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Goiás é 5º em incidência de chicungunha

Estado confirma primeira morte pela doença, que pode se tornar crônica e sobrecarregar sistema de saúde. Região Sudoeste concentra casos da doença

Modificado em 17/09/2024, 16:07

Goiás é 5º em incidência de chicungunha

(Redação)

Goiás é o quinto estado do País com a maior incidência de casos prováveis de chicungunha (32,2 por 100 mil habitantes) e vizinho das duas unidades da federação com maior incidência da doença: Minas Gerais (180,8) e Mato Grosso (57,1). Nesta semana, o estado registrou a primeira morte pela doença. A vítima, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), é uma idosa com comorbidades, moradora de Serranópolis, no Sudoeste do Estado, que é a região mais afetada pela doença no estado.

Considerando as oito primeiras semanas epidemiológicas do ano, Goiás registra a maior quantidade de casos de chicungunha para o período dos últimos cinco anos (veja quadro). Levando em conta os registros notificados, o número já é 323,8% maior que no mesmo período de 2023.

O aumento acompanha o crescimento dos diagnósticos de dengue em Goiás. Já são 75,6 mil notificados, número 176% superior ao mesmo período do ano passado, e 31 mortes confirmadas. As doenças são transmitidas pelo mesmo vetor: o Aedes aegypti. A principal forma de prevenção é a eliminação dos focos de proliferação do mosquito, o que depende de ações da população e do poder público. Ao contrário da dengue, não existe vacina contra a chicungunha.

O município de Jataí concentra a maior parte dos casos de chicungunha em Goiás. Para se ter ideia, são 1,8 mil casos notificados na cidade, o que representa 73,7% dos casos do tipo no estado. A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, já havia destacado que a região Sudoeste sofre com a doença devido a proximidade com o Mato Grosso do Sul, que enfrenta um aumento de casos da chicungunha. Atualmente, o estado vizinho é o quarto com a maior incidência da doença, com 38,5 casos por 100 mil habitantes.

De acordo com o mais recente boletim epidemiológico de Jataí, em 2023 foram três casos notificados de chicungunha até o dia 23 de fevereiro. Neste ano, já são 1,8 mil. A maioria é de pessoas adultas e mulheres. A diretora de Vigilância Epidemiológica de Jataí, Araceli Farias, explica que o município tem desempenhado uma ação de manejo ambiental que teve início em 19 de fevereiro e vai até 8 de março. Ela é composta por iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde e das demais pastas do município, além de contar com a participação de entidades de classe e da população. "Visa quebrar a cadeia de transmissão das arboviroses no município", pontua.

A infectologista do Hospital Estadual de Jataí (HEJ), Regyane Ferreira Guimarães Dias, elucida que a unidade atende pacientes de 28 municípios da região. Por se tratar de uma unidade de urgência, os casos costumam chegar ao hospital já na fase aguda. Entretanto, ela aponta que a doença apresenta uma gravidade menor que a dengue. "Não é comum vermos óbitos por chicungunha", salienta. As pessoas com mais chance de desenvolver casos graves são aquelas com fatores de risco, como idosos e portadores de comorbidades.

Cronificação

O infectologista do Hospital Estadual de Doenças Tropicais (HDT), Boaventura Braz, esclarece que a chicungunha e a dengue têm sintomas semelhantes, como febre, dor no corpo, mal- estar, náusea e até vômitos. A diferença costuma ser o fato de que a chicungunha pode apresentar artralgia, ou seja, dor nas articulações. "Elas podem chegar ao extremo de deixar a pessoa totalmente inativa, sem conseguir levantar da cama", frisa Braz.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, em cerca de 50% dos casos a artralgia se torna crônica. Essas dores podem acompanhar pacientes por até seis meses. "O tempo de evolução vai depender de cada individuo", destaca o infectologista. Não existe um tratamento específico para esse quadro de saúde. De modo geral, são usados medicamentos como anti-inflamatórios e corticoides, dependendo do estado de saúde de cada paciente. Por conta do longo tempo de sintomas, os casos de chicungunha podem sobrecarregar o sistema de saúde a longo prazo. "Possivelmente, esses pacientes vão demandar um acompanhamento com ortopedista e/ou infectologista", enfatiza Braz.

