Geral

Testemunha do caso Fábio Escobar foi morta com 5 cinco tiros, 1 deles na cabeça

Pedreiro de 31 anos foi um dos donos do celular usado na emboscada contra o empresário e morreu em uma abordagem da PM

Modificado em 12/03/2025, 07:53

Arma que, segundo a PM, foi usada por Lucas Costa em abordagem

Arma que, segundo a PM, foi usada por Lucas Costa em abordagem (Divulgação)

Testemunha de defesa no processo judicial que trata do assassinato do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante, o pedreiro Lucas Costa Lopes Moreira, de 31 anos, foi morto com cinco tiros em uma abordagem policial, sendo dois na região entre o peito e o pescoço, de cima para baixo, um em cada braço e mais um que atingiu uma orelha, da direita para a esquerda, se alojando no crânio. O laudo cadavérico consta no inquérito entregue à Justiça pela corregedoria da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO). A ação policial se deu na zona rural de Niquelândia, perto da BR-414, no dia 28 de agosto de 2024, cerca de três meses antes do seu interrogatório sobre o caso Fábio Escobar.

O inquérito mostra que seis policiais militares participaram da ocorrência contra Lucas, mas informa que os disparos partiram das armas de apenas dois: o segundo sargento André Luiz Rios Amaral, que deu três tiros de uma pistola Beretta calibre 9 mm, e o terceiro sargento Danilo Rodrigues Simão, que deu dois de uma carabina calibre 5.56 mm. Já com Lucas, segundo o documento, teria sido encontrado um revólver Rossi calibre .32 com três cápsulas deflagradas. Em outubro, quando O POPULAR deu com exclusividade a informação sobre a morte do pedreiro, sua família contestou a versão policial e afirmou que ele estava indo de carona para Niquelândia visitar alguns parentes.

Lucas era uma peça importante no caso Fábio Escobar por ter sido um dos donos do celular usado para atrair o empresário, então com 38 anos, para a emboscada em que foi morto, no dia 23 de junho de 2021, em Anápolis. A forma como o aparelho saiu da mão de Lucas, passou pela de um traficante e da namorada deste até cair na dos policiais militares acusados pelo assassinato de Fábio é motivo de embate entre o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e a defesa dos réus acusados de participação na morte do empresário e na de outras sete pessoas - estas para, segundo o MP-GO, acobertar o crime contra Fábio.

O laudo cadavérico identificou cinco ferimentos por tiros no corpo de Lucas: um no braço direito, um no braço esquerdo que, de tão forte, não foi possível identificar o local da entrada do projétil, um na região da clavícula, um no lado esquerdo inferior do peito e um quinto disparo na cabeça, na altura do ouvido direito. O documento aponta que os tiros que atingiram a região do peito tiveram uma inclinação no sentido superior/inferior, enquanto o disparo que acertou a vítima na cabeça foi no sentido direita/esquerda. Na conclusão do inquérito, a corregedoria afirma que não seria possível especificar a quantidade de tiros e nem aprofundar sobre o laudo.

Versão dos policiais

Os seis policiais militares envolvidos na abordagem afirmam que integravam na ocasião duas equipes com três integrantes cada do Batalhão Rural da PM-GO e faziam patrulha na região atrás de uma dupla envolvida em uma troca de tiros com outros policiais do mesmo batalhão na noite anterior. Na versão dos policiais, Lucas foi encontrado na mata sozinho e armado, tendo reagido à aproximação com disparos, o que motivou os policiais a atirarem de volta. Ainda na versão dos policiais, mesmo com o tiro na cabeça e os dois no peito, a vítima estava viva e foi levada por eles a um hospital municipal de Niquelândia, onde então morreu.

Os depoimentos dos investigados à corregedoria são idênticos, com as mesmas respostas dispostas na mesma sequência. Em todos, eles afirmam que seguiram o que determina o procedimento operacional padrão (POP) da corporação e que não saberiam informar qual a distância que estavam da vítima. Também argumentam que no local não havia sinal para o celular e, por isso, não foi possível acionar o socorro médico. No inquérito, não é informado se Lucas seria a pessoa envolvida na troca de tiros no dia anterior. Nem o laudo pericial na arma que seria da vítima e nem o registro da entrada dele no hospital foram anexados ao processo.

