“Cuiabá”, sussurrou o desembargador Gilberto Marques Filho à esposa em um orelhão, na capital do Mato Grosso, aproveitando um momento de descuido do sequestrador. Era o único refém ainda em poder dos fugitivos da rebelião no Centro de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), após a polícia metralhar os outros carros usados na fuga e resgatar os demais. Horas depois, Gilberto seria deixado no aeroporto da cidade. Sete dias antes, em 28 de março de 1996, ele havia sido feito refém junto a outras autoridades e mantido em uma cela da penitenciária durante negociações entre detentos e o governo de Goiás. Marques ainda não era desembargador, atuava como juiz e diretor do Fórum da Comarca de Goiânia. Junto com o então presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Homero Sabino, ele pensou em levar uma comitiva ao Cepaigo para tentar fazer um mutirão que resolvesse as denúncias de que ainda havia presos com penas vencidas na detenção.