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Prefeitura de Goiânia derruba imóveis abandonados e degradados

Proprietários de 22 edificações foram notificados desde o início deste ano para regularizarem a situação dos espaços. Até o momento, quatro já foram demolidos

Modificado em 17/09/2024, 15:58

Máquinas da Prefeitura de Goiânia destroem imóvel na Avenida 1ª Radial: moradores relatam que prédio abandonado servia como ponto para usuários de drogas e pessoas em situação de rua

Máquinas da Prefeitura de Goiânia destroem imóvel na Avenida 1ª Radial: moradores relatam que prédio abandonado servia como ponto para usuários de drogas e pessoas em situação de rua
 (Fábio Lima)

++GABRIELLA BRAGA++

No primeiro semestre deste ano, a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh) de Goiânia já fez a demolição de ao menos quatro imóveis particulares que se encontravam em situação de abandono, e cujos proprietários não fizeram a regularização no prazo estabelecido. Nesta sexta-feira (21), foi concluída a derrubada de uma edificação situada no Setor Pedro Ludovico. Moradores relatam que o prédio abandonado estava servindo como ponto para usuários de drogas e pessoas em situação de rua.

Conforme o jornal levantou no Diário Oficial do Município (DOM) , foram notificados 22 proprietários de imóveis abandonados ou em situação de degradação desde o início deste ano. No caso do imóvel de três lotes situado na Avenida 1ª Radial, nas proximidades do Mercado Municipal do Setor Pedro Ludovico, a notificação foi publicada no dia 25 de abril, junto com outros cinco prédios localizados nos setores Bueno, Floresta, Nova Suíça, Tancredo Neves e Vila Alvorada.

A pasta explica que os imóveis nesta condição são detectados pela fiscalização durante rondas, ou também através de denúncias de moradores. "Após diligência ao local e vistoria do imóvel, constatado o estado de degradação, abandono, insalubridade, iminente risco à saúde ou à segurança das pessoas e dos bens públicos ou privados, o proprietário é autuado e notificado a eliminar as condições que caracterizam o estado de abandono, ruína e/ou risco de ruína ou promover a demolição por seus próprios meios, no prazo de 20 dias", esclarece.

Ainda conforme a Seplanh, caso não haja manifestação do proprietário, ou caso não sejam sanados as condições de abandono do imóvel, "o mesmo poderá ser demolido pela Prefeitura". Em 2023, foram dez edificações nesta situação derrubadas pela administração municipal. A medida é tomada com base no Código de Obras e Edificações de Goiânia (Lei Complementar 364/2023) e no Código de Posturas do município (Lei Complementar 368/2023).

A primeira legislação municipal aponta a responsabilidade de manter as edificações em "condições de estabilidade, higiene, segurança e salubridade." E impõe penalidades caso não sejam seguidas as normas, como a demolição total ou parcial. Já a segunda enfatiza que "não será permitida a permanência de edificação ou de construção paralisada, em estado de abandono, que esteja em ruínas ou ameace ruir, ou que gere riscos à segurança da coletividade, ou à saúde pública."

Ainda conforme as notificações publicadas no DOM, caso o imóvel seja demolido pela Prefeitura, será cobrado do proprietário "os gastos para tal com acréscimo de 20% a título de despesas administrativas."

Abandono

O jornal apurou que a situação de abandono do imóvel no Setor Pedro Ludovico motivou denúncia junto à Seplanh, e, como o proprietário não se manifestou sobre a regularização do espaço, o Paço concluiu a demolição. A reportagem esteve no local na manhã desta sexta-feira (21) e observou o trabalho de quatro servidores da pasta que finalizavam a derrubada, com auxílio de uma retroescavadeira. Pela noite, todo o entulho já havia sido retirado e a área estava totalmente aberta.

Moradores e comerciantes relatam que o imóvel era utilizado para uso de drogas e como dormitório para pessoas em situação de rua. A cozinheira Silvone Bastos, de 44 anos, mora na vizinhança há seis meses. Ela conta que via muita fumaça saindo do local e ouvia barulho de "telha estourando". Ela acredita que a mesma era derivada de queima de roupas e de outros itens por parte dos ocupantes. E, como o lote está situado logo ao lado de um posto de combustíveis, pondera que havia risco de ocorrer um acidente grave.