Interrogatórios

Lucas seria interrogado pela Justiça a pedido da defesa dos policiais militares que respondem pela morte de Fábio. O celular teria sido dado pelo pedreiro a um traficante em 28 de maio de 2021 em troca de drogas, e o traficante afirma que um dos policiais acusados pela execução do empresário pegou o aparelho dias depois, durante uma abordagem quando ele estava junto com a namorada em um quarto de hotel em Anápolis. A namorada, Bruna Vitória Rabelo Tavares, foi morta grávida em frente a uma distribuidora em agosto de 2021. Na sequência, no mesmo ano, outras seis pessoas ligadas ao casal foram mortas em abordagens policiais.

As investigações apontaram que Fábio foi executado a mando do ex-auxiliar do governo de Goiás Carlos César Savastano de Toledo, o Cacai, com quem passou a ter desavenças após as eleições estaduais em 2018. Segundo a denúncia, Cacai teve a ajuda do assessor parlamentar Jorge Caiado para encontrar quem topasse matar o empresário. O executor do crime teria sido o terceiro sargento Welton da Silva Vieiga, que se matou em janeiro de 2023, com a ajuda dos cabos Glauko Olívio de Oliveira e Thiago Marcelino Machado e do terceiro sargento Erick Pereira da Silva.

Todas as testemunhas e acusados já foram interrogados pela Justiça e agora os juízes do caso aguardam o resultado de uma nova perícia no celular do empresário para decidir se os acusados vão ou não para o júri.

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Famosos

Novo depoimento sobre a morte de MC Kevin causa revolta nos pais do cantor

Uma nova testemunha, o cantor português Fernando Dimmy Jr., disse ter ouvido pedidos de socorro de Kevin quando estava pendurado no parapeito do hotel

Modificado em 21/09/2024, 00:35

Mc Kevin

Mc Kevin (Reprodução Instagram/ @mckevin)

Os pais de MC Kevin, que caiu do quinto andar da sacada de um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, ficaram revoltados ao serem informados sobre as novas revelações sobre a morte do filho, que ocorreu em maio deste ano.

Segundo informações divulgadas em uma reportagem do Domingo Espetacular (Record), uma nova testemunha, o cantor português Fernando Dimmy Jr., ouviu pedidos de socorro de Kevin quando estava pendurado no parapeito do hotel. Dimmy afirmou que um amigo do artista estava no local, ouviu os pedidos de socorro e não ajudou ele.

"Meu filho foi uma vítima. Ele era o único de coração puro. O resto tudo falso, mentirosos, mas Deus tudo vê e a Justiça vai ser feita", disse Valquíria Nascimento, a mãe do cantor. "Perdi meu filho por muitas pessoas malditas. Tá todo mundo mentindo, isso sim. Desgraçados, agora eu vou atrás de cada. Ninguém vai ter paz. Ninguém, malditos".

Para o pai do cantor, Agnaldo Bueno, o filho não teria pulado se não tivesse sido incentivado. "Que a justiça seja feita", disse.

A nova testemunha estava em um hotel ao lado do local onde MC Kevin estava hospedado com amigos e com a mulher, a advogada Deolane Bezerra. Dimmy afirma ter assistido toda a cena da tragédia e acredita que o cantor foi incentivado a tentar fugir do quarto onde estava com uma garota de programa.

RELEMBRE O CASO

O funkeiro Kevin Nascimento Bueno, 23, conhecido como MC Kevin, morreu após cair do 5º andar de um hotel na orla da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, no dia 16 de maio.

O Corpo de Bombeiros informou que recebeu uma ocorrência por volta das 18h15. De acordo com a corporação do quartel da Barra da Tijuca, o cantor foi levado para o hospital Miguel Couto, na Gávea, zona sul da cidade, em "situação vermelha, ou seja, grave", mas não resistiu aos ferimentos, morrendo pouco tempo depois de dar entrada no pronto-socorro.

Um laudo concluído pelo IML (Instituto Médico Legal) apontou o uso de droga sintética MD e cafeína. O laudo pericial sobre a morte de MC Kevin concluiu que a queda "teve como causa aparente um acidente".