A diretora técnica da Atenção à Saúde de Jataí, Myrian Carolina Queiroz Oliveira, explica que os moradores de Jataí que tiveram chicungunha e apresentaram alguma cronificação são, inicialmente, acompanhados por um médico da Estratégia de Saúde da Família (ESF) que passou por uma capacitação específica para o manejo da doença. "As nossas Unidades de Saúde da Família (USF) também contam com fisioterapeutas", diz.

Os casos que já estão sendo tratados há mais de três meses pela ESF e não apresentam melhoras são encaminhados para o Centro de Reabilitação e Readaptação de Jataí. "Eles contam com um fisiatra (médico com especialização no ramo físico e da reabilitação), reumatologista e fisioterapeuta. Lá passam por um acompanhamento mais intensivo", finaliza Myrian.

(Redação)

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Goiás tem maior número de mortes por dengue dos últimos 12 anos

Em todo Estado, foram notificados 111 óbitos confirmados pela doença e 132 estão sob investigação da Secretaria Estadual de Saúde

Modificado em 20/09/2024, 03:49

Larvas do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus

Larvas do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus (Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Goiás bateu recorde em número de mortes por dengue em 2022. Sobretudo na capital, que já registrou 30 óbitos pela doença e outros 36 suspeitos. Em todo território goiano, já se somam 111 mortes provocadas pela dengue e 131 sob investigação da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO). Este é o maior numero de mortes pela doença dos últimos 12 anos, de acordo com dados da SES-GO.

Os casos gerais da doença no Estado também chamam atenção. Em 2022, a pasta já confirmou em Goiás 144.859 casos de dengue e notificou 239.474. O aumento é de 310,13% em comparação com o ano de 2021, quando o Estado teve 39.167 casos confirmados e 58.390 notificados. Este é o maior número de acometidos pela doença dos últimos 7 anos.

Entre os municípios com mais casos notificados, estão Goiânia (51.412); Anápolis (24.147); Aparecida de Goiânia (21.400); e Rio Verde (9.727). Já em relação à incidência da doença, ou seja, casos para cada 100 mil habitantes, Ouvidor, Goianápolis, Rio Quente e Jaraguá estão na linha de alto risco, conforme análise da Saúde.

Doença sazonal

Como a doença é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, que se prolifera em água parada, as semanas do ano com maior pico de casos ocorrem durante os primeiros meses do ano. Nas palavras da superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, "a doença é sazonal".

Para se ter um quadro mais claro do que isso significa, março foi o mês do pico de contaminações. Também o mês que teve maior volume de chuvas do ano em Goiás. Em sua quarta semana, haviam 13.960 casos da doença. Ainda na 18ª semana, em meados de maio, as notificações ainda eram altas, chegando a 12.343 casos. Atualmente, há aproximadamente 1.000 acometidos por semana no Estado. Um número bem abaixo, mas ainda preocupante.

Para alívio da Saúde estadual, a dengue, segundo Flúvia, é uma doença que, na maioria dos casos, não necessita de hospitalização. "Esse ano foi atípico. Tivemos um aumento de casos de dengue, Covid-19, zika, chikungunya e H1N1. No caso da dengue, as pessoas procuram atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (Upas) e Unidades Básicas de Saúde (UBs), mas não necessitam de internação. Então ela movimenta muito os hospitais, mas não sobrecarrega", afirma.

Ela lembra que a melhor forma de prevenção da doença, ainda, é evitar a proliferação do mosquito. "Evitar que o mosquito nasça, eliminar os criadouros. Essa é a ação principal e a melhor forma de prevenção e o monitoramento deve ser semanal. Com isso a gente diminui os casos", reforça.

Vacina

"Para dengue existe uma vacina que foi autorizada pela Anvisa. Por que não está sendo utilizada pelo Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde? Porque ela tem complicadores. A vacina não tem eficácia alta para os quatro sorotipos. Ela tem eficacia boa para uns, mas para outros nem tanto", explica Flúvia.

"E ela só pode ser aplicada em quem já teve a doença. A dengue é complicada. O sistema imunológico não traz proteção, Para alguns sorotipos, ela traz a potencialização. Por exemplo, se tive o tipo 1, ao ser adquirir o tipo 2, tenho mais chances de desenvolver a forma grave. Então, se a pessoa ainda não teve dengue, a vacina pode potencializar alguns sorotipos", informa.

