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Jovens são condenados pelo assassinato de Ariane Bárbara

Montagem/g1
Ariane Bárbara, à esquerda. À direita: Raissa, Freya (já julgada) e Jeferson.

Os réus Raissa Nunes Borges e Jeferson Cavalcante Rodrigues foram condenados na noite desta terça-feira (29) pelo assassinato de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira, de 18 anos. Raissa foi condenada a 15 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que impediu a defesa da vítima, além da ocultação de cadáver. Jeferson foi condenado a 14 anos pelos mesmos crimes. Ambos foram absolvidos da acusação de corrupção de menores.

O julgamento ocorreu dois anos e seis dias depois do crime. Os condenados devem aguardar o trânsito do julgamento presos na Penitenciária Odenir Guimarães (POG). As defesas têm prazo de cinco dias para apresentarem recursos à sentença. 

O advogado Luiz Carlos Ferreira Silva, que defende Jeferson Cavalcante Rodrigues, relatou após a decisão que deve recorrer da sentença por entender que a pena foi incompatível com a participação do jovem no crime, já que, segundo ele, Jeferson não desferiu golpes na vítima. “A defesa tinha esperança de uma sentença diferente. A pena ficou acima do patamar esperado e o que nos resta é recorrer da pena”.

A defesa de Raissa também delclarou que vai contestar a sentença em relação ao tempo de pena, pois a ré confessou participação no crime desde que foi levada a uma delegacia. 

Como consta na denúncia oferecida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), Raissa, Jeferson, Freya Jacomini, e uma menor conheceram a vítima em uma pista de skate pública, em Goiânia, e convidaram Ariane para lanchar. Depois, mediante violência física e golpes de faca, eles a mataram dentro de um carro.

Também amigo dos réus, Freya passou por júri popular em março deste ano e foi condenada a 15 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver. A pena está sendo cumprida, inicialmente, em regime fechado na Penitenciária Odenir Guimarães (POG).

Raissa Nunes Borges foi acusada de tentar matar Ariane para testar se era psicopata ou não e Jefferson Cavalcante Nunes foi acusado por emprestar e dirigir o carro usado no crime. Ele teria também pagado algumas despesas como o lanche do grupo de réus, após a morte de Ariane.

Relembre o caso
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Raissa, Jeferson e Freya atrairam a jovem dizendo que eles iam lanchar e depois, mediante violência física e golpes de faca, a mataram.

O crime aconteceu no dia 24 de agosto de 2021, por volta das 21 horas, no interior de um veículo. Narra a denúncia que, com o veículo em movimento, Raissa tentou estrangular Ariane, mas a força empregada não foi suficiente.

Ariane Bárbara, que tinha 18 anos, ficou sete dias desaparecida até ter o corpo encontrado em uma mata do Setor Jaó, em Goiânia. Na investigação, a polícia descobriu que os réus, Freya, e uma adolescente planejaram a morte, que seguiu uma espécie de ritual dentro do carro onde foi levada.

Segundo a polícia, o objetivo do crime era descobrir se Raissa Nunes Borges e uma menor, amigas da vítima, eram psicopatas. O suposto teste exigia observar a reação da pessoa testada após cometer um assassinato.

Ariane Bárbara foi escolhida pelos amigos por ser pequena e magra. Assim, se ela reagisse, os três conseguiriam segurá-la com mais facilidade, segundo a investigação policial. Após o crime, os acusados saíram para lanchar em um shopping. Raissa disse que Jeferson pagou o lanche.

Defesa
Durante o julgamento, Raissa confessou o crime e pediu perdão à mãe da vítima, Eliane Laureano. A ré começou o discurso contrariando as expectativas da própria defesa, a qual informou que Raissa permaneceria em silêncio.

A defesa dela, o advogado Luciano Oliveira Rezende, acrescentou que a ré agiu dessa forma graças ao poder de manipulação de uma menor envolvida no crime que tinha relações com pessoas perigosas e exercia poder sobre os amigos.

