Geral

Professor com licença prolongada em 2023 na rede municipal de Goiânia não terá aula extra

Secretaria veta concessão de acréscimo de carga horária a quem se licenciou por mais de 45 dias contínuos sob alegação de redução de gastos

Modificado em 17/09/2024, 15:42

Sede da SME

Sede da SME (Divulgação)

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia decidiu por meio de ofício não conceder acréscimo de carga horária no ano letivo que se inicia na rede municipal a professores que tiveram faltas ou afastamentos contínuos igual ou superior a 45 dias em 2023. A medida é uma forma de coibir servidores que conseguem o aumento das aulas e entram com licenças prolongadas ao longo do ano, levando a pasta a contratar professores temporários. Como o acréscimo não pode ser retirado de quem consegue o benefício no começo do ano letivo, a SME acaba tendo gastos em dobro.

Por outro lado, a decisão causou a revolta de professores que se articulam em grupos de aplicativos para organizar protestos e tentar reuniões com a secretaria. Alguns afirmam já terem procurado advogado para, caso necessário, acionar a Justiça. Nos bastidores, a SME tem sugerido haver um problema grave de profissionais que entram em licença sem estarem realmente necessitando do afastamento.

O acréscimo, chamado internamente de "dobra", permite o professor aumentar em até 100% o número de aulas dadas, visto que o contrato de 30 horas pode chegar a até 60 horas, de acordo com a legislação. Em alguns casos, docentes após conseguirem o aumento de aulas entram na Justiça e conseguem o direito de ser considerado hora extra, o que eleva o rendimento. Já a SME, com a concessão, reduz o déficit nas escolas.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego) afirma que acompanha o cumprimento do ofício e que analisa caso a caso para que não haja injustiças, considerando que há professores que se licenciaram por mais de 45 dias em 2023 por motivos de doença. O Sindicato Municipal dos Servidores de Educação de Goiânia (Simsed) também tem se mobilizado, junto aos grupos de aplicativos.

A chefe de gabinete da SME, Débora Quixabeira, informa que no ano passado foi concedido o acréscimo de horas a 2.170 professores, sendo que dentro deste grupo ao longo de 2023 foram concedidas 4.280 licenças médicas. Débora afirma que houve casos em que se contratou substitutos para professores com acréscimo licenciados que também pegaram licença, obrigando a convocação de um segundo temporário. "Pagamos três vezes pelas aulas."

Débora garante, entretanto, que os professores podem procurar a pasta para que cada caso seja analisado e que, dependendo da situação, poderá haver exceções. Ela cita como exemplo algum professor que desenvolveu uma doença ao longo de 2023 e consiga provar que está apto ao trabalho para receber a dobra neste ano. São estes profissionais que o Sintego diz não querer ver prejudicados.

A chefe de gabinete diz que não procede a acusação feita por alguns professores prejudicados de que a medida é uma forma de aumentar o número de contratos temporários, pois a intenção seria justamente inversa. Sem professores com acréscimo licenciados reduz o número de substitutos. Para 2024 a SME já conta com 1.913 docentes com direito à dobra, sendo que todos se enquadram no novo requisito, ou seja não tiveram licenças superiores a 45 dias contínuos.

A definição pelo número de dias como limite levou em conta um levantamento feito internamente pela pasta com o total de licenças concedidas. Débora diz que é uma decisão da pasta, mas ressalta que o acréscimo é uma concessão, "de acordo com a necessidade da rede", e não um direito. "Essa situação (de acúmulo de licenças entre os que tiveram dobras) um número cada vez maior de contratos (temporários). Então o que eles estão alegando, na verdade é o contrário."

A SME diz que busca reduzir gastos que não sejam essenciais para concentrar recursos em investimentos. No caso dos professores, incluindo os com acréscimos, licenciados, a pasta afirma que houve um aumento significativo de um ano para outro. "Como o número de afastamentos ficou muito grande, a gente entendeu que não dava para continuar pagando o acréscimo para quem não está (em sala de aula)", afirmou a chefe de gabinete.