Segundo o laudo, ao qual o F5 teve acesso, o músico apresentava três fraturas na região da face --osso nasal, maxilar e mandibular--, e em outras dez costelas, sendo nos "sétimos primeiros arcos costais anteriores a esquerda e três primeiros posteriores à esquerda".

Ainda de acordo com o laudo do IML, MC Kevin apresentava também hemorragia subaracnóidea difusa (no espaço entre o cérebro e a membrana que o reveste) e hemorragia subdural em região occipital (entre o encéfalo e o crânio).

CARREIRA

Conhecido por sucessos como "Cavalo de Troia", "Favelado Vencedor" e "O Menino Encantou a Quebrada", Kevin contava com 8,6 milhões de seguidores no instagram e 537 mil no YouTube. O artista já fez parcerias com outros artistas do gênero como MC Guimê e Igu.

Nascido na Vila Ede, bairro da zona norte de São Paulo, lançou o último álbum "Fênix", recentemente.

Pouco mais de um mês antes de morrer, MC Kevin lançou a faixa "Minha Última Música". A letra, que trata de alguém que trocou o crime pela música e que "vê o melhor da vida sempre andando pra frente" traz também momentos melancólicos. Em um trecho a canção fala sobre "parar", "dar um tempo" para repensar a vida.

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IcPolitica

Política

Empresa interrompe sistemas na Saúde por falta de pagamento

Suspensão das operações e de serviços se deve a débitos de cerca de R$ 5 milhões e ocorre em meio a tentativas de renegociação com a pasta

Modificado em 02/04/2025, 23:30

Presidente do Sindsaúde-GO, Néia Vieira: pacientes terão dificuldades

Presidente do Sindsaúde-GO, Néia Vieira: pacientes terão dificuldades (Reprodução / Redes Sociais)

A Celk Sistemas, empresa responsável pela operação do sistema de informação da rede pública de saúde na capital, comunicou à Prefeitura de Goiânia que iniciará a interrupção dos serviços prestados devido à inadimplência contratual. O ofício foi enviado nesta quarta-feira (2) ao prefeito Sandro Mabel (UB) detalhando os valores devidos e o cronograma de desligamento dos serviços.

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Segundo o documento, ao qual O POPULAR teve acesso, a Celk teria créditos, desde outubro de 2024, no valor de mais de R$ 5,9 milhões, sendo R$ 4,5 milhões referentes a contratos vigentes e R$ 1,4 milhão ao período pós-vigência, quando a empresa manteve a operação sem contraprestação financeira e sem cobertura contratual. A empresa alega que tentou negociar com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas não obteve garantias para a continuidade da prestação dos serviços.

"A Secretaria Municipal de Saúde manteve postura inflexível, limitando-se a repetir condições que, como já amplamente debatido, não oferecem à empresa a segurança e a previsibilidade mínimas para a continuidade da operação", afirma o documento da empresa.

Em resposta, em nota enviada ao POPULAR , a SMS aponta que renegociava há três meses com a empresa o pagamento de um passivo de aproximadamente R$ 5 milhões. "No entanto, os representantes da Celk exigiam que o montante fosse pago em apenas três parcelas, o que a secretaria não tem condições de atender", informa o texto.

Diante da manutenção do impasse, a Celk decidiu interromper os serviços de forma escalonada. O POPULAR obteve relatos de servidores que já na tarde desta quarta não conseguiam acessar o sistema. Segundo as informações deles, "não há como pedir exames, nem acessar ou evoluir prontuários, nem acesso aos dados de pacientes".

O cronograma de interrupção já previa a suspensão do suporte técnico e a redução da capacidade da infraestrutura em nuvem nesta quarta; para esta quinta-feira (3), a expectativa é que ocorra o desligamento dos módulos de atendimento ambulatorial e da Central de Regulação do Samu; na sexta (4), deve ser feito o desligamento dos demais módulos do sistema.

A empresa informou também que notificará o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e outros órgãos de controle sobre a situação. O objetivo é garantir transparência na decisão e evitar impactos ainda maiores no atendimento à população.

Reavaliação

A SMS informa que possui a licença de uso vitalício do software de gestão integrada Celk e que a empresa era contratada para o gerenciamento e hospedagem do banco de dados do sistema. A secretaria aponta ainda que realiza, desde o início da atual gestão, "ampla reavaliação dos contratos e convênios da pasta e a renegociação de dívidas deixadas pela gestão anterior, tendo em vista o atual estado de calamidade da saúde pública municipal".

