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Descubra qual a frequência média com que as pessoas fazem sexo de acordo com a idade

Além da idade, outros fatores também contam para o resultado como estilo de vida, saúde, desejo sexual e, é claro, o estado civil

Modificado em 27/09/2024, 00:59

Descubra qual a frequência média com que as pessoas fazem sexo de acordo com a idade

(Pixabay)

Um levantamento feito pelo Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, revelou a frequência média com que as pessoas fazem sexo de acordo com a idade.

A faixa entre 18 e 29 anos, como esperado, tem o maior número de relações sexuais: uma média de 112 vezes por ano (ou duas a três vezes por semana).

Conforme o tempo passa, a quantidade de transas vai caindo. Dos 30 aos 39, esse número diminui para 86 vezes (uma a duas vezes por semana) e, entre os 40 e os 49, são 69 vezes (pouco mais de uma vez por semana).

Além da idade, outros fatores também contam para o resultado como estilo de vida, saúde, desejo sexual e, é claro, o estado civil.

Entre os casados, 34% fazem sexo entre 2 e 3 vezes por semana, 45% apenas algumas vezes por mês e 13% disseram transar somente algumas vezes por ano.

"O que podemos concluir a partir desses estudos é que, à medida que envelhecemos, nossas chances de desenvolver condições de saúde crônicas aumentam. Isso, por sua vez, afeta negativamente a freqüência e a qualidade da atividade sexual", explicou Justin Lehmiller, um dos realizadores do estudo.

No ano passado, um estudo realizado pelo Projeto Sexualidade (ProSex), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, revelou números parecidos. Entre os brasileiros de 18 a 70 anos, a média constatada foi de 2,9 relações sexuais por semana.

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Flamengo se mantém como clube de maior torcida do Brasil, mostra Datafolha

Corinthians seguiu na segunda posição geral, com Palmeiras (7%) e São Paulo (6%) na sequência

Torcida do Flamengo

Torcida do Flamengo (Adriano Fontes / Flamengo)

O Flamengo se manteve como o time de maior torcida do Brasil, de acordo com a última pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, a torcida do atual campeão carioca abarca 19% dos brasileiros.

Na pesquisa do ano passado, 21% haviam respondido que eram torcedores do clube, o maior patamar da série histórica iniciada em 1993, na qual o Flamengo sempre se manteve na liderança.

Também desde que começaram as pesquisas, o Corinthians seguiu na segunda posição geral, com 14% das respostas, o que representa uma oscilação de um ponto percentual para baixo em relação ao ano passado.

Palmeiras (7%) e São Paulo (6%) vêm na sequência, com o alviverde se isolando na terceira colocação, após a oscilação de um ponto do time do Morumbi.

Grêmio e Vasco, ambos estáveis com 4% das respostas, completam as primeiras posições das maiores torcidas.

Finalistas da Copa Libertadores, Atlético Mineiro e Botafogo estão empatados na 10ª colocação, juntos com Fluminense e Bahia, com 2% cada.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 5 e 7 de novembro, em 113 municípios brasileiros. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo especialistas, a influência exercida pelas transmissões de TV em âmbito nacional historicamente exerce peso importante a favor da liderança do Flamengo.

No Nordeste, por exemplo, o rubro-negro é o preferido disparado, citado por 25% dos torcedores, seguido por Corinthians (8%) e Palmeiras (6%). O Sport, que garantiu o acesso de volta à Série A em 2024, é o primeiro time da região, lembrado por 5%.

O mesmo fenômeno se repete no Centro-Oeste e Norte, onde 29% dizem torcer pelo Flamengo, e 11% pelo Corinthians. Os único times das regiões citados são Remo (4%), Paysandu (2%) e Goiás (1%).

"O Norte e o Nordeste têm historicamente muitos torcedores de times do Rio de Janeiro em função das transmissões da Globo, que ficaram concentradas nas equipes cariocas", afirma Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo.

No Sudeste, o Flamengo é o segundo, com 15%, atrás do Corinthians, com 20%. No Sul, apenas o terceiro, empatado com o Corinthians (9%), atrás de Grêmio (23%) e Internacional (18%).

