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Em Goiás, 1,2 mil motoristas precisam fazer exame toxicológico até quinta (28)

Wildes Barbosa
Exame toxicológico a partir da coleta de pelo corporal no Instituto de Medicina Diagnóstica, no Setor Aeroporto, em Goiânia

Goiás tem 1,2 mil motoristas com Carteira Nacional de Trânsito (CNH) da categoria profissional que precisam renovar o exame toxicológico até quinta-feira (28). Caso contrário, a partir de 28 de janeiro de 2024 eles serão multados. A infração é configurada como gravíssima. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), outros 274 mil condutores têm o vencimento do exame nos dois próximos anos.

A obrigatoriedade da realização do exame está prevista na Lei nº 14.599, de 19 de junho de 2023, que altera alguns pontos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A legislação inicia nova contagem de prazo para obrigatoriedade de exame toxicológico a partir da obtenção ou renovação da CNH nas categorias C, D ou E: a cada dois anos e seis meses.

Todos os condutores das categorias C, D e E são obrigados a fazer o exame toxicológico para obter ou renovar a CNH. No caso dos motoristas com menos de 70 anos, a cada dois anos e meio é necessário fazer um exame toxicológico intermediário. Mesmo os motoristas que não exercem atividade remunerada ou não conduzem veículos que exigem as categorias C, D ou E, precisam fazer o exame.

O condutor consegue saber se precisa ou não fazer o teste por meio da Carteira Digital de Trânsito (CDT), que informa a data de validade em que o último exame toxicológico foi realizado. Se estiver dentro da validade, não é necessário refazer o teste. Também é possível conferir a necessidade do exame por meio da data de emissão da CNH.

O presidente do Detran-GO, Delegado Waldir, destaca que o exame toxicológico é um instrumento essencial na fiscalização das categorias C, D e E, que são os motoristas profissionais. “É extremamente importante para a segurança no trânsito, semelhante ao trabalho que existe em relação ao álcool. Para o motorista é melhor fazer um exame que custa R$ 130 do que depois pagar a multa de R$ 1,5 mil”, alerta.

Penalidade

Os motoristas flagrados com o exame toxicológico vencido por mais de 30 dias serão multados a partir de 28 de janeiro de 2024. A multa é de R$ 1.467,35 e sete pontos na CNH. Em caso de reincidência no período de até 12 meses, a multa é de R$ 2.934,70. Além disso, o motorista tem o direito de dirigir suspenso.

Para quem está com o exame dentro da validade, as sanções serão aplicadas após 30 dias do vencimento do prazo. O condutor que não realizar o exame toxicológico não conseguirá renovar a CNH. O mesmo se aplica aqueles que apresentarem resultado positivo para o uso de substâncias psicoativas.

Procura

Para fazer o exame, basta procurar um dos laboratórios credenciados. A lista está disponível no site do Ministério de Transportes. A atualização é feita automaticamente no sistema do Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach) pelo próprio laboratório após o atendimento.

O biomédico Alisson André Nunes é gestor dos postos de coleta do Instituto de Medicina Diagnóstica (IMD), em Goiânia, e conta que tem percebido um crescimento significativo da procura pelo exame toxicológico. “Tem aumentado devido aos caminhoneiros, que realizaram esse exame para renovar a CNH”, diz.

Segundo Nunes, o exame ocorre mediante a coleta de pelos corporais. Por meio de uma análise é possível detectar drogas em uma janela imunológica de 90 dias. No caso dos cabelos, a janela imunológica é de 180 dias. Todo o processo é acompanhado por uma testemunha. O cartão com o material biológico é marcado com uma digital do paciente e lacrado na frente dele.

Brasil

Segundo a Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox), até a última terça-feira (19), apenas 10,8% dos motoristas brasileiros que estavam com o exame vencido regularizaram a situação, sendo que mais de 4 milhões ainda estão pendentes. A associação estima que se o ritmo da procura pelo exame continuar baixo, menos de 20% do total de motoristas farão o exame até o prazo limite. Isso representaria mais de 3 milhões de motoristas penalizados no início de 2024.

A ABTox entende que a não realização do exame por uma quantidade tão grande de motoristas não se deve propriamente a uma falta de vontade, mas sim a um desconhecimento sobre a obrigatoriedade do exame. Nesse sentido, eles desempenham esforços para instruir os condutores sobre a mudança na lei e a nova exigência.

A associação alerta para o fato de que mesmo os laboratórios credenciados tendo capacidade para atender a demanda total, com a diminuição do prazo e o volume aumentado não é possível garantir que não existam filas e risco de não atendimento.

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