Geral

Idosa é resgatada com braço quebrado após filha enfermeira se negar a cuidar dela, diz PC

Filha foi presa por suspeita de maus-tratos, abandono e exploração financeira de sua mãe de 86 anos, em Goiânia, apontou a investigação

Modificado em 19/09/2024, 01:02

Mulher foi encontrada com o braço fraturado e hematomas no rosto após sofrer uma queda

Mulher foi encontrada com o braço fraturado e hematomas no rosto após sofrer uma queda
 (Divulgação/PC)

Uma mulher de 57 anos foi presa em flagrante, na quarta-feira (16), por suspeita de abandono, maus-tratos e exploração financeira contra a própria mãe, uma idosa de 86 anos. Segundo a Delegacia Especializada no Atendimento do Idoso (Deai), a vítima foi localizada em um prédio do setor Bueno, em Goiânia, com o braço fraturado e hematomas no rosto ocasionados por uma queda ocorrida no dia 11 de agosto.

"Essa senhora estava com o braço fraturado desde o dia 11 de agosto, sem atendimento médico, e a filha tratando-a com descaso. Todos os envolvidos foram levados para a delegacia e ouvidos, e foi ratificado o flagrante dessa filha por exploração financeira e maus tratos", disse o delegado Alexandre Bruno de Barros.

A Polícia Civil chegou até a idosa depois de uma denúncia anônima. De acordo com o delegado Alexandre Bruno de Barros, da Deai, a vítima disse em seu depoimento que a filha, mesmo sendo enfermeira, não prestou socorro a ela depois da queda. A mulher também contou que a suspeita se apossou de seu cartão bancário e vendeu seu carro sem prestar contas do dinheiro.

A mulher foi autuada pelos delitos dos artigos 95, 96 e 102 do Estatuto da Pessoa Idosa. Se condenada, ela poderá cumprir pena de seis meses a um ano por discriminação à pessoa idosa, "impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade". E reclusão de um a quatro anos por "apropriar-se ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade".

Como os nomes não foram divulgados pela Polícia Civil, a reportagem não conseguiu localizar a defesa da enfermeira e atualizar o estado de saúde da idosa.

IcEspecial

Meu Bichinho

Cachorrinho perdido procura pelos donos

Modificado em 17/09/2024, 17:31

Cachorrinho perdido procura pelos donos

(Arquivo pessoal)

A advogada Thula Pereira Godinho encontrou este cachorro macho e sem raça definida no último sábado, 31 de agosto, entre as Avenidas T-4 e T-14, no alto do Setor Bueno. Ela cuidou dele, mas está em busca dos seus tutores.

"O encontrei na porta do meu prédio. Por ele ser dócil e castrado acredito que possui dono e apenas está perdido. O levei a uma clínica veterinária para fazer exames, tomar banho e consegui uma pessoa para ficar com ele até resolvermos a situação", explica ela.

O cãozinho, que ganhou um nome provisório de Simba, está em um lar temporário e, se os tutores não forem encontrados, será colocado para adoção responsável. Quem tiver informações que possam ajudar a unir o cão perdido à sua família pode entrar em contato pelo telefone (62) 99940-0410.

Geral

Setor Bueno tem só 12% de área permeável

Pesquisa mapeia locais do setor mais adensado da região Sul de Goiânia em que é possível o solo absorver água da chuva. Plano Diretor exige índice de 15% para construções na capital

Modificado em 17/09/2024, 15:42

Setor Bueno: impermeabilização do solo aumenta chance de alagamentos

Setor Bueno: impermeabilização do solo aumenta chance de alagamentos
 (Wildes Barbosa)

Apenas 12% de toda a área do Setor Bueno, bairro da região Sul de Goiânia, é permeável, ou seja, o solo tem a capacidade de absorver água da chuva. No restante do setor, toda a água que cair do céu ou vier de outros bairros vai seguir pelas sarjetas e ruas, aumentando o volume ao longo do trajeto até desaguar em um leito de córrego, possivelmente o Córrego Vaca Brava, que é o principal curso do bairro. Isso faz com que uma grande quantidade de água chegue rapidamente ao manancial e em sua região, aumentando a chance de transbordamento. Além do que, ao longo do caminho, sem ter para onde escoar, a água fica empoçada e gera alagamentos, enchentes e enxurradas.