Entre os torcedores pretos e pardos, 23% dizem apoiar o Flamengo, contra 12% dos brancos. A distribuição geográfica pode ajudar a explicar essa diferença, já que as regiões do país em que o clube lidera são também aquelas com maior concentração de negros e pardos, segundo o censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ---são 76% no Norte, 72,6% no Nordeste e 61,6% no Centro-Oeste, contra 55,4% da média nacional.

O recorte racial é mais equilibrado no caso do Corinthians, com 14% (pardos e pretos) e 13% (brancos), do Palmeiras (6% e 7%) e do São Paulo (6% e 6%).

A menor faixa da renda familiar mensal considerada pelo Datafolha, de até dois salários mínimos, é também a que o Flamengo lidera disparado, com 22%. Cai para 12%, no Corinthians, para 6%, no Palmeiras, e para 5%, no São Paulo.

Na quebra por religião, Flamengo e Corinthians têm o mesmo número de torcedores que se declaram católicos e evangélicos, com 19% e 13% cada, respectivamente. No Palmeiras, os católicos predominam ---9% a 5%, e há um empate em 6% a 6%, no São Paulo.

Para questões de gênero, renda familiar e religião, a margem de erro pode oscilar entre três e sete pontos percentuais.

Wolff assinala que a tradição familiar também exerce influência no processo de escolha, com muitos pais transmitindo ---ou ao menos se esforçando para transmitir--- a paixão futebolística para os herdeiros.

Além disso, uma tendência relativamente recente que tem ganhado cada vez mais espaço entre os jovens torcedores, fruto da globalização, é a preferência por times no exterior. "Hoje, estamos falando de uma infinidade de transmissões esportivas por diferentes veículos, inclusive YouTube, que é de graça. Isso pode contribuir e refletir para essas transformações", diz o especialista.

Consultor de marketing esportivo e professor do Insper, Eduardo Corch afirma que os gigantes europeus conseguem atrair o público com a exibição da marca em excursões das equipes estreladas mundo afora, e também por meio da oferta de experiências completas e facilidades aos torcedores.

"Vivemos em um mundo de experiências, em que as marcas, as empresas e os clubes de futebol precisam entregar uma boa experiência aos seus clientes", afirma o professor. Ele diz que são aspectos que precisam ir além de um estádio limpo, moderno e seguro, com ações que aproximem os clubes e os jogadores dos aficionados, com benefícios dos programas de sócio-torcedor e criação de conteúdo diário para as redes.

Gerente de marketing e esportes da empresa de sócio-torcedor Somos Young, Jorge Duarte destaca ainda que, especialmente em cidades do interior e em capitais menores, percebe que os clubes locais têm ganhado maior atenção dos moradores da região, apoiados nas novas tecnologias.

Segundo ele, a internet e o avanço da comunicação digital permitiram que eles potencializassem sua visibilidade e engajamento. "Assim, o foco deixou de ser exclusivamente no eixo Rio-São Paulo, abrindo espaço para maior representatividade de outros times do Brasil".

MAIS DE 70% DAS TORCIDAS DE CRUZEIRO E SANTOS SÃO CONTRA AS BETS

Em um Campeonato Brasileiro em que a maior parte dos clubes da Série A é patrocinada por bets, a pesquisa do Datafolha traz diferenças importantes no apoio das torcidas às empresas de apostas esportivas.

As de Cruzeiro (73%), Santos (71%) e Internacional (68%) foram as que mais se manifestaram contra as bets, defendendo sua proibição, com a menor adesão à ideia vindo de Palmeiras (58%) e Grêmio (60%) ---a margem de erro varia de cinco a nove pontos percentuais no recorte da relação de torcedores com as apostas esportivas.

Flamengo (35%), Palmeiras (32%) e São Paulo e Vasco (31%), por outro lado, têm as torcidas mais propensas a apoiar o funcionamento do negócio no Brasil, com Santos (18%) e Cruzeiro (20%) na ponta contrária.

Os são-paulinos são os que mais disseram já ter apostado por meio das bets, com 31% das respostas, seguidos pelos flamenguistas (28%) e pelos colorados (25%). Cruzeirenses (11%) e santistas (14%) são os que menos apostam.

Ao considerar o hábito de apostar de modo mais amplo, incluindo bets, jogos online, loterias e jogo do bicho, os santistas são os mais apostadores (61%), enquanto os vascaínos são os menos propensos ao hábito (34%).