O Simsed afirma que esteve reunido com representante do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) na semana passada e que foram apresentadas diversas demandas, entre elas, a questão do veto ao acréscimo para quem teve mais de 45 dias de licença. Na mesma reunião, segundo o sindicato, já foi adiantado que neste caso não há o que o órgão possa fazer e que foi sugerido a quem se sentiu prejudicado que entre com processos individuais.

A presidente do Sintego, deputada estadual Bia de Lima (PT), afirmou que após a audiência com a SME o sindicato segue acompanhando a evolução da situação e que cada caso será analisado individualmente para que se evite injustiças.

Em nota, a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo) é uma "clara ilegalidade", fere o direito à dignidade da pessoa humana e atinge inclusive professores que adoeceram durante o exercício da docência na rede municipal, seja por saúde mental ou acidente de trabalho.

Geral

Sintego espera adesão de 80% na greve da educação em Goiânia

Servidores administrativos iniciam paralisação nesta terça-feira (27). Pais receberam comunicados avisando da suspensão de aulas em Cmeis e escolas

Modificado em 17/09/2024, 16:21

Comunicado recebido por pais de alunos do Cmei Oriente Ville: cobrança é por aprovação de plano de carreira

Comunicado recebido por pais de alunos do Cmei Oriente Ville: cobrança é por aprovação de plano de carreira (Wildes Barbosa)

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) espera adesão de cerca de 80% dos servidores administrativo à greve que se inicia nesta terça-feira (27), em Goiânia. O objetivo deles é conseguir um plano de carreira para a categoria.

A informação foi repassada pela presidente do Sintego, Bia de Lima, ao jornal nesta segunda-feira (26). Mães estão preocupadas com os comunicados que têm recebido de que os filhos não terão aulas.

A greve, conforme Bia de Lima, foi definida em assembleia da categoria. O motivo, diz ela, é que a Prefeitura de Goiânia não tem se movimentado no sentido de apresentar uma proposta e que o prazo para alterações salariais se avizinha.

Neste ano, a partir de 5 de abril, os gestores públicos têm restrição de alterar a remuneração de servidores por causa da legislação eleitoral.

Karina Almeida Pereira é mãe de dois meninos, um de 8 anos e outro de 3. O mais novo está matriculado a 3 km de onde moram. "Eu vou à pé ou de bicicleta", relata ela.

Os dois devem ter o ensino paralisado. Karina, que trabalha como manicure, afirma que a diretora do Centro Municipal de Educação (Cmei) chegou em falar na possibilidade de haver aula no período vespertino para o garoto de 3 anos, mas a mãe diz não ter condições de fazer o trajeto no meio do dia. "O prejuízo pra mim é enorme sem trabalhar", reclama.

Em 2023, os servidores administrativos já haviam realizado uma greve com duração de 43 dias. Bia de Lima lembra que houve reuniões para tratar do assunto, mas que não houve progresso. "Em janeiro nós tivemos audiência só que nada de novo foi apresentado", diz.

Reunião

A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME) divulgou nota na qual afirma estar agendada uma reunião para "tratar sobre a finalização do Plano de Carreira dos Administrativos da Educação."

A presidente do Sintego reconhece a reunião, mas afirma que a categoria estava preocupada com o prazo no qual é possível o poder público editar mudanças em carreiras. Ela disse ainda que há um plano na Secretaria Municipal de Administração, mas que não há ciência de andamento do texto.

