Debaixo da marquise da Pizzaria do Alemão, nos arredores do coreto de Pirenópolis, um café frio e um saquinho de pão de queijo dão sinais de que o dono dos cobertores espalhados pelo chão tinha acabado de sair, na manhã desta terça-feira (23). Cerca de uma hora depois, após uma volta atenta na cidade, de longe, o cabelo e a barba comprida, no estilo “maluco beleza”, como descreve uma amiga, se vê Raffael Marengão, de 47 anos. Nas costas do casaco, a frase, escrita com tinta vermelha, de próprio punho: Madmax do Cerrado. Autodenominado protetor da natureza e dos seres humanos que vivem ou passam por Pirenópolis, o homem em situação de rua foi, há cerca de um mês, “despejado” de uma esquina acima da Igreja Nosso Senhor do Bonfim. “Vou para onde? Para Marte?”, disse em vídeo que viralizou no Instagram. Raffael foi notificado pela prefeitura para deixar o local, mas segue por outros cantos da cidade, com fobia de paredes e vontade de pedir usucapião pelas ruas pirenopolinas.