O mapeamento das áreas permeáveis no Setor Bueno é o objeto de estudo da pesquisa "Um geoprocessamento para análise da impermeabilidade urbana", realizado por pesquisadores do Instituto Federal de Goiás (IFG) e publicado no final de 2023. A metodologia utilizada foi desenvolvida na disciplina de Geoprocessamento, ministrada pela professora e mestre e engenheira civil Estéfane da Silva Lopes, no Curso Técnico em Agrimensura do IFG e consiste em analisar "o conceito da superfície impermeável como indicador de impacto ambiental". Os pesquisadores usaram imagens de satélite do ano de 2020 para a vetorização da área, foram inseridas camadas poligonais, para demarcar e identificar a cobertura do bairro.

A pesquisa calculou que o Setor Bueno perfaz uma área de aproximadamente 3,81 quilômetros quadrados (km²), onde 88% é representado por área impermeável (como ruas, meio-fio, calçadas e telhados) e 12% por área permeáveis (árvores, gramíneas, solo exposto), como é possível verificar em imagens de satélite. Para se ter uma ideia, o Plano Diretor de Goiânia aprovado em 2022 exige um índice paisagístico de 15%, em que 10% deve ser de vegetação permeável e o restante pode ser de outro equipamento, como poços de recarga, por exemplo. Esse valor é obrigatório para construções na capital.

Segundo Estéfane, para a pesquisa a equipe buscou um bairro "com maiores contribuições para análise da impermeabilidade e permeabilidade urbana", de modo que entendeu-se que o Bueno seja o setor com maior número de impactos relacionados a problemática urbana ambiental. Ele é ainda o que tem a maior população estimada, densidade demográfica, lançamentos imobiliários e edifícios verticais construídos até 2024, além de ser o segundo com maior área.

De acordo com a última lista divulgada pela Defesa Civil Municipal, o Bueno possui cinco pontos de alagamento. São eles: Avenida T-9, próximo ao Clube Oasis; Avenida T-10, no Parque Vaca Brava; Avenida T-8 com Rua T-27, próximo ao Instituto Ortopédico; Avenida T-8 com Rua T-30, próximo a Praça Gilberto da Veiga; e Avenida T-8 com Avenida T-2. Há ainda outros locais que sofrem com alagamentos que não constam na lista, como no cruzamento das avenidas T-63 com T-4. A lista da Defesa Civil não é atualizada, ao menos publicamente, desde o final de 2021.

O papel das áreas verdes

Estéfane explica que a perda da vegetação e consequente impermeabilização do solo possibilita a dificuldade de infiltrações no lençol freático. "Provocando fatores que influenciam na problemática urbana ambiental, como alagamentos, enchentes, aumento de ondas de calor, ilhas de calor urbanas." Ela cita que estudos mostram que áreas com vegetação são cruciais para redução da problemática ambiental, "pois áreas sem arborização apresentaram temperaturas maiores e decréscimo com relação ao teor de umidade relativa, com diferença média de 2,8 °C em relação a temperatura em áreas arborizadas".

"Diante disso, não podemos ignorar que estas áreas verdes são decisivas na manutenção de boas condições de vida da população", diz. Para Estéfane, a utilização da ferramenta com a qual realizou a pesquisa permite uma análise rápida, confiável e menos onerosa por meio de técnicas especializadas. "As informações sobre as áreas impermeáveis no Setor Bueno podem subsidiar o planejamento da forma e da ocupação do solo, de modo a minimizar impactos ambientais que possam vir a ocorrer", explica.

Permeabilidade próxima a córregos apenas não resolve

O conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), arquiteto e urbanista David Finotti, explica que manter área permeável apenas na proximidade de córregos não vai impedir o surgimento de áreas alagáveis ao longo da cidade. Conforme mostra o estudo "Um geoprocessamento para análise da impermeabilidade urbana", que verificou a permeabilidade do Setor Bueno, a maior área em que é possível absorção de água é no Parque Vaca Brava e ao longo do leito do córrego de mesmo nome.

No entanto, Finotti explica que, desta maneira, o volume de água que chega até essa área é muito grande diante de uma forte chuva, dificultando a absorção, além de provocar problemas durante o trajeto. Ele ressalta que o ideal é que a água que cai dentro de um lote deveria ser absorvida ali e é essa a ideia de promover um índice paisagístico no Plano Diretor.

Ele ressalta, porém, que não há estudos sobre qual seria o índice ideal, sobretudo para uma escala maior, como bairros ou cidades. "Isso depende da topografia, do tipo de solo. E é um problema quando adotam um índice básico para todo o município, quando próximo aos córregos deveria ser um índice maior", diz. Sobre o Setor Bueno, ele entende que não é possível indicar se 12% é um valor de permeabilidade bom ou ruim, mas sabe-se que o bairro possui problemas durante as chuvas.
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"A maior parte da área permeável envolve o Vaca Brava. A água vai toda para lá. A taxa de permeabilidade reduz muito dentro dos lotes", diz. Ele ressalta que a Prefeitura deveria fiscalizar, após a liberação da obra, se o índice é cumprido, já que boa parte dos moradores acabam modificando a construção. A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh), mas não recebeu respostas.

