Semana passada, o resgate pela Polícia Civil de Goiás (PC-GO) de uma serventuária da Justiça internada involuntariamente na capital em um espaço autointitulado “terapêutico”, a pedido de sua família, trouxe à tona uma realidade nada incomum. A multiplicação desse tipo de estabelecimento funcionando sem obedecer a critérios legais é reconhecida pelas autoridades, mas a falta de estrutura de fiscalização esconde, entre vegetação, muros, grades e cadeados, um universo de abusos se torna necessário ter coragem e astúcia por parte da sociedade para denunciá-lo. E nem sempre isso ocorre, porque quem interna um membro da família quer, sobretudo, ficar livre do que considera um problema. Foge ao convencional, porém, um caso recente em Goiânia, no qual mãe e filha apelaram a uma “clínica terapêutica” para internar uma mulher de 25 anos – filha da primeira e irmã da segunda – a fim de evitar que ela participasse de uma audiência judicial. Acionadas, a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária foram ao local, na região norte da capital, e descobriram uma série de irregularidades. Dezenas de mulheres denunciaram terem sido levadas à revelia para o estabelecimento, onde foram submetidas a cárcere privado e agressões. O espaço foi interditado. Segundo a polícia, os proprietários já tinham sido denunciados anteriormente por denúncia semelhante. A história espantosa é o pano de fundo para muitas outras que, sistematicamente, surgem na mídia.