Geral

Em meio à pandemia, artistas goianos cobram ações do secretário de Cultura: “Cadê o Baldy?"

Divulgação

A pandemia do novo coronavírus exigiu decretos de isolamento social e, com isso, desde o primeiro diagnóstico da doença em Goiás, os eventos artísticos foram proibidos para evitar aglomerações. Os artistas goianos, que têm obedecido às normas de isolamento, se queixam, no entanto, de falta de assistência do secretário de Estado da Cultura, Adriano Baldy, para amparar a categoria. Em vídeo, eles questionam: “Cadê o Baldy?”.

Entre as reivindicações apresentadas no vídeo, os artistas cobram a quitação da Lei Goyazes e do Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC). “Secretário, como vão ficar os atrasados? Você vai pagar”, é a fala do músico e produtor Gilberto Correia, que surge entre os 15 trabalhadores da Arte no Estado, que reivindicam medidas.

Em conversa com o POPULAR Gilberto disse que o vídeo é o primeiro de uma série que pretendem fazer e foi inspirado naquele feito em âmbito nacional que cobra medidas da secretária especial de Cultura, do Governo de Jair Bolsonaro, Regina Duarte. “Nós artistas temos passado grandes dificuldades nessa época de pandemia e não teve nenhuma ação da Secult para nos amparar”, explica, quando questionado sobre a motivação.

Projetos

Segundo ele, que também é presidente da Associação dos Cantores e Compositores do Estado de Goiás, acusa que ainda há aproximadamente 30 projetos sem receber o valor correspondente ao FAC. “Ficamos muito chateados, porque a resposta da Secult é de que pagou o fundo de 2018, sendo que ainda há pendências, inclusive dois deles são administrados por mim e não pude sequer executá-los ainda”, relata.

Correia conta que os projetos contemplados pelo FAC não podem começar a ser executados sem recurso. “Com isso, toda a equipe está sem receber. Por isso estamos cobrando o repasse; para resguardar essas pessoas, que estão em casa, sem poder trabalhar”, afirma.

Execução virtual

Ele destaca que a principal reivindicação da categoria é para que o Estado autorize a execução por meio virtual ou crie alternativas de realização das atividades virtualmente de forma remunerada. “Já daria um alívio”, traduz.

O cantor, compositor e humorista Xexéu é mais incisivo quanto à atuação do secretário de Cultura. “Até agora ele não mostrou a que veio, e os artistas têm demandas a resolver junto à secretaria. Principalmente em relação à quitação dos projetos que foram contemplados pelos editais”.

“Paralelo a isso, em épocas de pandemia, em que 99% dos artistas estão segregados, aguardando a quarentena em suas casas, todos estão sem remuneração, sem ganhar o pão deles no dia a dia, e a Secretaria de Cultura deveria pensar em algum tipo de possibilidade para que o governo desse algum tipo de trabalho para esses artistas. Ninguém quer esmola, assistencialismo, queremos trabalhar”, cobra.

Xexéu conta que tinha, até junho, mais de 50 apresentações agendadas, tanto em bares como em eventos particulares e de órgãos públicos, que foram canceladas. Ele não se queixa da medida, que tem o objetivo de evitar aglomerações em tempos de pandemia, mas cobra por amparo.

“Assim como eu, os artistas da área musical estão padecendo de um deserto total e a gente tem plena consciência de que fomos os primeiros a parar e seremos uns dos últimos a voltar, principalmente aqueles cuja a lida são os bares. Então é uma dificuldade muito grande, até porque grande parte dos artistas da área musical vive de forma informal”, justifica.

Áreas diversas

Mas não só a música faz reivindicações. A atriz Fernanda Pimenta, que atua no teatro, circo, cinema e na dança, cobra os mesmos pontos. “Outros Estados lançaram medidas emergenciais para auxílio a artistas, com edital de lançamento de conteúdo online. Em Goiás, houve apenas um chamamento, mas para atividades gratuitas, ou seja, sem remuneração”, reclama.

Ela também frisa a necessidade de quitação dos editais de cultura. “Começaram a pagar projetos do FAC de 2018, mas há atrasados de 2015, 2016 e 2017. Estão dizendo que estão pagando por causa da pandemia, mas a verdade é que essa é uma obrigação deles [Secult]”, protesta.

Fernanda relata que, atualmente, está se virando com o auxílio emergencial do Governo Federal. “Que é muito pequeno, não está dando para pagar minhas despesas. Eu tenho um projeto de 2018, que eu recebi agora com atraso, mas não tenho como executar, porque eu só posso receber depois de realizar a atividade e estou impossibilitada por conta do isolamento”.

Prestação de contas

Além de um edital emergencial para trabalhos online remunerados, Fernanda também pede uma flexibilização da prestação de contas dos projetos. “Porque do jeito que está não tem como executar e nem receber”, explica.

A artista plástica e poetisa Vânia Ferro disse que o sentimento é de desespero. “Queremos o pagamento integral da Lei Goyazes e do FAC, porque é disso que a maioria dos artistas vivem. Estamos sem rumo, como vamos ficar? A maior parte de nós está passando necessidade”, reivindica.

Ela repete o discurso dos colegas de que o objetivo da mobilização é conseguir trabalhar. “Não queremos nada de graça, queremos trabalho, só que não temos, porque não criaram alternativas diante do isolamento social”, explica.

Vânia relata que antes da pandemia estava com trabalhos prontos para exibir, mas a exibição teve que ser adiada para evitar aglomeração. “E eles não fazem nada. Sou artista goiana desde o início do FAC, que lutamos para conquistar, e agora só queremos a quitação”, detalha.

Secult

A assessoria da Secult disse ao POPULAR que está atenta às demandas emergenciais e está realizando operações em caráter de urgência para o setor. A pasta também especificou o que foi pago e disse que autorizou a execução virtual dos projetos. Leia nota na íntegra:

Em relação ao vídeo gravado por artistas goianos, a Secretaria de Estado de Cultura (Secult Goiás) informa que a Pasta está atenta às demandas emergenciais que surgem em razão da pandemia de Covid-19. Para tanto, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, realiza operações em caráter de urgência para beneficiar o setor cultural.

Em atenção às necessidades financeiras de artistas, a Secult Goiás pagou, no último dia 27 de março, o saldo remanescente do Fundo de Arte e Cultura (FAC) de 2018, no valor de R$ 1,5 milhão. Também possibilitou que os projetos culturais aprovados pelo FAC, editais de 2018, que foram pagos, sejam realizados virtualmente. São R$ 25 milhões para projetos que serão concretizados de forma virtual, o que permitirá que artistas e prestadores de serviços possam receber pelo trabalho executado.

Paralelamente, a Pasta preparou um pacote de programações virtuais, por meio do Projeto Cultura em Casa, e tem levado diariamente cultura, arte e entretenimento aos goianos. São apresentações artísticas de música, dança e teatro; visitas virtuais a museus; vídeocasts com assuntos pertinentes ao setor cultural, além de cinema, literatura e outros.

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
ANUNCIE AQUI