"A Raissa foi usada e tentou inúmeras vezes sair da situação. Mas a menor manipuladora não deixava", disse o advogado. Ele exibiu também um áudio retirado do celular da acusada, no qual a menor faz ameaças de morte a um homem. "Você não está ligado nos meus contatos. Você é um homem morto", disse a menor.

Jefferson também narrou uma versão dos fatos em que a menor foi responsável por obrigá-lo a participar do crime, por meio de ameaças, e como ele tem uma saúde mental frágil e problemas psicológicos, acabou se envolvendo.  A defesa, o advogado Luiz Carlos Ferreira Silva, reconheceu a participação do defendido no crime e apresentou um  laudo feito pela junta médica.

O advogado leu trechos citados pelas psicólogas relatando que o acusado sofria depressão e tentou se matar em mais de uma ocasião. "Ele relatou também que quis se matar duas vezes e sua gata de estimação, chamada de Shiva o impediu. Depositou em choro, precisou ser contido e não conseguiu falar", leu o advogado em trecho do laudo.

Ferreira mostrou também um trecho de reportagem exibida na época do crime em que um delegado que investigava o caso disse que  as acusadas do crime falaram informalmente que poderiam matar Jeferson, com medo dele contar sobre a morte de Ariane para outras pessoas. O advogado ressaltou em vários momentos o temor que Jefferson sentia pela menor.

Acusação
O promotor Leandro Henrique Zeidan Vilela de Araújo direcionou sua fala a Raissa, agradecendo a confissão feita no interrogatório. “Eu posso te agradecer pela confissão que você fez, esse era o mínimo que você devia à sociedade goiana e à mãe da Ariane. Isso foi de grande valia”,afirmou.

O promotor também relembrou o sonho que Ariane tinha de se tornar veterinária, que jamais poderá ser alcançado. Ele reforçou acreditar na culpa dos réus e usou as palavras “justificar o injustificável” para se referir ao discurso das defesas

O promotor Maurício Gonçalves apresentou um trecho do laudo de sanidade mental de Jeferson Cavalcante analisado pela junta médica com a informação de que ele possuía plena capacidade de entendimento para cometer o crime.

Versão dos réus
Raissa narrou que no dia do crime ela e a menor suspeita de participação no crime estavam sentadas ao lado de Ariane, enquanto Jeferson dirigia e Freya estava no banco da frente do carro. Quando uma música escolhida para o crime começou a tocar, ela teria enforcado Ariane.

A ré informou ainda que acreditou não estar agradando a menor com a maneira que agiu para praticar o crime, então trocou de lugar com Freya.  Depois, a menor teria pedido que ela retornasse e esfaqueasse a vítima, assim deu a primeira facada em Ariane.

Para finalizar, a acusada e a menor teriam jogado Ariane no porta-malas, ainda com o carro em movimento. O celular da vítima foi destruído pela mais nova e jogado pela janela, segundo Raissa.

Já o outro réu, Jeferson Cavalcante Rodrigues, relatou ter participado do crime por medo e que sua família estava sendo ameaçada.  Ele afirmou que a menor envolvida fazia ameaças aos pais dele dias antes da morte de Ariane.

Ele declarou ainda que a menor  o obrigou a dar um sinal para o crime, um estalar de dedos, gesto que seria seguido pela música escolhida para os ataques. O réu acrescentou ainda que sentiu empurrões, dentro do carro usado no crime, para fazer a ação combinada.

Jefferson disse ao juiz que tem depressão e que precisa tomar medicamentos duas vezes ao dia, entre esses medicamentos está um estabilizador de humor.

Mãe se emociona
No período da manhã, o júri ouviu testemunhas da acusação e uma delas foi, Eliane Laureano, mãe de Ariane, que se emocionou ao lembrar do momento em que não tinha informações sobre o paradeiro da filha.

“Busquei minha filha em todos os lugares, fui no IML, nos hospitais e o que mais me dói é saber que todos eles sabiam onde ela estava”, disse emocionada. Eliane relembrou também a última mensagem enviada pela filha, informando que ia sair com amigos para lanchar.

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