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Córrego Vaca Brava recebe obra para conter processo erosivo em Goiânia

Dono de clube instalado no local afirma que área tem alagamentos recorrentes. Prefeitura não revela valor do serviço

Modificado em 19/09/2024, 01:25

Córrego Vaca Brava recebe obra para conter processo erosivo em Goiânia

GABRIELLA BRAGA

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) realiza obras para contenção de erosão no Córrego Vaca Brava, entre as avenidas T-9 e T-7, no Setor Bueno, na região Central de Goiânia. A intervenção teve início na última semana, no trecho localizado atrás da Igreja Videira, na T-7, com a colocação de pedras às margens do curso d'água. Agora, segue rumo à T-9, no perímetro localizado dentro do Clube Oásis. A expectativa é que dure mais 30 dias.

Conforme a pasta, o trabalho, que teve início no último dia 16, é para recuperação da erosão causada às margens do manancial, especialmente pelo forte fluxo de água durante as chuvas, "para evitar a degradação do córrego". O serviço, chamado de enrocamento de pedras, consiste na colocação do material ao longo do curso d'água, que nasce no Parque Vaca Brava e desce até desaguar no Córrego Cascavel, no Setor Sol Nascente, a cerca de 3,5 quilômetros (km) de distância.

A intervenção, no entanto, será apenas no trecho entre as avenidas T-7 e T-9, de aproximadamente 1,2 km. Ao menos inicialmente. A assessoria da Seinfra aponta que teve vistoria no Cascavel e, portanto, deve haver obras "em breve" no local, também para recuperação de erosão. O POPULAR esteve na região onde a colocação de pedras está sendo feita, e constatou que em parte dos pontos já havia muros de gabião. A estrutura é utilizada para contenção das encostas de pedregulhos.

Na altura do Clube Oásis, a exemplo, um desses muros ameaçava desmoronar. No local, três tratores da Prefeitura estavam estacionados na tarde desta terça-feira (21). A reportagem não localizou funcionários no momento da visita. O presidente da entidade, Ramires Monteiro, explica que os servidores têm ido frequentemente. Conforme ele, a obra será responsável por conter a água, que descia rapidamente e chegava a inundar o espaço. "Não é obra específica do clube, é em todo o trecho. A água desce tudo aqui e vai parar na T-7", explica.

Monteiro pontua ainda que, na forte chuva ocorrida no final da tarde desta terça-feira (21), a água invadiu a área do clube e inundou as quadras de beach tennis (tênis de praia), em um espaço alugado por uma escola do esporte, ao lado da T-9. "(A enxurrada) arrebentou o portão e inundou tudo. Vou ter de colocar meus funcionários para ajudar lá, e contratar outros também. Se não fosse a obra, seria pior", comenta.

O homem explica ainda que, nos 60 anos de funcionamento do espaço, as gestões têm cobrado uma atuação da Prefeitura para solucionar o problema. O atendimento à demanda, conta, foi um envolvimento do clube e de várias empresas e moradores que convivem com os transtornos causados após as chuvas. Conforme ele, um condomínio logo abaixo da área, o Residencial Jardim Dei Fiori, também estava sofrendo com as inundações. "A água descia tão forte que fez um poço fundo ali", conta, ao apontar para um ponto logo atrás do residencial.

Neste ponto específico, foram colocadas rochas grandes para barrar o escoamento rápido da água. Para ele, o objetivo é evitar que a água caia fortemente no local onde havia um buraco. "Com a obra não vai dar problema", relata. A ideia após ser finalizada a intervenção é fazer o plantio de cerca de 300 mudas. "Vamos ganhar de empresários e da Prefeitura. E o que não der, vamos comprar", diz.

A reportagem questionou à Seinfra o custo que está sendo gasto com as obras, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria. A pasta diz apenas que é um trabalho "rotineiro". O presidente do Clube Oásis disse, em vídeo publicado nas redes sociais, que, caso a obra fosse feita pela entidade, seria custaria cerca de R$ 1 milhão.

À reportagem, mencionou que não há recurso em caixa para a intervenção. Em outro momento, também pontuou que, mesmo que houvesse, não seria possível fazer interferência no local por ser uma área pública. Vale destacar que cursos d'água, mesmo que em propriedades privadas, são públicos.

