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Rio Meia Ponte tem 47% das margens ocupadas na região metropolitana de Goiânia

Wildes Barbosa
Área apresenta problemas como assoreamento do Meia Ponte: rio tem importância ambiental e econômica

Na manhã desta segunda-feira (12) foi apresentada na Câmara Municipal de Goiânia a Carta das Águas do Rio Meia Ponte, um amplo relatório científico sobre as condições do principal manancial da região metropolitana de Goiânia. Um dos pontos destacados é que em 47,66% do percurso há ocupação da faixa bilateral de área de preservação permanente (APP). Esta área deveria ter uma margem de ao menos 100 metros no caso deste manancial.

O diagnóstico, fruto da 1ª Expedição Científica Pelo Rio Meia Ponte, realizada em março deste ano por iniciativa da vereadora Kátia Maria (PT), surgiu com o objetivo de fornecer informações para a implementação de políticas públicas capazes de recuperar e proteger o rio que contribui para o abastecimento de 2,5 milhões de pessoas, junto com seu principal afluente, o Ribeirão João Leite.

O levantamento foi realizado pelo mandato da vereadora Kátia Maria, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) e pela companhia Saneamento de Goiás (Saneago). No período de 22 a 27 de março deste ano, voluntários percorreram 45 km do rio, na região metropolitana da capital, abrangendo cinco municípios - Goiânia, Goianira, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo e Aparecida de Goiás. Embarcadas ou por terra, as equipes identificaram 40 pontos de impacto ambiental - 31 deles de assoreamento; 2 aterramentos, 9 erosões lineares, 4 erosões fluviais, 1 rompimento de manilha e 2 atividades não coincidentes com usos urbanos (pivôs de irrigação e mineradora).

Ao apresentar a Carta das Águas do Rio Meia Ponte, a vereadora explicou que durante os dias de expedição os pesquisadores observaram outras irregularidades que contribuem para a degradação do manancial: descarte de lixo, esgoto, extração irregular de areia, captação de água sem outorga, situações que contribuem para a mortandade de peixes, também avistada. “Este é o projeto mais desafiador da minha trajetória política. Precisamos de muita ajuda e um pacto entre as instituições para avançar.” Kátia Maria antecipou que uma nova expedição está prevista para o período de 19 a 22 de setembro, durante a estiagem, para confrontar os dados coletados na época chuvosa. “Estamos em tratativas para criar o Observatório do Meia Ponte para que esse documento seja atualizado permanentemente.”

Reitora da UFG, Angelita Pereira Lima, que participou de uma das visitas ao rio, disse durante a solenidade que a expedição “foi uma aula de meio ambiente, de cidadania e de política”. Segundo ela, o Meia Ponte reivindica o seu direito à cidade. Ela lembrou que o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), aprovado no ano passado, imprimiu em sua missão a preservação e a recuperação das águas e do Cerrado. “Vamos destinar todo o nosso cabedal científico e tecnológico para essa missão”. Várias unidades da UFG participaram do diagnóstico, como o Laboratório de Geomorfologia, Pedologia e Geografia Física (Labogef) e o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig).

Superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Saneago, Camila Roncato afirmou que a companhia se uniu à expedição e vai continuar sendo parceira porque estudos hidrológicos apontam o Meia Ponte como manancial de abastecimento em Goiânia até o ano de 2070. “Até dezembro deste ano vamos finalizar a ampliação de tratamento da ETE Hélio Seixo de Brito, saindo de uma eficiência de 50% a 60% para 90% de esgoto tratado, para devolver à população uma água de melhor qualidade. Conforme Camila Roncato, ainda no meio do ano “serão licitadas as obras do intermediário que vai interditar todo o esgoto clandestino que é lançado no Rio Meia Ponte e encaminhá-lo para a estação de tratamento”.

O relatório mostra que a Bacia Hidrográfica do Meia Ponte tem enorme importância para a região Centro-Sul do estado de Goiás, interligando 39 municípios, numa área aproximada de 12.180 km². O Rio Meia Ponte nasce em Itauçu e percorre 471,6 km até Itumbiara, onde deságua no Rio Paranaíba. Nesse percurso, o Meia Ponte induz o desenvolvimento socioeconômico para 50% da população goiana, representando também um grande valor ambiental agregado. Além do abastecimento humano, o rio é explorado em toda a sua extensão para dessedentação de animais, irrigação para a produção de alimentos, geração de energia (Usina Rochedo), mineração, pesca, turismo e lazer. Daí a importância da efetivação de políticas públicas para mantê-lo vivo.

Para fazer o levantamento, Kátia Maria buscou diversas parcerias. Pessoas, organizações do terceiro setor e instituições públicas e privadas foram homenageadas na sessão especial dedicada aos Amigos do Meio Ambiente.

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