Na nota, a SME também afirmou que não é possível, ainda, mensurar a quantidade de servidores que vão aderir ao movimento, bem como prever as unidades de ensino que serão impactadas pela mobilização. (Colaborou Gabriella Braga)

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Empresa interrompe sistemas na Saúde por falta de pagamento

Suspensão das operações e de serviços se deve a débitos de cerca de R$ 5 milhões e ocorre em meio a tentativas de renegociação com a pasta

Modificado em 02/04/2025, 23:30

Presidente do Sindsaúde-GO, Néia Vieira: pacientes terão dificuldades

Presidente do Sindsaúde-GO, Néia Vieira: pacientes terão dificuldades (Reprodução / Redes Sociais)

A Celk Sistemas, empresa responsável pela operação do sistema de informação da rede pública de saúde na capital, comunicou à Prefeitura de Goiânia que iniciará a interrupção dos serviços prestados devido à inadimplência contratual. O ofício foi enviado nesta quarta-feira (2) ao prefeito Sandro Mabel (UB) detalhando os valores devidos e o cronograma de desligamento dos serviços.

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Segundo o documento, ao qual O POPULAR teve acesso, a Celk teria créditos, desde outubro de 2024, no valor de mais de R$ 5,9 milhões, sendo R$ 4,5 milhões referentes a contratos vigentes e R$ 1,4 milhão ao período pós-vigência, quando a empresa manteve a operação sem contraprestação financeira e sem cobertura contratual. A empresa alega que tentou negociar com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas não obteve garantias para a continuidade da prestação dos serviços.

"A Secretaria Municipal de Saúde manteve postura inflexível, limitando-se a repetir condições que, como já amplamente debatido, não oferecem à empresa a segurança e a previsibilidade mínimas para a continuidade da operação", afirma o documento da empresa.

Em resposta, em nota enviada ao POPULAR , a SMS aponta que renegociava há três meses com a empresa o pagamento de um passivo de aproximadamente R$ 5 milhões. "No entanto, os representantes da Celk exigiam que o montante fosse pago em apenas três parcelas, o que a secretaria não tem condições de atender", informa o texto.

Diante da manutenção do impasse, a Celk decidiu interromper os serviços de forma escalonada. O POPULAR obteve relatos de servidores que já na tarde desta quarta não conseguiam acessar o sistema. Segundo as informações deles, "não há como pedir exames, nem acessar ou evoluir prontuários, nem acesso aos dados de pacientes".

O cronograma de interrupção já previa a suspensão do suporte técnico e a redução da capacidade da infraestrutura em nuvem nesta quarta; para esta quinta-feira (3), a expectativa é que ocorra o desligamento dos módulos de atendimento ambulatorial e da Central de Regulação do Samu; na sexta (4), deve ser feito o desligamento dos demais módulos do sistema.

A empresa informou também que notificará o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e outros órgãos de controle sobre a situação. O objetivo é garantir transparência na decisão e evitar impactos ainda maiores no atendimento à população.

Reavaliação

A SMS informa que possui a licença de uso vitalício do software de gestão integrada Celk e que a empresa era contratada para o gerenciamento e hospedagem do banco de dados do sistema. A secretaria aponta ainda que realiza, desde o início da atual gestão, "ampla reavaliação dos contratos e convênios da pasta e a renegociação de dívidas deixadas pela gestão anterior, tendo em vista o atual estado de calamidade da saúde pública municipal".

A secretaria destaca no texto enviado que diversas áreas fizeram solicitações de otimização do uso das informações e adequações das funcionalidades do sistema de acordo com as necessidades da pasta, "mas não houve entregas efetivas da Celk para solucionar as demandas apresentadas". E complementa: "O Ministério Público de Goiás (MP-GO) recomendou ao município a não renovação do contrato com a empresa."

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde-GO), Néia Vieira afirma ao POPULAR que a classe se reuniu com o secretário de Saúde, Luiz Pellizzer, no último dia 25 de março e ele teria informado que o sistema seria suspenso por falta de pagamento.

"A falta desse sistema pode prejudicar o atendimento de forma geral em Goiânia. Ele é responsável pela dispensação de medicamentos, controle de estoques, solicitação de exames, encaminhamentos para outras unidades. É o cérebro da secretaria em relação aos fluxos e atendimentos. Haverá inclusive uma dificuldade dos pacientes de agendamento de consultas e exames", diz Néia.

Em nota, a Celk informa ao POPULAR que enviou à SMS mais de 15 ofícios sobre o assunto, além de realizar diversas reuniões com a gestão anterior e agora na administração de Mabel propondo parcelamento das dívidas e redução dos valores para um novo contrato.

"Até o momento a Prefeitura não formalizou um novo contrato, não regularizou os pagamentos pendentes e tampouco apresentou uma previsão concreta de quando pretende resolver a questão", afirma a empresa.

Contingência

A SMS informou que recebeu, na última segunda-feira (31), ofício da empresa solicitando reunião com o MP-GO para definição dos termos da transferência do banco de dados da Celk para banco de dados externo, mas que a empresa interrompeu o serviço de hospedagem de dados antes. "A SMS ressalta que já iniciou o plano de contingência e a transferência do banco de dados para nova hospedagem."

Também procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Administração (Semad) informou que as compras e licitações da pasta "são compradas e geridas pela Saúde". "A Semad não foi acionada sobre esse assunto, porque está atrelada à Saúde", disse o titular da pasta, Celso Dellalibera.

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Cidades

Mecânico que matou mulher era quieto e muito controlador

Inquérito concluído pela Polícia Civil mostra que professora sofria com relação tóxica, marcada por crises de ciúme excessivo e controle sobre sua rotina e finanças pessoais

Modificado em 02/04/2025, 22:52

Danielle Dias de Paula foi morta dentro do quarto pelo marido, que se matou em seguida, no dia 1º de março

Danielle Dias de Paula foi morta dentro do quarto pelo marido, que se matou em seguida, no dia 1º de março (Reprodução/CEPI Michelle Prado)

O inquérito que apurou o assassinato da professora Danielle Dias de Paula, de 46 anos, pelo marido, o mecânico Lindomar Dias dos Santos, de 48, mostra o investigado como um homem bastante ciumento e controlador, que se comunicava muito pouco, não gostava de falar sobre a mulher e sobre o ambiente familiar e que recentemente já havia manifestado a pessoas próximas ter cogitado se matar por causa de "pensamentos estranhos". Porém, ao menos para amigos e familiares ouvidos pela Polícia Civil, Lindomar nunca demonstrou agressividade.

Danielle foi morta com três tiros, um no peito, outro na nuca e outro na cabeça, todos disparados pelo mecânico, que se matou em seguida com um tiro na cabeça. Isso aconteceu na tarde do dia 1º de março, um sábado, em Aparecida de Goiânia. A arma -- um revólver calibre 44 -- fazia parte de uma coleção que ele usava para caçar com amigos. Apesar de o crime ter pegado familiares e amigos de surpresa, alguns deles relataram que nos últimos dias a professora vinha sofrendo maior pressão por parte do marido após manifestar mais intensamente a vontade de se separar.

As investigações da Polícia Civil apontam que, apesar de Danielle também se manter bastante reservada quando o assunto era família, casamento e a vida doméstica, no último mês antes do crime ela chegou a comentar sobre a possibilidade de se divorciar e, com alegria, sobre a expectativa de uma vida melhor. A conversa sobre o fim do casamento ganhou força dois dias antes e, aparentemente, também ficou maior a reação negativa do mecânico, apesar de ele ter mantido a aparência de normalidade para familiares e amigos.

Crises

A vida de Danielle se resumia ao trabalho na escola e aos afazeres domésticos. Ela atuava como diretora do Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Michelle do Prado Rodrigues, localizado no Jardim das Hortênsias, em Aparecida de Goiânia. Amigos e colegas dizem que ela não tinha uma vida social nem atividades que a tirassem desta rotina. Mesmo assim, pessoas ouvidas pela Polícia Civil relataram casos de ciúmes excessivo por parte de Lindomar, mas nenhum de agressão física. Ele é descrito como alguém que ofendia e insinuava, mas nunca falava diretamente o que sentia.

Em uma das situações de ciúmes narradas, Danielle precisou sair da escola para ir a uma reunião com representantes da rede estadual de ensino e do governo de Goiás e o marido ordenou que ela deixasse ligado no celular o serviço de localização em tempo real, para saber se ela estava mesmo indo para a reunião e se voltaria depois direto para a casa. Em outra ocasião, ele mandou um vídeo de uma cena de sexo entre um casal dizendo se tratar dela com outra pessoa e perguntou onde ela estava. Quem viu a imagem afirmou que nem sequer a mulher do vídeo era parecida com a professora.

Outra história compartilhada com a Polícia Civil sobre o ciúme de Lindomar e a forma controladora como agia com a mulher envolve a parte financeira. Ele precisou se afastar da profissão de mecânico por causa de um problema na coluna e passou a viver de bicos. Ganhava um salário mínimo como vigia sem registro e fazia serviços esporádicos na escola de Danielle. A partir daí, passou a acusar a mulher de não saber administrar as finanças, insinuando que ela gastava parte do dinheiro com traições. Ele só se acalmou quando passou a ter controle sobre os rendimentos dela.

Enquanto a professora queria "fazer as coisas dela", "viver a vida dela", usando as palavras de um familiar à polícia, Lindomar tinha ciúmes de todo mundo, "até de mulher", conforme comentou uma amiga. Danielle nunca foi vista com ferimentos, mas já havia chegado à escola chorando, falando que era por causa de "briga de casal", mas não se abria para as amigas mais do que isso. Muitas vezes, ela preferia trabalhar em casa alegando que tinha mais condições de se concentrar nas tarefas, mas as amigas disseram à polícia saber que era por causa de alguma crise familiar.

Piora

Pelo que o inquérito sugere, a crise entre o casal piorou a partir do dia 27 de fevereiro, uma quinta-feira, quando Danielle chegou a comentar com uma amiga que iria começar a procurar uma nova casa para morar, sem o marido. Pessoas próximas à vítima contam que ela sabia que estava em uma relação tóxica, que Lindomar não permitia que a visitassem na residência do casal, mas que a postura dela sempre foi a de deixar de fazer as coisas que queria para evitar discussões com o marido. Nem sempre funcionava. Na quinta, ela falou que estava "perto de ter minha liberdade".

Apesar de demonstrar alegria com as novas perspectivas de vida, no dia seguinte ela não foi trabalhar e colegas suspeitam que isso tenha tido relação com a reação de Lindomar. Quando tentaram falar com a professora, descobriram que o celular dela estava com o marido. Pelo celular de uma filha, Danielle chegou a pedir que uma amiga parasse de ligar. Nesse período que antecedeu o crime, a professora chegou a postar algo em seu perfil no Instagram, mas de novo o marido mandou apagar. Outra amiga disse que perguntou como ela estava e que a resposta foi um pedido de oração.

Danielle e Lindomar estavam casados havia 23 anos e tinham duas filhas. Mesmo assim, dificilmente eram vistos juntos. No caso das amigas da professora, ele não permitia as visitas em casa e não havia vida social. As conversas eram basicamente durante o trabalho ou por aplicativo. Já os amigos do mecânico relatam que também conversavam basicamente pelo celular e durante as caçadas que ele costumava participar no interior de Goiás. Lindomar tinha registro para atividades de colecionador, atirador e caçador (CAC) e integrava um grupo de caça. A última viagem foi em outubro.

Além do revólver calibre 44 usado no crime, Lindomar também tinha dois rifles e uma espingarda. Um amigo dele afirmou que nas conversas durante as caçadas, o mecânico demonstrava revolta ao ver um CAC cometendo algum crime, inclusive os passionais. Ele não usava drogas nem fazia ingestão de bebida alcoólica. Só fumava. Mas todos o relataram como extremamente sistemático e controlador. Não era de demonstrar afetos, muitas vezes parecendo grosseiro. Quem o viu no sábado, dizia estar tranquilo, igual a todos os dias. "Foi uma surpresa enorme", disse um amigo.

Não há registro de nenhuma violência física ou mesmo agressões no sábado em que ocorreu o crime. Uma amiga de Danielle contou que o mecânico teria tentado relações sexuais, mas não conseguiu. Outra pessoa disse que Lindomar chegou a comentar sobre a separação horas antes de matar a mulher, mas demonstrando que aceitaria a decisão da vítima, informando que iria vender a casa e dividir os valores com ela, inclusive.

As pessoas sabiam que Lindomar tomava medicamento controlado e que isso tinha relação com sua saúde mental. Um amigo contou que em outubro o mecânico chegou a comentar que pensava em suicídio e tinha "pensamentos estranhos", sem se aprofundar. Dias antes do crime, ele comentou com outro colega que estava com alguns problemas que necessitavam tratamento psicológico, porém também não entrou em detalhes.

Danielle chegou a revelar em fevereiro, durante conversas rápidas com amigas na escola, a intenção de fazer um mestrado e de dar entrada no pedido de progressão salarial, além de morar em uma casa que estivesse em algum condomínio. "No último mês, ela estava outra pessoa", afirmou uma depoente. "Ia ser livre."

No momento do crime, o casal estava no quarto e as duas filhas no outro. Elas só ouviram os tiros. Não teria havido nenhuma discussão, ao menos a ponto de ser ouvida por terceiros. Naquele dia, a família almoçou normalmente e o mecânico chegou a sair com as filhas para pegar óculos. Na delegacia, elas relataram um dia normal na rotina familiar até o momento dos disparos. Lindomar não falou nada entre a morte da mulher e a dele, apenas gritou para que as filhas não entrassem no quarto. Também não deixou nenhuma mensagem explicando a atitude. O intervalo entre as mortes foi de menos de um minuto.

Uma pessoa contou na Polícia Civil que durante o velório ouviu de parentes do casal que o mecânico era, sim, muito agressivo e chegou a ameaçar de morte a mulher caso o divórcio fosse concretizado. Entretanto, ninguém confirmou na delegacia ter ouvido de Lindomar ameaças nem relatos de Danielle a respeito disso.

O delegado Lívio Magno Alves, do Grupo Especial de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, encaminhou o inquérito à Justiça na segunda-feira (31). Lívio concluiu que o mecânico decidiu matar a mulher por descontentamento com a decisão dela em se separar, "o que gerava raiva no autor". Não foi feito nenhum pedido no processo.

O assassinato de Danielle causou grande comoção na rede estadual de ensino, com manifestações de autoridades e do governador Ronaldo Caiado (UB), que chegou a visitar o colégio cinco dias depois. Na ocasião, ele comentou que o feminicídio é uma das principais "chagas" a ser combatidas em Goiás.

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Esporte

Atlético-GO deve mudar gol e zaga para iniciar Série B

Time titular foi testado em jogos-treino, o último disputado contra o Goianésia

Modificado em 02/04/2025, 22:01

Atacante Caio Dantas (C) marcou dois gols no jogo-treino do Atlético-GO contra o Goianésia

Atacante Caio Dantas (C) marcou dois gols no jogo-treino do Atlético-GO contra o Goianésia (Fábio Lima / O Popular)

Há menos de um mês no Atlético-GO, o técnico Cláudio Tencati dá sinais de que a formação que começará a Série B do Campeonato Brasileiro, na próxima segunda-feira (7), diante do Athletic-MG, terá algumas mudanças. O treinador não confirmou o time-base, mas os indícios são de que o goleiro Vladimir e o zagueiro Matheus Felipe sejam as principais novidades na abertura da competição.

Outra modificação é no sistema tático. A equipe rubro-negra continua com o tripé de meias, mas sem o chamado volante pé de ferro, por enquanto. Na goleada por 3 a 0 sobre o Goianésia, na tarde desta quarta-feira (2), no CT do Dragão, duas formações foram testadas.

No dia do aniversário do Atlético-GO -- o clube completou 88 anos nesta quarta-feira (2) -, a data foi de treinamento e ajuste para o grupo de jogadores.

Cláudio Tencati voltou a testar o goleiro Vladimir, de 35 anos e que atuou por último no Guarani. O jogador foi novamente o titular na primeira parte do jogo-treino com o Goianésia, enquanto o zagueiro Matheus Felipe, de 27 anos, atuou no lugar de Alix Vinícius, dono da posição desde a temporada 2023, quando chegou para disputar a Série B e foi um dos destaques na campanha do acesso.

Matheus Felipe está no Dragão emprestado pelo Athletico-PR. Tanto ele quanto Vladimir, se forem confirmados para segunda-feira (7), serão novidades e estreantes diante da equipe de São João Del Rey-MG.

O sistema defensivo do Atlético-GO não teve bons números no Goianão. Nos 15 jogos disputados -- o clube chegou à semifinal e foi eliminado pelo Anápolis, o vice-campeão do Estadual -, o Dragão sofreu 20 gols.

O goleiro Anderson, que chegou ao clube com status de substituto de Ronaldo, emprestado ao Bahia, não mostrou segurança, sofreu um gol antes da linha do meio de campo do atacante Emerson Urso, na derrota (3 a 1) no clássico contra o Vila Nova, e algumas vezes deu alguns sustos e errou jogadas de saída de bola com os pés.

Vladimir mostra ser um goleiro mais básico, apesar de também jogar com os pês.

Matheus Felipe não é um zagueiro técnico, ao contrário de Alix Vínícius, que gosta de dominar a bola e sair da defesa ao meio de campo como se fosse um armador e foi criticado pelos excessos e por perder jogadas para os atacantes adversários.

No meio-campo, Cláudio Tencati vem testando o setor com Rhaldney (primeira volante), Kauan (médio) e Shaylon (mantido como o 10). Na outra formação, aparecem Willian Maranhão, Luizao e Léo Naldi, trio que tem o perfil de jogadores de marcação. O volante uruguaio Francisco Barrios e o meia atacante Robert buscam, nos treinos, entrar na lista de opções do treinador. Isso retrata o nível de disputa por espaço no elenco atleticano.

No ataque, há a repetição do trio de atacantes usado em parte dos jogos no Goianão e na Copa do Brasil. O setor conta com a força física e de arranque de William Pottker aberto pela direita, o oportunista Caio Dantas centralizado e Marcelinho aberto pelo lado esquerdo.

Caio Dantas fez dois sobre o Goianésia - um de cabeça e outro no chute forte após arrancada de Pottker. O time titular começou com Vladimir; Rai Ramos, Matheus Felipe, Pedro Henrique, Guilherme Romão; Rhaldney, Kauan, Shaylon; William Pottker, Caio Dantas, Marcelinho.

"Fizemos um bom jogo-treino para entender as ideias do (Cláudio) Tencati. Acho que conseguimos aproveitar bem esta intertemporada e assimilar as ideias do (Cláudio) Tencati", frisou Caio Dantas, que tem como concorrentes os atacantes Sandro Lima e Rai, autor do terceiro gol, pela segunda formação testada pelo técnico atleticano.

O treinador chegou no dia 13 de março e teve só uma sessão de treino antes da semifinal contra o Anápolis, em que o Dragão foi batido e eliminado com derrota de 3 a 2 - o time vencia por 2 a 1 no primeiro tempo, mas os erros defensivos foram decisivos para a virada do adversário, além de os atacantes Caio Dantas e William Pottker terem sido substituídos com lesões.

Nos 20 dias de trabalho, Tencati tem cobrado nova postura tática, de time com a marcação alta e toque de bola com rapidez. Ao mesmo tempo, o treinador muda o elenco. O uruguaio Alejo Cruz deve ser sair por empréstimo - o destino pode ser o Athletico-PR - e o zagueiro João Maistro é outro que será emprestado.