Por décadas, a mídia atuou na consolidação da branquitude como norma, tratando tudo o que escapa dela como desvio. Não é por acaso que Jesus Cristo continua sendo representado como um homem branco, de traços europeus, apesar da total ausência de base histórica para isso. Essa escolha está longe de ser neutra, ela educa o olhar coletivo ao associar o divino, o heróico e o universal a uma cor específica e definitivamente não à negra. Essa lógica estrutura a ficção. Quando aparecem, personagens negros costumam ocupar papéis previsíveis: a empregada, o criminoso, o alívio cômico, o corpo hipersexualizado. No Brasil, figuras como Tia Nastácia e Dona Jura não pertencem apenas ao passado; são símbolos de um projeto narrativo que limita pessoas negras à subalternidade e lhes nega complexidade e protagonismo. Os poucos avanços recentes existem, mas ainda operam como exceção, não como regra.