Com 61%, os santistas são os que mais consideram as apostas e os jogos online um vício. Na outra ponta, apenas 43% dos torcedores do Internacional têm a mesma interpretação.

Geral

Só 27 cidades goianas dão destinação correta ao lixo

Apenas 11% dos municípios do Estado destinam corretamente resíduos a aterros regularizados

Modificado em 17/09/2024, 16:03

Aterro sanitário de Goiânia não tem estrutura considerada adequada

Aterro sanitário de Goiânia não tem estrutura considerada adequada
 (Wildes Barbosa)

++GABRIELLA BRAGA++

Goiás tem apenas 11% dos municípios destinando corretamente todos os resíduos sólidos urbanos coletados para aterros sanitários. Do total de 27 cidades listadas na pesquisa da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), que reúne empresas responsáveis pelo gerenciamento da coleta e destinação do lixo, seis integram a Região Metropolitana de Goiânia. Entretanto, a capital, apesar de possuir aterro, não consta na lista.

A análise dos municípios que destinam adequadamente o lixo é feita pelo Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (Islu). A estatística visa mensurar como as cidades têm aderido às metas da Polícia Nacional de Resíduos Sólidos, prevista na Lei Federal 12.305 de 2010. São quatro indicadores: população atendida pelo serviço de coleta, existência de cobrança específica para manejo destes resíduos, reciclagem de materiais coletados, e, por fim, a destinação incorreta do lixo.

Neste último indicador, dos municípios goianos previstos no levantamento, apenas 27 alcançaram nota máxima (veja quadro ao lado). A avaliação demonstra que essas localidades destinam todo o lixo coletado em aterros sanitários regularizados. Vale destacar que cerca de 30% das cidades brasileiras e 36% das goianas, não foram analisadas por falta de preenchimento correto da base de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). É o caso de Goiânia.

Mesmo não constando no levantamento, o presidente da Abrema, Pedro Maranhão, adianta que "Goiânia não tem um aterro ambientalmente correto". "Não tem mais tratamento de chorume, até a licença estava suspensa. E não tem aproveitamento (dos resíduos)", pondera, ao citar a possibilidade de produção de biogás --- biocombustível feito a partir da decomposição de materiais orgânicos --- e seu derivado, o biometano, que pode ser utilizado como combustível para veículos, a exemplo.

Conforme Maranhão, o cenário da falta de destinação correta do lixo é preocupante. "Temos de avançar (na gestão do lixo). O meio ambiente tem um ganho grande, diminuem as emissões derivadas da queima de lixão, a poluição e a contaminação do solo e do lençol freático. É preciso fazer com que se dê a destinação correta e faça aproveitamento desses resíduos, e não que seja descartado de forma irregular. Goiás estava em uma situação ruim, mas agora vai avançar para acabar com os lixões", diz.

Dentre as soluções encontradas para dar fim aos espaços utilizados para descarte irregular do lixo, visto que não contam com medidas de segurança para evitar degradação ambiental, está a regionalização dos aterros sanitários. A proposta, conforme o presidente da Abrema, parte do princípio de que municípios menores dificilmente conseguiriam manter um local regularizado. "A operação de um aterro é cara, aí (depois) acaba virando lixão", comenta.

Maranhão também pondera a necessidade de o município buscar fonte de receita para subsidiar a coleta de resíduos. "Serviço prestado tem de ser cobrado", destaca. Para o professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental (EECA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) Eraldo Henriques de Carvalho, a cobrança de um subsídio e a regionalização dos aterros também são tidas como possibilidades para garantir a manutenção e operação regular.

"O aterro sanitário é uma obra de engenharia diária. O custo de operação envolve a própria construção ao longo do tempo e a maioria dos municípios não tem dinheiro. Qual o ideal? Soluções compartilhadas. Seis, sete (cidades) se reúnem e bancam a operação do aterro. Mas vai ter de ter uma cobrança específica", pondera. O docente também aponta que, além das dificuldades financeiras para dar fim aos lixões, há ainda descontinuidade de ações e de planejamento adequado para isto.

Cenário na capital

O Aterro Sanitário de Goiânia, em atuação desde 1993, permaneceu durante 13 anos sem licenciamento ambiental. Titular da 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), especializada em meio ambiente e urbanismo, Juliano de Barros Araújo explica que, de 2011 a 2024, a capital goiana tinha o espaço utilizado para destinação de lixo funcionando irregularmente. Ele relata, ainda, que o local não funcionava adequadamente como aterro.