Outros dois vizinhos apontam ainda que havia mato alto e lixo acumulado pelo lote, além de mau cheiro nos arredores, especialmente em uma viela ao lado, visto que as pessoas que permaneciam ali realizavam suas necessidades fisiológicas no local. Todos concordam que a demolição foi uma medida necessária para evitar a insegurança e transtornos vivenciados.

Os lotes que tiveram as edificações demolidas se encontravam sem uso pelo menos desde o início de 2022. Um deles, entretanto, situado na esquina, está abandonado desde ao menos 2018. A última imagem em que consta a utilização do espaço é do início de 2017, quando funcionava uma loja de materiais de construção. Já a edificação ao lado comportava uma loja de mecânica de veículos automotores até, ao menos, o final de 2021. O terceiro lote, entretanto, já estava demolido desde pelo menos 2017. Pelas últimas imagens encontradas pelo jornal na internet, de 2022, o ponto estava tomado por mato alto. A edificação contava com uma placa de venda a mostra, que mencionava o tamanho de dois dos três lotes: 420 metros quadrados (m²) e 541 m².

Geral

Demolição de Cavalhódromo custa R$ 2,5 milhões

Processo foi iniciado na quinta e deve ser concluído em até quatro meses. Expectativa, no entanto, é de que campo esteja liberado para as Cavalhadas 2025

Modificado em 29/03/2025, 08:50

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A demolição do Cavalhódromo localizado no Centro Histórico de Pirenópolis, iniciada com a remoção da Torre Moura, é prometida para ser concluída em até quatro meses, mas ainda a tempo da realização da tradicional Cavalhadas do município, em junho. O custo total da operação será de R$ 2,5 milhões. Ao mesmo tempo, o projeto para reconstrução do espaço ainda não foi finalizado e, portanto, segue sem prazo de início e com orçamento indefinido.

Inaugurado em 2006, o Cavalhódromo de Pirenópolis foi utilizado por anos para a realização das Cavalhadas, em meio à tradicional Festa do Divino Espírito Santo, registrada como patrimônio cultural e imaterial brasileiro, para os campeonatos esportivos e treinos da escola de futebol do município, e na promoção de eventos culturais e artísticos. A construção em uma área de 6,9 mil metros quadrados contava com arquibancadas, vestiários, cabines de rádio e televisão, camarotes, salas, sanitários, além das duas torres símbolo da batalha entre os mouros e os cristãos.

A partir de agosto de 2019, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) começou a receber informações de problemas estruturais. Em meio a tratativas extrajudiciais, foi buscada uma solução junto ao governo estadual. Ainda à época, um laudo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) demonstrava os danos, como colunas com ferragem exposta, parte do concreto caído, além de rachaduras e infiltrações. Em maio de 2022, o órgão ministerial ingressou com uma ação civil pública cobrando medidas efetivas de restauro. Em janeiro daquele ano, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBM-GO) havia feito uma vistoria no local e constatado o colapso estrutural das arquibancadas e passarelas, determinando a interdição parcial. O gramado continuou sendo utilizado.

No ano seguinte, as Cavalhadas que não eram realizadas desde 2020, diante da pandemia da Covid-19, foi promovida no espaço. O POPULAR mostrou à época que a arena passava por um projeto de adequação e que a obra, de caráter provisório, teria sido iniciada com a remoção das rampas, passarelas e escadarias comprometidas. Foi naquele ano que todo o espaço foi interditado judicialmente e, no ano seguinte, a encenação aconteceu em um local improvisado, no Módulo Esportivo de Pirenópolis, longe do Centro Histórico. A expectativa é que neste ano ela seja realizada no Cavalhódromo, que, com a construção removida, terá apenas o gramado com a estrutura modular.

Mesmo com a demolição já prevista, a remoção da Torre Moura e da arquibancada menor, iniciada nesta quinta-feira (27), causou comoção à população pirenopolina, conforme o POPULAR mostrou na data, principalmente por conta do símbolo da batalha dos mouros e cristãos. A torre demolida contava com 13 metros de altura e 8 de largura. Já a arquibancada menor, com três degraus e revestida por pedra natural, alcançava um espaço de 115 metros.

