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Mudança na Feira Hippie em Goiânia é adiada

Fábio Lima
Barracas armadas na Feira Hippie: previsão é que estruturas de venda sejam padronizadas no futuro

A Prefeitura de Goiânia recuou e a Feira Hippie permanecerá, neste fim de semana, no local em que funciona há três semanas. A configuração das bancas também será mantida. A justificativa do titular da Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec), Silvio Sousa, é que a Praça do Trabalhador, onde os feirantes serão realocados, precisa passar por adaptações estruturais e que não há tempo para realizar o sorteio dos locais das bancas nesta sexta-feira (21) e acomodar os feirantes em seus respectivos espaços no sábado (22), como estava previsto.

Na quarta-feira (19), após reunião com representantes dos feirantes, Sousa chegou a afirmar que o sorteio seria feito que a realocação deveria valer a partir deste final de semana. A reportagem conversou com trabalhadores que participam da Feira Hippie e o clima é de insatisfação, tanto com a alteração do local da feira neste momento, quanto com o sorteio do espaço que cada feirante deve ocupar dentro da praça.

Em setembro, a Rua 44 passou a ser de sentido único e teve uma ciclovia implantada. Com isso, no início de outubro, a Prefeitura decidiu retirar as bancas da Feira Hippie que ficavam na via. A justifica foi dar fluidez ao trânsito. Estes feirantes foram realocados para dentro da Praça do Trabalhador.

Porém, nos dias 8 e 9 deste mês, houve uma confusão motivada pela disputada entre feirantes regulares e irregulares por qual espaço iriam ocupar dentro da praça.

Esses fatos levaram a Sedec a promover uma votação entre os feirantes para que eles decidissem entre todos permanecerem na localização improvisada até o final de 2022 ou mudarem para Praça do Trabalhador mesmo com ela ainda em obras. A consulta pública foi realizada no último fim de semana. A mudança para a praça venceu por 794 votos a favor da mudança contra 626 a favor da permanência no local atual.

O secretario diz que nesta quinta foi definido, junto com engenheiros e arquitetos da Prefeitura, quais serão as ruas e quadras dentro da praça. Assim, o sorteio pode acontecer nesta sexta ou no início da próxima semana. “Por uma questão de tempo hábil, a implementação do novo formato ficou para a próxima semana. Estamos trabalhando ali por etapas. Primeiro, será esse processo de mudança. Depois, iremos fazer o cadastramento e regularização dos feirantes. Por último, faremos a digitalização da feira.”

De acordo com a Sedec, a Prefeitura possui um grupo de trabalho que discute como usar da melhor maneira possível a estrutura da praça. Nesse sentido, eles pretendem padronizar as bancas.

Elas serão fixadas em conjunto de 30 bancas, sendo 15 de cada lado. As bancas serão cobertas com lona bege com fundo branco e beirais. Isso deve acontecer após a conclusão das obras na Praça do Trabalhador.

Praça

Desde o segundo semestre de 2019, a feira está em local provisório por conta de obras na praça. Elas ainda não foram concluídas e a previsão é de que sejam terminadas apenas em dezembro deste ano. Em nota, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), responsável pelas intervenções, informou que “o prazo de entrega da obra da Feira Hippie não terá alterações” por conta da presença dos feirantes, mas não especificou quais etapas ainda precisam ser finalizadas.

A reportagem  esteve no local e, apesar de algumas áreas estarem concluídas, outras ainda não possuem sequer o calçamento. É o caso do lado da praça voltado para a Avenida Goiás. O titular da Sedec afirma que essa área deverá receber brita para que os feirantes que forem sorteados para ocupá-la não sejam prejudicados. “Também estamos organizando com outras pastas da Prefeitura para deixar toda a iluminação da praça em dia”, afirma.

As intervenções na praça tiveram início em junho de 2019. A estimativa era de que as obras seriam concluídas em novembro daquele ano. Entretanto, isso não aconteceu. Em fevereiro de 2022, a construtora responsável pediu o distrato do acordo por não ter condições de concluir a revitalização. Em abril, foi decidido que a Comurg iria assumir a obra. A previsão de entrega era setembro, mas o prazo foi estendido para dezembro.

“Queremos ficar onde estamos até o fim do ano”

Diversos comerciantes da Feira Hippie são contra as alterações que estão sendo promovidas pela Prefeitura de Goiânia. Uma das reclamações dos feirantes é que uma mudança de local neste momento, prejudicaria as vendas. “O período que mais vendemos é de agora até o início de dezembro. Não queremos mudar de lugar, pois os nossos clientes podem não achar nossa banca”, aponta Viviane Souza, de 44 anos. Ela vende roupas infantis na feira há 10 anos. 

A feirante Vanda da Paixão, de 46 anos, comercializa roupas plus size na feira há quatro anos e diz que a situação incerta tem afastado clientes. “Meu faturamento caiu mais da metade. O pessoal fica inseguro de vir comprar aqui”, relata. O diretor da Associação Luta pela Feira Hippie, Ronnie Inácio Leão, também se diz contra a mudança. “Queremos ficar onde estamos até o fim do ano”, argumenta. 

Outro fator de reclamação dos feirantes é o sorteio do espaço onde cada um poderá se instalar. Os que têm bancas na região mais próxima da Rua 44 não querem sair de onde estão. Eles consideram o local melhor para as vendas. “Não vou lá para trás (região da praça próxima a Avenida Goiás). Não vou sair daqui de jeito nenhum”, reclama Maria das Dores de Melo, de 53 anos. Desde 2022, a feirante vende camisetas em uma banca da Feira Hippie que é voltada para a Rua 44.
O titular da Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec), Silvio Sousa, afirma que tem tentado manter um diálogo com os feirantes. “Foram eles que pediram pela votação e nós aderimos”, enfatiza. Ele destaca ainda que na nova configuração, a feira ficará em um formato mais circular. “Não vai ter um local mais privilegiado que o outro. O comprador vai passar por toda a feira.” 

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