"Não trata chorume, que é levado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), não tem sistema de controle de captação dos gases, não tem sistema para avaliar se pode desmoronar. A ideia é que as ações estruturais --- previstas no termo de ajustamento de conduta (TAC) --- consertem o aterro, tenha monitoramento da água subterrânea, melhoria no sistema de drenagem", diz. Entre as medidas previstas, está a transformação do espaço em Centro de Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos (CTDRS).

Mas, antes, a Prefeitura deve começar a destinação de 40% dos resíduos para aterros privados na Região Metropolitana, visto que, caso o aterro continue a receber o montante atual, a expectativa de vida útil é de apenas sete anos. "E por exigência do licenciamento, a vida útil mínima de dez anos. Se não desviarmos, então não pode ser licenciado." Araújo acrescenta que a licença foi concedida em caráter corretivo, ou seja, condicionada às correções acordadas.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) diz, em nota, que está "termo de referência e o projeto para que seja feita licitação para a contratação da empresa". "O TAC foi firmado em 2022, a partir de um levantamento da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), que apontou que, diminuindo em 40% a quantidade diária de resíduos, pode-se aumentar a vida útil do aterro. Em janeiro foi feito aditivo estabelecendo prazo para a terceirização de parte desta destinação a aterros sanitários particulares."

181 lixões seguem ativos no Estado

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) aponta que Goiás tem, hoje, 181 lixões ativos. Conforme decreto estadual de dezembro de 2023, que instituiu o Programa Lixão Zero no Estado, todos os municípios devem encerrar os espaços que ainda são utilizados para destinação incorreta dos resíduos sólidos urbanos. O prazo para que os gestores municipais façam o requerimento para encerramento do lixão se estende até agosto deste ano.

"No momento em que requerem a licença de encerramento dos lixões, os municípios precisam informar onde farão a disposição ambientalmente adequada dos resíduos que geram, o plano de reabilitação da área do lixão e a estratégia que adotarão para implementar a coleta seletiva em seus respectivos territórios", explica a pasta.

"Todas essas ações constituem a etapa de transição prevista no decreto. A etapa definitiva será a regionalização da gestão dos resíduos, com governança compartilhada entre estado e municípios", acrescenta. Proposta diante da falta de recursos financeiros e humanos por parte dos municípios, a regionalização visa instituir aterros que possam atender a mais de uma cidade ao mesmo tempo. O gerenciamento e operação do espaço deve, então, ser compartilhado pelas administrações.

Ainda conforme a pasta, Goiás conta atualmente com 17 aterros sanitários licenciados, que atendem cerca de 65 municípios goianos, considerados com destinação final "ambientalmente adequada de resíduos sólidos urbanos". Eles estão localizados em Goiânia, Aparecida de Goiânia (2), Anápolis, Cumari, Guapó, Águas Lindas de Goiás, Bela Vista de Goiás, Chapadão do Céu, Cidade Ocidental, Hidrolândia, Palminópolis, Rio Quente, Sanclerlândia, Trindade, São Luís de Montes Belos e Senador Canedo.

Geral

Advogado compara desembargadora a jumento, falta audiência e justifica que precisava 'fazer sexo'

Na petição anexada ao processo, o advogado disse que, após contrair Covid-19, sente a necessidade de ter relações sexuais e que, tal ato, não poderia acontecer em outro momento

Modificado em 19/09/2024, 01:25

Pedido de habeas corpus

Pedido de habeas corpus
 (Reprodução)

Um advogado foi processado por chamar desembargadora de jumento e não compareceu em audiência de conciliação prevista para a quinta-feira (23), em Goiânia, por alegar que precisava 'fazer sexo'. Horas antes, na petição anexada ao processo, ele pediu o adiamento da sessão alegando ter um encontro marcado (veja print ao final do texto).

A reportagem entrou em contato por e-mail com o advogado em questão, para um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto.

Já a defesa da magistrada, o advogado Felipe Crosara, que também integra a assessoria jurídica da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), disse que a situação foi recebida com tristeza pelo órgão (íntegra ao fim do texto).