A secretaria destaca no texto enviado que diversas áreas fizeram solicitações de otimização do uso das informações e adequações das funcionalidades do sistema de acordo com as necessidades da pasta, "mas não houve entregas efetivas da Celk para solucionar as demandas apresentadas". E complementa: "O Ministério Público de Goiás (MP-GO) recomendou ao município a não renovação do contrato com a empresa."

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde-GO), Néia Vieira afirma ao POPULAR que a classe se reuniu com o secretário de Saúde, Luiz Pellizzer, no último dia 25 de março e ele teria informado que o sistema seria suspenso por falta de pagamento.

"A falta desse sistema pode prejudicar o atendimento de forma geral em Goiânia. Ele é responsável pela dispensação de medicamentos, controle de estoques, solicitação de exames, encaminhamentos para outras unidades. É o cérebro da secretaria em relação aos fluxos e atendimentos. Haverá inclusive uma dificuldade dos pacientes de agendamento de consultas e exames", diz Néia.

Em nota, a Celk informa ao POPULAR que enviou à SMS mais de 15 ofícios sobre o assunto, além de realizar diversas reuniões com a gestão anterior e agora na administração de Mabel propondo parcelamento das dívidas e redução dos valores para um novo contrato.

"Até o momento a Prefeitura não formalizou um novo contrato, não regularizou os pagamentos pendentes e tampouco apresentou uma previsão concreta de quando pretende resolver a questão", afirma a empresa.

Contingência

A SMS informou que recebeu, na última segunda-feira (31), ofício da empresa solicitando reunião com o MP-GO para definição dos termos da transferência do banco de dados da Celk para banco de dados externo, mas que a empresa interrompeu o serviço de hospedagem de dados antes. "A SMS ressalta que já iniciou o plano de contingência e a transferência do banco de dados para nova hospedagem."

Também procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Administração (Semad) informou que as compras e licitações da pasta "são compradas e geridas pela Saúde". "A Semad não foi acionada sobre esse assunto, porque está atrelada à Saúde", disse o titular da pasta, Celso Dellalibera.

IcCidade

Cidades

Mecânico que matou mulher era quieto e muito controlador

Inquérito concluído pela Polícia Civil mostra que professora sofria com relação tóxica, marcada por crises de ciúme excessivo e controle sobre sua rotina e finanças pessoais

Modificado em 02/04/2025, 22:52

Danielle Dias de Paula foi morta dentro do quarto pelo marido, que se matou em seguida, no dia 1º de março

Danielle Dias de Paula foi morta dentro do quarto pelo marido, que se matou em seguida, no dia 1º de março (Reprodução/CEPI Michelle Prado)

O inquérito que apurou o assassinato da professora Danielle Dias de Paula, de 46 anos, pelo marido, o mecânico Lindomar Dias dos Santos, de 48, mostra o investigado como um homem bastante ciumento e controlador, que se comunicava muito pouco, não gostava de falar sobre a mulher e sobre o ambiente familiar e que recentemente já havia manifestado a pessoas próximas ter cogitado se matar por causa de "pensamentos estranhos". Porém, ao menos para amigos e familiares ouvidos pela Polícia Civil, Lindomar nunca demonstrou agressividade.

Danielle foi morta com três tiros, um no peito, outro na nuca e outro na cabeça, todos disparados pelo mecânico, que se matou em seguida com um tiro na cabeça. Isso aconteceu na tarde do dia 1º de março, um sábado, em Aparecida de Goiânia. A arma -- um revólver calibre 44 -- fazia parte de uma coleção que ele usava para caçar com amigos. Apesar de o crime ter pegado familiares e amigos de surpresa, alguns deles relataram que nos últimos dias a professora vinha sofrendo maior pressão por parte do marido após manifestar mais intensamente a vontade de se separar.

As investigações da Polícia Civil apontam que, apesar de Danielle também se manter bastante reservada quando o assunto era família, casamento e a vida doméstica, no último mês antes do crime ela chegou a comentar sobre a possibilidade de se divorciar e, com alegria, sobre a expectativa de uma vida melhor. A conversa sobre o fim do casamento ganhou força dois dias antes e, aparentemente, também ficou maior a reação negativa do mecânico, apesar de ele ter mantido a aparência de normalidade para familiares e amigos.

Crises

A vida de Danielle se resumia ao trabalho na escola e aos afazeres domésticos. Ela atuava como diretora do Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Michelle do Prado Rodrigues, localizado no Jardim das Hortênsias, em Aparecida de Goiânia. Amigos e colegas dizem que ela não tinha uma vida social nem atividades que a tirassem desta rotina. Mesmo assim, pessoas ouvidas pela Polícia Civil relataram casos de ciúmes excessivo por parte de Lindomar, mas nenhum de agressão física. Ele é descrito como alguém que ofendia e insinuava, mas nunca falava diretamente o que sentia.

Em uma das situações de ciúmes narradas, Danielle precisou sair da escola para ir a uma reunião com representantes da rede estadual de ensino e do governo de Goiás e o marido ordenou que ela deixasse ligado no celular o serviço de localização em tempo real, para saber se ela estava mesmo indo para a reunião e se voltaria depois direto para a casa. Em outra ocasião, ele mandou um vídeo de uma cena de sexo entre um casal dizendo se tratar dela com outra pessoa e perguntou onde ela estava. Quem viu a imagem afirmou que nem sequer a mulher do vídeo era parecida com a professora.

Outra história compartilhada com a Polícia Civil sobre o ciúme de Lindomar e a forma controladora como agia com a mulher envolve a parte financeira. Ele precisou se afastar da profissão de mecânico por causa de um problema na coluna e passou a viver de bicos. Ganhava um salário mínimo como vigia sem registro e fazia serviços esporádicos na escola de Danielle. A partir daí, passou a acusar a mulher de não saber administrar as finanças, insinuando que ela gastava parte do dinheiro com traições. Ele só se acalmou quando passou a ter controle sobre os rendimentos dela.

Enquanto a professora queria "fazer as coisas dela", "viver a vida dela", usando as palavras de um familiar à polícia, Lindomar tinha ciúmes de todo mundo, "até de mulher", conforme comentou uma amiga. Danielle nunca foi vista com ferimentos, mas já havia chegado à escola chorando, falando que era por causa de "briga de casal", mas não se abria para as amigas mais do que isso. Muitas vezes, ela preferia trabalhar em casa alegando que tinha mais condições de se concentrar nas tarefas, mas as amigas disseram à polícia saber que era por causa de alguma crise familiar.

Piora

Pelo que o inquérito sugere, a crise entre o casal piorou a partir do dia 27 de fevereiro, uma quinta-feira, quando Danielle chegou a comentar com uma amiga que iria começar a procurar uma nova casa para morar, sem o marido. Pessoas próximas à vítima contam que ela sabia que estava em uma relação tóxica, que Lindomar não permitia que a visitassem na residência do casal, mas que a postura dela sempre foi a de deixar de fazer as coisas que queria para evitar discussões com o marido. Nem sempre funcionava. Na quinta, ela falou que estava "perto de ter minha liberdade".

Apesar de demonstrar alegria com as novas perspectivas de vida, no dia seguinte ela não foi trabalhar e colegas suspeitam que isso tenha tido relação com a reação de Lindomar. Quando tentaram falar com a professora, descobriram que o celular dela estava com o marido. Pelo celular de uma filha, Danielle chegou a pedir que uma amiga parasse de ligar. Nesse período que antecedeu o crime, a professora chegou a postar algo em seu perfil no Instagram, mas de novo o marido mandou apagar. Outra amiga disse que perguntou como ela estava e que a resposta foi um pedido de oração.

Danielle e Lindomar estavam casados havia 23 anos e tinham duas filhas. Mesmo assim, dificilmente eram vistos juntos. No caso das amigas da professora, ele não permitia as visitas em casa e não havia vida social. As conversas eram basicamente durante o trabalho ou por aplicativo. Já os amigos do mecânico relatam que também conversavam basicamente pelo celular e durante as caçadas que ele costumava participar no interior de Goiás. Lindomar tinha registro para atividades de colecionador, atirador e caçador (CAC) e integrava um grupo de caça. A última viagem foi em outubro.