Cimentado

O curso d'água onde estão sendo feitas obras é tomado por construções civis que, inclusive, impedem o livre trânsito dos transeuntes ao córrego. O manancial corta o clube ao meio. No local, para facilitar a travessia e interligar as áreas, foram feitas duas pontes sobre o leito.

No trecho da Igreja Videira, a reportagem só conseguiu acesso por meio de um lote vazio, onde os caminhões da Prefeitura faziam a retirada da terra e a colocação das pedras. A reporagem entrou em contato com a instituição religiosa para saber como foram as tratativas junto ao Paço, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Em nota, a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) municipal diz que "se manifestou favorável à realização de obra emergencial para correção do gabião do córrego Vaca Brava, entre as Avenidas T-7 e T-9, após inclusive relatório de vistoria da Defesa Civil". Relata ainda que "foi necessária a retirada de vegetação para as obras, porém se tratando de área particular, a recomposição da vegetação será de responsabilidade do empreendimento."

"A obra se faz necessária, tendo em vista a presença de erosão às margens do Córrego Vaca Brava que está avançando para dentro do terreno; trincas, rachaduras ou afundamentos de solo/piso, pois podem ser sinais de instabilidade do terreno e abalo de estrutura", finaliza a nota da Amma.

Conforme o geógrafo e ambientalista Márcio Manoel Ferreira, o ideal seria uma mata ciliar de, no mínimo, 30 metros ao longo do curso d'água. "Aí não precisava fazer canalização, que é colocar concreto no fundo do leito do rio e nas margens. Tinham que ser naturais. Quando se coloca concreto, faz o solo ser impermeável. O ideal é ser permeável, a água penetra e vai para o lençol freático. Ao passo que se colocar concreto, os rios transbordam, pois a água não infiltra", explica.

Geral

Polícia investiga morte de enfermeira que fez lipoaspiração em Goiânia

Polícia afirma que a vítima teve complicações no início do procedimento. Mulher foi internada em um hospital de Aparecida de Goiânia.

Modificado em 19/09/2024, 00:33

Médica Lorena Duarte Rosique, suspeita de causar queimadura e necrose em paciente após cirurgia plástica em Goiânia, Goiás

Médica Lorena Duarte Rosique, suspeita de causar queimadura e necrose em paciente após cirurgia plástica em Goiânia, Goiás (Reprodução/Lorena Rosique)

Uma enfermeira morreu após ter complicações durante um procedimento estético com uma médica que chegou a ser proibida de atuar. O delegado João Paulo Gomes conta que a mulher ficou internada em um hospital de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, e morreu nesta quarta-feira (5).

O advogado da médica Lorena Duarte Rosique, Eduardo Costa, afirma que a morte da paciente ocorreu devido uma intercorrência na anestesia. Além disso, informa que a profissional e a vítima eram amigas e que manteve contato com a família e acompanhou a paciente quando ela esteve internada.

O delegado João Paulo Gomes afirma que está investigando o caso. "A mulher foi fazer uma cirurgia plástica e teve complicações no início do procedimento", diz. Segundo o investigador, a enfermeira recebeu alta e voltou para casa, onde passou mal e foi internada no Hospital Santa Mônica.

Cirurgiã é temporariamente proibida de atuar após paciente denunciar queimaduras e pele necrosada ao fazer plástica.

A defesa da médica detalha que a paciente realizou uma lipo nas costas e que, apesar das complicações, disse que queria fazer mais procedimentos. "Foi feita toda a verificação da paciente no pré-operatório e, durante a cirurgia, o anestesista disse que havia uma intercorrência na anestesia e pediu para parar", relata.

De acordo com o advogado, a partir desse momento, o anestesista assumiu o procedimento e ficou responsável pela paciente. O nome do profissional não foi informado e, por isso, o g1 não localizou a defesa dele para um posicionamento até a última atualização desta matéria.

"O procedimento foi interrompido pelo anestesista e não chegou a ser finalizado. Daí em diante, a paciente teve alta, foi embora para casa e parecia estar bem. No acompanhamento pós-cirúrgico, indicaram que ela procurasse um hospital devido ela estar sentindo falta de ar", alega o advogado.

Médica proibida de atuar
A médica Lorena Duarte Rosique ficou impedida de exercer a profissão após interdição do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). Duas mulheres já denunciaram a profissional por terem queimaduras, pele necrosada e cicatrizes no corpo depois de procedimentos estéticos.