"Entendemos que esse tipo de agressão não contribui para o Judiciário, colocando em xeque a própria advocacia. A população precisa do Judiciário e atos como esse tentam apenas descredibilizar a instituição", disse Felipe.

Processo por injúria

O caso, segundo documentos obtidos pela reportagem, ocorreu em dezembro de 2022. Na ocosião, o advogado processado chamou a desembargadora de 'jumento' e insinuou que ela deveria preparar pastel feira com caldo de cana. A declaração ocorreu após a magistrada rejeitar um pedido de habeas corpus de uma cliente defendida por ele.

A desembargadora entrou com um processo contra o advogado por meio de uma queixa-crime. No documento anexado, a defesa da magistrada disse que o caso constitui em uma ofensa à honra dela, caracterizando um crime de injúria.

A audiência de orientação sobre o caso estava prevista para esta quinta-feira (24), porém, o advogado não compareceu. Horas antes da sessão, o advogado chegou a pedir que ela fosse adiada.

Como justificativa, o advogado disse ter a necessidade, após contrair Covid-19, de ter relações sexuais e que, tal ato, não poderia acontecer em outro momento. Além disso, ele anexou prints de uma conversa com a mulher na qual iria se encontrar. O pedido foi negado.

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) se pronunciou em nota de repúdio publicada nesta sexta-feira (24). "Decisões judiciais podem ser questionadas pelo recurso próprio e adequado, mas a deliberada agressão, com utilização de termos que demonstram violência e desrespeito às magistradas e aos magistrados, [...] é um ataque ao Poder Judiciário", informa.

Já a Seção Goiás da Ordem dos Advogados do Brasil informou que "os fatos serão objeto de análise, por meio do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que observa com rigor o sigilo legal dos seus procedimentos".

Notas na íntegra:

Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO)

"O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por seu presidente, desembargador Carlos França, vem a público expressar veemente repúdio às declarações inaceitáveis proferidas pelo advogado Manoel Bezerra Rocha, que desrespeitam não apenas a honra de uma desembargadora no exercício de suas funções como magistrada deste Tribunal, mas também princípios básicos como ética, respeito e decoro exigidos de um profissional da carreira jurídica.

Ressalta também que decisões judiciais podem ser questionadas pelo recurso próprio e adequado, mas a deliberada agressão, com utilização de termos que demonstram violência e desrespeito às magistradas e aos magistrados, em razão de fundamentação utilizada para decidir e por discordar do desfecho dado à ação, é um ataque ao Poder Judiciário, que tem a missão constitucional de solucionar conflitos que lhes são apresentados, além de violar o Estado Democrático de Direito, o que é inadmissível.

Por fim, o TJGO, que tem respeito e elevada consideração pela advocacia goiana, reforça que acredita e valoriza a harmonia costumeira entre os membros do sistema de Justiça. Ademais, segue confiante nas providências que estão sendo adotadas pela Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) para apuração da infração ético-disciplinar do advogado, sem prejuízo das providências na esfera penal."

Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego)

"A Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) repudia veementemente a manifestação do advogado, que afronta o Poder Judiciário do Estado de Goiás e atenta contra a seriedade de seus quadros, ao protocolar documento sem qualquer embasamento legal, com termos altamente desrespeitosos.

A Asmego já providenciou representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estadual e federal, solicitando a suspensão do direito de advocacia do referido advogado, e espera que as providências cabíveis sejam tomadas.

O Poder Judiciário do Estado de Goiás, um dos mais céleres e produtivos do país, merece respeito para com seu trabalho. O advogado afronta os magistrados e demais servidores, que se dedicam diariamente a milhares de ações judiciais sérias. A Asmego não tolera e nem admitirá desrespeito ao trabalho dos magistrados de Goiás."

Geral

UFG recebe equipamento avançado para tratar pulmões

Máquina que viabilizou o surgimento de vacinas contra a Covid-19 será usada em estudos para o tratamento de doenças pulmonares

Modificado em 19/09/2024, 00:31

A professora Eliana Martins, na companhia de sua aluna de doutorado Bianca Fontanezzi, com o Ignite: chegada comemorada

A professora Eliana Martins, na companhia de sua aluna de doutorado Bianca Fontanezzi, com o Ignite: chegada comemorada (Wildes Barbosa)

Professora titular da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e há 30 anos pesquisando nanotecnologia voltada para ciências farmacêuticas, a doutora Eliana Martins Lima comemora a chegada de um novo equipamento para o laboratório que idealizou e coordena, o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Fármacos, Medicamentos e Cosméticos (FarmaTec). O NanoAssemblr® Ignite™, fabricado no Canadá, e por enquanto o único no Brasil, já está em uso em pesquisas prioritariamente voltadas para o tratamento de doenças crônicas pulmonares, a terceira maior causa de mortes em todo o mundo.