Além do revólver calibre 44 usado no crime, Lindomar também tinha dois rifles e uma espingarda. Um amigo dele afirmou que nas conversas durante as caçadas, o mecânico demonstrava revolta ao ver um CAC cometendo algum crime, inclusive os passionais. Ele não usava drogas nem fazia ingestão de bebida alcoólica. Só fumava. Mas todos o relataram como extremamente sistemático e controlador. Não era de demonstrar afetos, muitas vezes parecendo grosseiro. Quem o viu no sábado, dizia estar tranquilo, igual a todos os dias. "Foi uma surpresa enorme", disse um amigo.

Não há registro de nenhuma violência física ou mesmo agressões no sábado em que ocorreu o crime. Uma amiga de Danielle contou que o mecânico teria tentado relações sexuais, mas não conseguiu. Outra pessoa disse que Lindomar chegou a comentar sobre a separação horas antes de matar a mulher, mas demonstrando que aceitaria a decisão da vítima, informando que iria vender a casa e dividir os valores com ela, inclusive.

As pessoas sabiam que Lindomar tomava medicamento controlado e que isso tinha relação com sua saúde mental. Um amigo contou que em outubro o mecânico chegou a comentar que pensava em suicídio e tinha "pensamentos estranhos", sem se aprofundar. Dias antes do crime, ele comentou com outro colega que estava com alguns problemas que necessitavam tratamento psicológico, porém também não entrou em detalhes.

Danielle chegou a revelar em fevereiro, durante conversas rápidas com amigas na escola, a intenção de fazer um mestrado e de dar entrada no pedido de progressão salarial, além de morar em uma casa que estivesse em algum condomínio. "No último mês, ela estava outra pessoa", afirmou uma depoente. "Ia ser livre."

No momento do crime, o casal estava no quarto e as duas filhas no outro. Elas só ouviram os tiros. Não teria havido nenhuma discussão, ao menos a ponto de ser ouvida por terceiros. Naquele dia, a família almoçou normalmente e o mecânico chegou a sair com as filhas para pegar óculos. Na delegacia, elas relataram um dia normal na rotina familiar até o momento dos disparos. Lindomar não falou nada entre a morte da mulher e a dele, apenas gritou para que as filhas não entrassem no quarto. Também não deixou nenhuma mensagem explicando a atitude. O intervalo entre as mortes foi de menos de um minuto.

Uma pessoa contou na Polícia Civil que durante o velório ouviu de parentes do casal que o mecânico era, sim, muito agressivo e chegou a ameaçar de morte a mulher caso o divórcio fosse concretizado. Entretanto, ninguém confirmou na delegacia ter ouvido de Lindomar ameaças nem relatos de Danielle a respeito disso.

O delegado Lívio Magno Alves, do Grupo Especial de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, encaminhou o inquérito à Justiça na segunda-feira (31). Lívio concluiu que o mecânico decidiu matar a mulher por descontentamento com a decisão dela em se separar, "o que gerava raiva no autor". Não foi feito nenhum pedido no processo.

O assassinato de Danielle causou grande comoção na rede estadual de ensino, com manifestações de autoridades e do governador Ronaldo Caiado (UB), que chegou a visitar o colégio cinco dias depois. Na ocasião, ele comentou que o feminicídio é uma das principais "chagas" a ser combatidas em Goiás.

IcEsporte

Esporte

Atlético-GO deve mudar gol e zaga para iniciar Série B

Time titular foi testado em jogos-treino, o último disputado contra o Goianésia

Modificado em 02/04/2025, 22:01

Atacante Caio Dantas (C) marcou dois gols no jogo-treino do Atlético-GO contra o Goianésia

Atacante Caio Dantas (C) marcou dois gols no jogo-treino do Atlético-GO contra o Goianésia (Fábio Lima / O Popular)

Há menos de um mês no Atlético-GO, o técnico Cláudio Tencati dá sinais de que a formação que começará a Série B do Campeonato Brasileiro, na próxima segunda-feira (7), diante do Athletic-MG, terá algumas mudanças. O treinador não confirmou o time-base, mas os indícios são de que o goleiro Vladimir e o zagueiro Matheus Felipe sejam as principais novidades na abertura da competição.