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Chikungunya: saiba quais são os sintomas e como tratar

Casos em todo o Brasil crescem e Goiás registra primeira morte

Modificado em 20/09/2024, 00:50

Larvas de mosquito Aedes Aegypti, transmissor da chikungunya

Larvas de mosquito Aedes Aegypti, transmissor da chikungunya (Wildes Barbosa)

A chikungunya é uma doença viral, considerada pelos especialistas como uma arbovirose, por ser transmitida por um inseto. Embora seja difundido pelo Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, febre amarela e da zika, o vírus causador da chikungunya não pertence à mesma família que eles, como explica o médico infectologista Marcelo Daher.

Ao contrário da dengue, em que se pode contaminar mais de uma vez, a chikungunya não funciona da mesma maneira. "É um vírus único. Então, normalmente, as pessoas pegam a doença uma única vez. Não pegam mais de uma vez, porque produzem imunidade", informa o especialista.

Ele conta que a chikungunya chegou às Américas pelo Caribe, onde começou sua disseminação. "Ela encontrou um campo fértil, pois uniu o vírus ao mosquito transmissor, que existe no local. Você tem o mosquito transmissor e quando o vírus entra, o ciclo se fecha. Nós esperávamos uma pandemia, um surto muito maior do que vimos no passado por ter um campo propício para o desenvolvimento da doença", diz o médico.

Apenas neste primeiro semestre de 2022, já foram registrados 3.041 casos da doença no Estado. A primeira morte do ano foi notificada nesta sexta-feira (8), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO). Em comparação com o número de casos de chikungunya em 2021, a variação é de quase 300%.

Daher acredita que a explosão de casos coincidiu com o aumento das chuvas. "Esse excesso de água colabora com a formação de reservatórios de criadouros para o mosquito e, com isso, a expansão dessas doenças", afirma.

Sintomas e mortalidade

Apesar de similares, os profissionais da saúde conseguem distinguir os casos pelos sintomas. "Elas começam muito parecidas. Iniciam com febre, mal-estar, muita dor no corpo. Mas existem formas de a gente diferenciar. Na zika, as manchas (exantema) no corpo aparecem muito no início. E é uma doença menos debilitante, mais branda. Na chikungunya, as manchas aparecem após dois dias e a dor articular é muito intensa. O próprio nome da doença significa 'se curvar'. A dor articular faz com que a pessoa se curve. Na dengue, as manchas aparecem pelo quinto dia e as dores são mais ósseas e também na cabeça", explica o médico.

Mas ele reforça que os exames laboratoriais são os que realmente ajudam a confirmar o diagnóstico. O tratamento da doença, segundo o médico, são remédios para aliviar os sintomas. "Não há antiviral específico", afirma Daher.

Ele ainda explica que a mortalidade da chikungunya é menor que da dengue e da zika. "Ela tem é muita morbidade. Ou seja, causa muitos problemas posteriores. Ela incapacita mais, demora mais a melhorar. No entanto, a letalidade é menor", esclarece.

Contudo, Daher ressalta que apesar da baixa mortalidade, ainda é possível complicações pela doença, como o caso da mulher de 27 anos, que veio a óbito, em Aparecida de Goiânia, após ser contaminada.

Ele alerta que "a hora de procurar um médico é sempre". "Houve uma suspeita dessas doenças, é importante ter acompanhamento médico, porque elas podem evoluir de maneira insatisfatória", diz.

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Morre ex-vereador de Ceres João Bosco da Madeireira

Amigos descreveram João Bosco como uma pessoa alegre e querida

Ex-vereador de Ceres João Bosco da Silva (Reprodução/Redes Sociais)

Ex-vereador de Ceres João Bosco da Silva (Reprodução/Redes Sociais)

Morreu o ex-vereador João Bosco da Silva, que atuou em Ceres, no centro goiano, segundo divulgação feita nesta sexta-feira (28), nas redes sociais da Câmara Municipal da cidade. A Prefeitura de Ceres também lamentou a morte e desejou força e conforto para a família do homem que era conhecido como João Bosco da Madeireira.

A Prefeitura e a Câmara não divulgaram a causa da morte do ex-vereador. Em nota, a Câmara Municipal de Ceres escreveu:

A Câmara Municipal de Ceres manifesta profundo pesar pelo falecimento do ex-vereador João Bosco da Silva, conhecido como João Bosco da Madeireira. Sua dedicação e contribuição para o município jamais serão esquecidas. Nossos sentimentos aos familiares e amigos neste momento de dor", lamentou na postagem.