Já a Torre Cristã, explica a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), deve ser desabada na próxima semana. A ordem de serviço à Magalhães Demolição Ltda, vencedora da licitação realizada em dezembro passado, foi emitida no dia 19 de fevereiro com prazo de execução de quatro meses. A expectativa, contudo, é que seja concluída antes do prazo, "desde que as desocupações necessárias ocorram de forma ágil."

Mesmo com a demolição já prevista, a remoção da Torre Moura e da arquibancada menor, iniciada na quinta-feira, causou comoção aos pirenopolinos (Diomício Gomes / O Popular)

Mesmo com a demolição já prevista, a remoção da Torre Moura e da arquibancada menor, iniciada na quinta-feira, causou comoção aos pirenopolinos (Diomício Gomes / O Popular)

Indenização

O custo total do contrato é de R$ 2.499.968,25, e conforme a pasta, o valor é "impactado principalmente pela mobilização e desmobilização de maquinários, demolição da arquibancada principal e, sobretudo, pelo transporte do grande volume de entulho para um local apropriado, onde será reciclado". Parte do montante será destinado à indenização de famílias que residem ao fundo da arquibancada principal. O valor corresponde a aluguel e um fundo para eventuais danos causados às estruturas das casas, já que, conforme o plano de demolição feito pela Seinfra, estão situadas em área de alto risco. São cerca de 16 imóveis nesta condição. Ao todo, variando de alto a baixo risco, foram contabilizados aproximadamente 70 imóveis ao redor da área de intervenção. Conforme o MP-GO, o acordo já está praticamente concluído com os moradores de imóveis de alto risco. Falta apenas a assinatura e o repasse do recurso que ficará sob juízo, para garantir o repasse à vizinhança afetada.

Ainda segundo a Seinfra, "foram elaborados laudos cautelares de vizinhança para todos os imóveis ao redor do Cavalhódromo, incluindo os comércios." "Em determinada etapa da obra, será necessária a desocupação de áreas específicas. Toda a negociação foi conduzida diretamente com os moradores, com a participação do MP-GO. Já há um acordo de indenização aceito pelos moradores, e os pagamentos serão realizados por meio de um processo vinculado a uma ação civil pública instaurada" pelo órgão ministerial, complementa a pasta.

Nova proposta ainda não foi concluído e encontra resistência

O novo projeto para construção do novo Cavalhódromo de Pirenópolis ainda não foi concluído e, conforme a Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult), segue em desenvolvimento com 82% finalizado. O que falta, ainda, é o aceite do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) "por conta da Portaria nº 02/1995". Tal documento trata sobre a proteção do conjunto arquitetônico urbanístico, paisagístico e histórico da cidade, que foi tombado em 1990. Desta forma, a autarquia precisa conceder licenciamento para intervenções dentro da área.

"O processo de aprovação pelo Iphan está em andamento. A reconstrução do Cavalhódromo será iniciada apenas após a obtenção de todas as aprovações necessárias, incluindo" a do instituto, aponta a pasta. O projeto que ainda precisa ser finalizado será, após concluído, submetido à licitação. Em seguida, serão iniciadas as obras sob gerência da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra). Desta forma, segue sem prazo para início definido, e também sem orçamento detalhado. Vale lembrar que em outubro de 2023, o governador Ronaldo Caiado (UB) anunciou R$ 30 milhões para a reforma.

O POPULAR questionou sobre as reclamações proferidas pelas associações esportiva e das Cavalhadas, que apontam a inviabilidade do projeto para as Cavalhadas e para os campeonatos esportivos. A Secult diz que "em nenhum momento há inviabilidade em atender às necessidades básicas do espaço". Alega ainda que o "projeto está sendo elaborado para atender" às normas do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO), do Iphan, da prefeitura e das atividades da Associação Atlética Pirenopolina e do Instituto das Cavalhadas, além da comunidade.

"A questão é que existem muitos grupos com necessidades diferentes, e estamos buscando alinhar as demandas para atender a todos. O projeto foi elaborado para atender as diversas necessidades dos grupos envolvidos, e embora existam muitas demandas diferentes, a Secult está buscando alinhar tudo para atender a todos. Já foram realizadas diversas reuniões com os grupos e entidades envolvidas, mas não houve consenso. Portanto, pode haver ajustes no projeto com base nesse diálogo contínuo", pondera.

Integrantes das Cavalhadas: Célio Antônio Pompeu de Pina, o Bala; Adail Luiz Cardoso, rei cristão; Roberto Jayme Neto, cavaleiro cristão; Eustáquio Figueiredo, imperador de 2025, e Ronaldo Félix ( Diomício Gomes / O Popular)

Integrantes das Cavalhadas: Célio Antônio Pompeu de Pina, o Bala; Adail Luiz Cardoso, rei cristão; Roberto Jayme Neto, cavaleiro cristão; Eustáquio Figueiredo, imperador de 2025, e Ronaldo Félix ( Diomício Gomes / O Popular)

População discorda de pontos do projeto inicial

O projeto da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult) para o novo Cavalhódromo não tem agradado quem promove as Cavalhadas de Pirenópolis nem tampouco a Associação Atlética Pirenopolina, que usa o espaço para campeonatos esportivos e escola de futebol infantil. Para eles, a nova estrutura não teria funcionalidade para a promoção de ambas as atividades realizadas, que também promove eventos culturais e artísticos, a exemplo do PiriBier.

"O novo projeto não condiz com a realidade das Cavalhadas e do futebol. Deveriam apresentar um novo, uma alternativa. Está em discussão, mas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não autorizou. Não é viável para nossa tradição e nossa cultura. Precisa de espaço para arquibancada, camarote de rádio, para a população", diz o presidente do Instituto das Cavalhadas, Roberto Jayme Neto. E logo antes, ele mencionou a demora do Estado em dar início à intervenção.

Na direção da Associação Atlética Pirenopolina, Célio Antônio Pompeu de Pina, o Bala, não quis falar muito sobre o projeto, mas demonstrou insatisfação. Ele explica que o local que hoje abriga a arena foi cedido ao Estado com usufruto da associação, mas há quatro anos não tem conseguido mais realizar atividades no espaço. Segundo ele, o novo projeto também não tem as medidas necessárias para um campo de futebol com partidas oficiais. E ele partilha, junto aos demais, o medo do espaço não ser reconstruído.

Para o ex-secretário municipal de Cultura de Pirenópolis Roberto Félix a redução no tamanho do campo também prejudica a movimentação dos participantes da festividade. "O projeto está sendo feito por quem não vive aqui, não atende às Cavalhadas. Precisa de circulação, não é uma festa de se sentar na arquibancada", pontua. Para ele, é necessário ainda se adaptar à nova realidade, haja vista que a comunidade, por vezes, mantém uma memória tradicional de quando se era construído os camarotes com madeira e palha. "A população ainda tem um sentimento pelo formato de antes, mas há dificuldade hoje para ter autorização dos órgãos e do Corpo de Bombeiros."

É o caso de Célia Fátima de Pina, de família tradicional no município e que tomava conta do Museu das Cavalhadas. Sua memória demonstra que viveu muito a história de Pirenópolis. "Não quero que gastem milhões construindo nada, não, achei foi bom demolir. O pirenopolino não quer isso. A gente gostava era de cada família construir seu camarote de madeira e de palha e de pano de chitão (tecido estampados com cores vibrantes)", comenta. Ela, contudo, assim como os demais, não enxergou motivos para a demolição das torres.

Até o momento, apenas a Torre Moura foi abaixo, mas a previsão é que a Torre Cristã seja removida na próxima semana. O momento da queda, contudo, foi de comoção para a população local, mesmo ciente de que seria feito. "É um símbolo das Cavalhadas. Deu um sentimento de dor", resume Roberto Félix. O imperador de 2025, Eustáquio Figueiredo, diz que tentaram negociar a demolição das torres, mas não foi possível devido "à demanda e licitação". O processo de remoção das estruturas, contudo, é visto com bons olhos por ele, que deseja que a arena esteja limpa até junho, quando é realizado o evento. "Estamos até agradecidos para que ocorra (a conclusão do serviço) em tempo hábil para as Cavalhadas. E temos um projeto que será mostrado em tempo oportuno", garante.

Já o rei cristão Adail Luiz Cardoso cita que visualmente não era observada necessidade para retirada das torres. "A olho nu, não precisava. Mas a melhor coisa agora é limpar tudo. Começaram a mexer, então é importante que esteja limpo (até a festa)", pontua, ao relatar que a expectativa, e a informação repassada a eles, é de que as Cavalhadas sejam realizadas no Cavalhódromo neste ano. "Lá no outro local é longe, perigoso, difícil de chegar lá", conta, tendo a posição concordada por todos.

Conforme a Secult, em nota, a demolição de ambas as torres foi necessária, pois, embora "estivessem passíveis de restauro, a passarela, a escada e a arquibancada estavam comprometidas". Essas já haviam sido removidas em 2023. "Assim, para garantir a segurança estrutural e permitir uma integração adequada com a nova construção, optou-se pela remoção de tudo. Além disso, as novas torres deverão conversar com a arquitetura local", conclui a pasta.

Geral

Prefeitura de Goiânia mapeia fiação irregular

Gestão diz que está fazendo mapeamento detalhado da situação dos fios de telecomunicações soltos e inutilizados. Expectativa é vistoriar oito bairros por semana na capital

Modificado em 28/03/2025, 07:05

Emaranhado de fios compõe paisagem da Rua C-174, no Jardim América: apenas oito bairros de Goiânia tiveram retirada de fiação inadequada

Emaranhado de fios compõe paisagem da Rua C-174, no Jardim América: apenas oito bairros de Goiânia tiveram retirada de fiação inadequada (Wildes Barbosa / O Popular)

Passados dois anos desde o lançamento do programa Cidade Segura, recém-renomeado como Poste Limpo, a situação dos fios de telecomunicações soltos e inutilizados nas ruas de Goiânia vai começar a ser mapeada pela Prefeitura. A expectativa da administração é vistoriar 8 dos quase 700 bairros por semana para verificar se as operadoras de internet, telefonia e televisão a cabo estão realizando os serviços de manutenção e retirada da fiação em desuso.

A ação, divulgada nesta quinta-feira (27), se assemelha ao programa lançado em agosto de 2023 pela Prefeitura, em parceria com o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), a Equatorial Energia e as empresas de telecomunicações que atuam na capital. A proposta era promover a organização dos fios instalados nos postes de energia, além da retirada dos fios irregulares e inutilizados. Desde então, oito bairros foram contemplados, alcançando 80 toneladas de fiação removida.

A administração municipal divulgou que as empresas de telecomunicações têm um cronograma a ser cumprido e, caso permaneçam as irregularidades, elas podem ser multadas em até R$ 20 mil por dia e por local onde a fiação estiver caída ou desalinhada. Tais empresas foram notificadas ainda em 2023, mas, conforme a gestão de Sandro Mabel (UB), "nada foi feito para melhorar a situação".

A reportagem questionou à Secretaria Municipal de Eficiência, que está à frente do trabalho de identificação de fios de fibra ótica soltos ou em mau estado de conservação, sobre qual seria esse cronograma e quais foram as empresas notificadas. Também, se a Prefeitura segue mantendo o programa Poste Limpo. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

"Agora, será realizado um mapeamento detalhado nos bairros para verificar a situação das fiações. Para facilitar a fiscalização, foi desenvolvido um site no qual os agentes da Secretaria de Eficiência vão registrar informações como o número e o logradouro do poste, a condição dos fios e imagens da situação encontrada", aponta a administração. Tal site conta com a localização exata dos fios irregulares, por meio de georreferenciamento, e as informações podem ser acessadas pelas empresas de telecomunicações que devem buscar a pasta para "regularizar a situação de forma mais ágil."

Ainda no comunicado à imprensa divulgado nesta quinta-feira (27), a administração diz que a legislação municipal "exige que operadoras de internet, telefonia fixa e TV mantenham os fios organizados e em bom estado de conservação." Aponta, ainda, que fios soltos aumentam risco de acidentes e causam poluição visual na cidade. A lei a que se refere é a 9.785, de 31 de março de 2016, que trata sobre o "reordenamento da fiação elétrica e telecomunicações".

A legislação, sancionada pelo então prefeito Paulo Garcia (PT), determina que as empresas que fazem a operação de energia elétrica e de telecomunicações garantam com que os fios sejam mantidos "esticados, alinhados em perfeito estado estético e conservação, visando mais segurança aos munícipes". Em caso de descumprimento, há a possibilidade de aplicação de multa e cancelamento de licença ou autorização.

A promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, da 8ª Promotoria de Goiânia, que está à frente do programa no órgão ministerial, diz que foi realizada uma reunião na última semana para tratar do tema com a administração municipal. "Na ocasião, a Agência de Regulação de Goiânia (AR) noticiou que a Prefeitura iria contratar uma empresa para fazer o recolhimento da fiação em desuso de forma piloto, para ver como funcionaria", explica. Antes, uma reunião foi feita com a Equatorial Energia, que, conforme o MP-GO, já havia reafirmado o compromisso com o projeto.

Ela conta que, assim que houve a troca de gestão, antes assumida pelo prefeito Rogério Cruz (SD), o município foi oficiado para "ver se tinha interesse em continuar participando do projeto". "Formalmente, ainda não recebi resposta. Parece que há, sim, interesse, mas havia intenção de ajustar a atuação da Prefeitura no programa, de forma diferenciada da gestão anterior. Pediram mais prazo e estou aguardando a resposta para ver como vai ser", complementa.

O tema foi discutido em reunião realizada em janeiro no Paço, com a presença de Mabel, MP-GO e Equatorial. Na ocasião, o prefeito cobrou agilidade para retirada de fios soltos nos postes da capital. Na ocasião, foi mencionado que o município daria um prazo para execução do plano de trabalho para retirada dos cabos e também foi explicitado que haveria cobrança de multa diária em caso da permanência de irregularidades.

Programa Poste Limpo

Lançado em agosto de 2023 sob o nome de Programa Cidade Segura, o projeto previa a reorganização de mais de 170 mil postes espalhados pela cidade, ocupados pela concessionária de energia elétrica, e de aproximadamente 200 empresas de telecomunicações. O trabalho foi iniciado na Vila Mutirão 1 e 2, na região noroeste, e depois seguido pelo Jardim Europa, Jardim Planalto e Vila União, na região sudoeste. Nesses, foram retiradas 53 toneladas de fiação em desuso.

Logo após, na segunda etapa, os setores Sul e Central foram contemplados com o programa, alcançando as 80 toneladas. O oitavo foi o Setor Campinas, mas não há estimativa de quanto foi retirado no local. À época, a demora para o andamento dos serviços foi justificada pelo início das chuvas. Durante o lançamento, a promessa era concluir a remoção dos fios em desuso ainda em dezembro daquele ano. Depois, foi identificado que o prazo seria estendido. E até o momento, segue indefinido.

Após a fiação ser removida e reorganizada pelas equipes das operadoras, o material excedente estava sendo destinado às cooperativas de reciclagem. Além da Prefeitura de Goiânia, a de Senador Canedo, na Região Metropolitana, também havia feito parceria com o MP-GO, Equatorial e empresas de telecomunicações para o reordenamento da fiação no município. Lá, o material era destinado à confecção de sacos plásticos para parques municipais.

Geral

Abandono nos cemitérios se agrava

Os quatro espaços municipais têm mato alto, furto de placas e túmulos danificados, além de problemas estruturais nos prédios. Prefeitura planeja reforma geral, mas não diz datas

Maior cemitério municipal de Goiânia, o Parque, no Setor Gentil Meireles, está em situação de abandono

Maior cemitério municipal de Goiânia, o Parque, no Setor Gentil Meireles, está em situação de abandono (Diomício Gomes / O Popular)

Mato alto, túmulos quebrados, furto de placas para lápides, além de infiltrações e vidros quebrados nos prédios são problemas comuns nos quatro cemitérios municipais de Goiânia. No Cemitério Municipal Parque de Goiânia, localizado no setor Gentil Meireles, a exemplo, a construção de parte do muro ainda não foi finalizada e, sem vigia noturno, o ponto se torna um atrativo para usuários de drogas e depredação de túmulos. A insegurança também é relatada nos cemitérios Santana, Vale da Paz e Jardim da Saudade.

A reportagem esteve nos quatro cemitérios municipais entre esta terça-feira (25) e quarta-feira (26) e observou um cenário semelhante em todos eles. Inaugurado na década de 1940 no Setor Campinas e com figuras importantes da história do Estado enterradas, o Cemitério Municipal Santana é o mais antigo da capital e foi tombado no início dos anos 2000. Mesmo assim, sofre descaso. A entrada do local até dá um ar de arrumado, mas é só andar um pouco mais adentro que já se vê mato alto que dificulta o acesso a túmulos.

A maior parte dos jazigos tinham vidros quebrados e havia lixo deixado em cima de túmulos. Funcionários do local relataram que, durante a noite, ocorrem furtos das placas que contam com o nome e a data de nascimento e falecimento do enterrado. O crime seria cometido por usuários de drogas, que também utilizam o local para uso de entorpecentes. Durante a visita da reportagem na tarde de terça-feira, pessoas em situação de rua tomavam 'banho' nas torneiras do cemitério. E a prática é vista como comum para quem trabalha no local.

Responsável pelo serviço nos cemitérios, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) divulgou no fim de janeiro que estava concluindo a limpeza em todos os quatro, com varrição, roçagem, rastelação e remoção de resíduos. Passados quase dois meses, o mato já volta a crescer, não apenas no Santana, mas também nos demais. O único que não conta com mato alto é o Vale da Paz, situado às margens da GO-020. No local, a roçagem foi feita no início de março, mas mas a vegetação morta não foi retirada do cemitério.

O espaço também tem alguns problemas na estrutura do prédio onde fica o administrativo e sala para velório. Ali, há portas danificadas e, ao menos nas torneiras dos banheiros, não havia água. E os danos estruturais também ocorrem no Cemitério Jardim da Saudade, no setor Parque dos Buritis, próximo à GO-060, na saída para Trindade. A sala de velório tem infiltrações evidentes e funcionários dizem que os bancos de cimento foram construídos por eles mesmo, já que não havia pontos para que as pessoas sentassem. Um vidro também está quebrado há mais de um ano e servidores improvisaram com um tapume no local.

O cemitério, que não conta com túmulos característicos, como no Santana e Parque, sofre ainda mais com mato alto, já que ele avança por cima das lápides e impede que os visitantes vejam, por vezes, o local onde seus entes queridos foram enterrados. Servidores também citam que a última roçagem ocorreu em janeiro. Além disso, alguns dos túmulos localizados na parte mais adentro do espaço estão cedendo.

Mato esconte túmulos no Cemitério Santana, em Campinas (Gabriella Braga)

Mato esconte túmulos no Cemitério Santana, em Campinas (Gabriella Braga)

Reformas

A administração dos cemitérios, antes realizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), foi repassada neste ano à recém-criada Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segen). Em nota, a pasta diz que "está viabilizando uma reforma geral" nos quatro, mas sem citar datas. "A última intervenção ocorreu na véspera do Dia de Finados de 2024, porém, tratou-se apenas de ações paliativas, sem impacto real na melhoria da infraestrutura, evidenciando a necessidade urgente de uma reforma ampla e definitiva."

Diz ainda que a segurança nos locais é realizada "por meio de rondas periódicas da Guarda Civil Metropolitana (GCM), além do monitoramento e atuação das forças de segurança pública quando acionadas". "A fiscalização para coibir furtos e outras ocorrências é feita por essas rondas e pelo acompanhamento da administração municipal", complementa. Já sobre os túmulos e jazigos danificados, alega que a responsabilidade da reforma e da manutenção é das famílias dos enterrados.

A Comurg alega que "realiza a limpeza periódica e a conservação" dos cemitérios, e que "as atividades são realizadas simultaneamente, especialmente nesta época do ano, quando aumentam as chuvas e o crescimento do mato". Garante que "há menos de 20 dias foi realizada a limpeza em todos os cemitérios", diferentemente do que é relatados por funcionáris de três dos quatro cemitérios. Diz ainda que fará na próxima semana, o serviço de "roçagem, capina, remoção de entulho e lixo, além da conservação das áreas".

Situação é crítica no Cemitério Municipal Jardim da Saudade (Wildes Barbosa / O Popular)

Situação é crítica no Cemitério Municipal Jardim da Saudade (Wildes Barbosa / O Popular)

Obra inacabada

Iniciada em outubro de 2022, a reforma do Cemitério Parque foi interrompida com apenas metade concluída. Parte do muro está inacabado e servidores alegam que a intervenção no prédio onde fica a administração foi mínimo. A Comurg diz que recebeu apenas 50% do contrato firmado junto à antiga Sedhs, no total de R$ 5,8 milhões, e que o mesmo "venceu na gestão anterior sem conclusão de pagamento."

A Prefeitura diz que estuda "firmar um termo de cooperação para viabilizar a reforma do muro do Parque". A conclusão "ainda depende de planejamento técnico detalhado, pois foi identificado que alguns jazigos estão localizados na linha do muro, exigindo a realocação das estruturas para outra área dentro do próprio cemitério."

Geral

Demolição de igreja onde teto desabou durante instalação de placas solares é autorizada

Investigação revelou falhas no laudo de segurança estrutural apresentado à igreja e à empresa responsável pela obra. A demolição deverá ocorrer ainda nesta semana

Modificado em 25/03/2025, 19:25

Mais de 70 placas solares estavam instaladas, um peso adicional de 2 toneladas, quando o teto da igreja desabou

Mais de 70 placas solares estavam instaladas, um peso adicional de 2 toneladas, quando o teto da igreja desabou (Wildes Barbosa / O Popular)

A demolição da Igreja Videira, localizada no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia, foi autorizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) após o desabamento do teto enquanto trabalhadores instalavam placas solares. A administração da igreja informou que a demolição ocorrerá ainda nesta semana. Em entrevista à TV Anhanguera, o gerente de fiscalização do Crea, Jeorge Frances, explicou que a investigação revelou falhas no laudo de segurança estrutural apresentado à igreja e à empresa responsável pela obra.

Não foram realizadas as vistorias adequadas para identificar a tipologia correta da estrutura. O laudo foi baseado apenas em cálculos, mas faltou a vistoria presencial. Em uma obra com mais de 30 anos, não basta apenas realizar cálculos; é essencial inspecionar e verificar a integridade das peças estruturais. Até o momento, a igreja está sendo analisada como uma vítima do processo. Ela não é alvo da fiscalização, mas sim os profissionais envolvidos", afirmou Jeorge Frances.

Como os nomes dos profissionais envolvidos não foram divulgados, o DAQUI não conseguiu localizar a defesa deles para posicionamento até a última atualização desta matéria.

O desabamento ocorreu em 19 de março. No momento da queda, a igreja, que recebe cerca de 3 mil pessoas aos domingos, estava vazia, com apenas seis funcionários presentes. Um deles precisou ser hospitalizado devido ao acidente.

A Defesa Civil já havia recomendado a demolição do prédio, e agora o Crea também autorizou a ação. À TV Anhanguera , o conselho informou que a demolição será supervisionada em conjunto com o Corpo de Bombeiros, pois o telhado é composto por amianto, o que pode liberar partículas tóxicas caso se espalhem pela vizinhança.

Desabamento em igreja

O alerta do desabamento parcial do telhado da Igreja Videira foi feito por um trabalhador de uma oficina mecânica localizada em frente ao templo. Ao ver o acidente, o homem acionou o Corpo de Bombeiros.

Matheus Oliveira, de 27 anos, relatou que operários vinham instalando as placas no telhado havia cerca de uma semana. Mas, por volta das 10h30, de quarta, a estrutura cedeu e surpreendeu quem estava por perto.

Um barulho muito alto e muita poeira", descreveu a testemunha, depois que ele e colegas se assustaram com o incidente.

Além dos bombeiros e da Defesa Civil de Goiânia, esteve no local representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO).

O capitão do CBM, Guilherme Lisita, disse que os trabalhadores informaram que mais de 70 placas já haviam sido instaladas antes do desabamento. A estimativa é que cada uma delas pesa aproximadamente 30 quilos, o que representou um acréscimo de mais de duas toneladas à estrutura do edifício.

O gerente de fiscalização do Crea-GO, Jeorge Frances, ressaltou que, além das questões administrativas relacionadas à área elétrica, a instalação de placas solares envolve diversos aspectos da engenharia. Conforme ele, o primeiro passo é calcular a capacidade de geração de energia no local.

Frances frisou que a demanda de carga determina tanto a quantidade quanto o tipo de placas a serem utilizadas, sendo que cada modelo possui um peso específico. Esse fator também influencia a maneira como as placas serão distribuídas e fixadas na estrutura.