Outra modificação é no sistema tático. A equipe rubro-negra continua com o tripé de meias, mas sem o chamado volante pé de ferro, por enquanto. Na goleada por 3 a 0 sobre o Goianésia, na tarde desta quarta-feira (2), no CT do Dragão, duas formações foram testadas.

No dia do aniversário do Atlético-GO -- o clube completou 88 anos nesta quarta-feira (2) -, a data foi de treinamento e ajuste para o grupo de jogadores.

Cláudio Tencati voltou a testar o goleiro Vladimir, de 35 anos e que atuou por último no Guarani. O jogador foi novamente o titular na primeira parte do jogo-treino com o Goianésia, enquanto o zagueiro Matheus Felipe, de 27 anos, atuou no lugar de Alix Vinícius, dono da posição desde a temporada 2023, quando chegou para disputar a Série B e foi um dos destaques na campanha do acesso.

Matheus Felipe está no Dragão emprestado pelo Athletico-PR. Tanto ele quanto Vladimir, se forem confirmados para segunda-feira (7), serão novidades e estreantes diante da equipe de São João Del Rey-MG.

O sistema defensivo do Atlético-GO não teve bons números no Goianão. Nos 15 jogos disputados -- o clube chegou à semifinal e foi eliminado pelo Anápolis, o vice-campeão do Estadual -, o Dragão sofreu 20 gols.

O goleiro Anderson, que chegou ao clube com status de substituto de Ronaldo, emprestado ao Bahia, não mostrou segurança, sofreu um gol antes da linha do meio de campo do atacante Emerson Urso, na derrota (3 a 1) no clássico contra o Vila Nova, e algumas vezes deu alguns sustos e errou jogadas de saída de bola com os pés.

Vladimir mostra ser um goleiro mais básico, apesar de também jogar com os pês.

Matheus Felipe não é um zagueiro técnico, ao contrário de Alix Vínícius, que gosta de dominar a bola e sair da defesa ao meio de campo como se fosse um armador e foi criticado pelos excessos e por perder jogadas para os atacantes adversários.

No meio-campo, Cláudio Tencati vem testando o setor com Rhaldney (primeira volante), Kauan (médio) e Shaylon (mantido como o 10). Na outra formação, aparecem Willian Maranhão, Luizao e Léo Naldi, trio que tem o perfil de jogadores de marcação. O volante uruguaio Francisco Barrios e o meia atacante Robert buscam, nos treinos, entrar na lista de opções do treinador. Isso retrata o nível de disputa por espaço no elenco atleticano.

No ataque, há a repetição do trio de atacantes usado em parte dos jogos no Goianão e na Copa do Brasil. O setor conta com a força física e de arranque de William Pottker aberto pela direita, o oportunista Caio Dantas centralizado e Marcelinho aberto pelo lado esquerdo.

Caio Dantas fez dois sobre o Goianésia - um de cabeça e outro no chute forte após arrancada de Pottker. O time titular começou com Vladimir; Rai Ramos, Matheus Felipe, Pedro Henrique, Guilherme Romão; Rhaldney, Kauan, Shaylon; William Pottker, Caio Dantas, Marcelinho.

"Fizemos um bom jogo-treino para entender as ideias do (Cláudio) Tencati. Acho que conseguimos aproveitar bem esta intertemporada e assimilar as ideias do (Cláudio) Tencati", frisou Caio Dantas, que tem como concorrentes os atacantes Sandro Lima e Rai, autor do terceiro gol, pela segunda formação testada pelo técnico atleticano.

O treinador chegou no dia 13 de março e teve só uma sessão de treino antes da semifinal contra o Anápolis, em que o Dragão foi batido e eliminado com derrota de 3 a 2 - o time vencia por 2 a 1 no primeiro tempo, mas os erros defensivos foram decisivos para a virada do adversário, além de os atacantes Caio Dantas e William Pottker terem sido substituídos com lesões.

Nos 20 dias de trabalho, Tencati tem cobrado nova postura tática, de time com a marcação alta e toque de bola com rapidez. Ao mesmo tempo, o treinador muda o elenco. O uruguaio Alejo Cruz deve ser sair por empréstimo - o destino pode ser o Athletico-PR - e o zagueiro João Maistro é outro que será emprestado.