Várias pessoas lamentaram a perda do ex-vereador, descrevendo-o como uma pessoa alegre e amigável.

Uma pessoa alegre e agradabilíssima. Sentiremos saudades, nossos sentimentos!".

Meus sentimentos a todos os familiares e amigos. Que tristeza! Ele era muito amigo da gente, só Deus mesmo sabe."

Nota de luto da Prefeitura de Ceres (Reprodução/Redes Sociais)

Nota de luto da Prefeitura de Ceres (Reprodução/Redes Sociais)

A prefeitura da cidade lamentou a morte de João Bosco e se solidarizou pela família. "A Prefeitura de Ceres, em nome do prefeito Edmario e do vice-prefeito Marcão, manifesta profundo pesar pelo falecimento de João Bosco da Silva. Neste momento de tristeza, solidarizamo-nos com os familiares e amigos, desejando força e conforto para superar esta perda irreparável", lamentou.

Informações sobre velório e enterro não foram divulgadas até a última atualização desta reportagem.

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UniAraguaia lança programa Caminhada Virtual pela Cultura do Cerrado

Em parceria com o Instituto Altair Sales, o centro universitário busca promover a diversidade cultural, histórica e ambiental do Cerrado

(Geisa Peixoto)

(Geisa Peixoto)

A UniAraguaia e o Instituto Altair Sales (IAS) formalizaram uma parceria para promover e preservar a diversidade cultural, histórica e ambiental do Cerrado. Como resultado dessa colaboração, foi lançado o programa audiovisual "Caminhada Virtual pela Cultura do Cerrado", que integra o projeto de extensão Sala Verde.

O programa tem como objetivo ampliar a consciência socioambiental por meio de conteúdos que unem ciência, tradição e identidade regional, fortalecendo o vínculo da comunidade acadêmica e externa com as riquezas culturais e naturais do Cerrado.

"Na UniAraguaia, acreditamos que educar é também cultivar vínculos com o território, com a cultura e com o meio ambiente. O projeto Sala Verde e o programa 'Caminhada Virtual pela Cultura do Cerrado' oferecem aos nossos estudantes a oportunidade de aprender com os saberes da terra, com as memórias de um povo e com a urgência da preservação. Assim cumprimos a missão de formar sujeitos críticos, sensíveis e comprometidos com um mundo sustentável", afirma a Pró-Reitora da UniAraguaia, profa. dra. Tatiana Carilly".

A cerimônia de lançamento contou com a presença de pesquisadores, professores, estudantes e representantes de entidades culturais e ambientais. A mesa de cerimônia foi composta por: professor mestre Arnaldo Cardoso Freire, reitor da UniAraguaia; professora doutora Tatiana Carilly de Oliveira, Pró-reitora Pedagógica da UniAraguaia; professor doutor Altair Sales, presidente do IAS; Thaís Guimarães de Castro, subdelegada do Conselho Regional de Biologia da 4ª Região; doutor Jales Mendonça, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; doutor Nilson Jaime, presidente do Instituto Cultural Bernardo Élis; professora Meirinalva Maria, diretora executiva do Instituto Altair Sales; escritora Elizabeth Caldeira, presidente da Academia Feminina de Letras de Goiás; apresentador do programa "Frutos da Terra", Hamilton Carneiro; professora Heloísa Bufaiçal Brandão; e professor Álvaro Catelan.

Também prestigiaram o evento o jornalista e escritor Helverton Baiano, o escritor Pedro Ivo e o influenciador digital Jacques Vanier.

Sala Verde: um espaço imersivo do Cerrado

Cada episódio do programa "Caminhada Virtual pela Cultura do Cerrado", além de ser exibido no canal do YouTube "Intervalo de Aula" da UniAraguaia, também poderá ser apreciado na Sala Verde, um ambiente completamente remodelado em parceria com o Instituto Altair Sales. Concebido para oferecer aos estudantes e à comunidade externa uma experiência imersiva única, o espaço explora sons, elementos visuais, sensações táteis e sabores típicos do Cerrado, proporcionando uma conexão profunda com o bioma e sua cultura.

Confira fotos do evento: