, e um na palma da mão. Após investigação, a Polícia Federal considerou as lesões típicas de defesa, o que configura execução.

Sexto Mandamento
O coronel Carlos Macário também foi investigado e preso por sete meses durante a Operação Sexto Mandamento, em 2011. Ele foi relacionado a um suposto grupo de extermínio que matou 40 pessoas, em que policiais goianos estavam sob investigação da Polícia Federal (PF). Isso ocorreu porque um dias após a morte de Deivid Dias, Macário ligou para outro policial, um dos investigados na operação, que teve o celular grampeado.

Na ligação, falam sobre o ocorrido, o que levantou suspeitas da PF, que investigou e percebeu as contradições entre o laudo e os discursos dos policiais. O promotor Sandro Barros disse ao Daqui que “eles juntaram as pecinhas desse caso e deram prisão para todos os envolvidos nessa situação, onde houve fortes indícios de que não houve confronto, mas, sim, uma execução.”

Depois dos sete meses, ele respondeu o processo em liberdade. “Hoje terminou o processo do coronel Macário. O dos outros policiais, cada um foi sendo julgado separadamente. E todo mundo foi absolvido, no final das contas”, afirma o promotor.

A defesa de Macário, o advogado Gustavo Luiz Barbosa, afirmou que este processo não tem relação com o suposto grupo de extermínio. “Esse processo utilizou como base uma escuta que ocorreu na Operação Sexto Mandamento. Mas, aqui foi julgado apenas e tão somente o crime, que nem foi considerado crime pelo Conselho de Sentença. O fato é que, após uma perseguição policial, um ladrão de caminhonete foi morto em troca de tiros. Não há vinculação com o Sexto Mandamento, muito menos com o grupo de extermínio”, diz.

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