O Ignite, como já vem sendo chamado entre os pesquisadores, foi a tecnologia fundamental para o desenvolvimento de duas das principais vacinas contra Covid-19, a da Pfizer e da Moderna, que utilizam RNA mensageiro, a "receita genética" que leva o organismo a produzir anticorpos de defesa ao coronavírus. Eliana Martins lembra que, ao contrário do que foi amplamente discutido, as pesquisas com RNA não são recentes. Elas iniciaram há cerca de 60 anos e o que aconteceu na pandemia foi o uso da nanotecnologia, acelerando o processo de criação, em escala industrial, dos imunizantes.

Nas ciências farmacêuticas, explica Eliana Martins, a nanotecnologia significa manipular materiais de tamanho ínfimo, que só podem ser vistos com microscópios eletrônicos. Para efeito de comparação, um nanômetro é um bilhão de vezes menor do que um metro. "Nessa manipulação, permitimos novas funcionalidades. Se um fármaco com poder terapêutico for administrado no organismo, de maneira convencional, ele pode fugir do alvo e provocar efeitos adversos. Se colocado em nanopartículas, irá para o ponto central, melhorando a terapia e reduzindo a toxicidade."

Esse princípio foi amplamente divulgado a partir de 1995 quando a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou a primeira droga contra o câncer com base na nanotecnologia para uso clínico. Atualmente existem outras 40 com esse tipo de tecnologia. No Farmatec, instalado no Parque Tecnológico Samambaia (PTS), da UFG, o grupo de pesquisadores liderado pela professora Eliana Martins busca a nanotecnologia com a expectativa de fazer a diferença no combate às doenças do pulmão. E o equipamento recém-chegado proporciona maior segurança na reprodução das formulações.

O Ignite foi adquirido em fevereiro do ano passado, três anos após ter sido lançado pela empresa canadense Precision NanoSystems (PNI), que é líder global em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de terapias celulares e genéticas baseadas em nanomedicina. Única representante de Goiás no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ela conseguiu comprar o equipamento de US$ 130 mil, com recursos gerenciados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A canadense PNI, que nasceu como start up em ambiente universitário, criou o Ignite a partir das pesquisas com RNA mensageiro. "O RNA mensageiro é uma molécula extremamente sensível, que pode ser destruída com facilidade. Se a injetarmos no músculo de uma pessoa pode não ter efeito nenhum porque será destruída por enzimas que existem em nossos tecidos, nossos fluidos", explica a pesquisadora. A nanotecnologia protege essa molécula usando os lipídios, compatíveis, do ponto biológico, àqueles que se formam em nossas membranas celulares, segundo Eliana Martins.

Em média, entre a descoberta e a comercialização de um novo medicamento, são necessários cerca de 12 anos. E uma das grandes dificuldades enfrentadas pela indústria é desenvolver volumes significativos de formulações. A nanotecnologia tem revolucionado esse cenário. O novo equipamento da Farmatec, que é direcionado para laboratórios de pesquisas, é capaz de processar uma única formulação de microfluídica por vez, produzindo até 20 mililitros (ml) de nanopartículas em menos de dois minutos.

"Produtos com aplicação farmacêutica, como uma vacina ou medicamento, precisam ter uma mesma identidade", lembra Eliana Martins, ressaltando que o Ignite, que realiza o processo de microfluídica sob pressão, assegura produtos sempre uniformes e homogêneos. O equipamento, embora instalado na UFG, poderá ser utilizado por todos os 30 pesquisadores do (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, de vários estados brasileiros.

Doenças que afetam pulmões são o foco dos pesquisadores

"Hoje temos o melhor laboratório de desenvolvimento de nanotecnologia aplicada a medicamentos do país e é um dos melhores do mundo", diz com orgulho a pesquisadora. O grupo liderado por Eliana Martins tem se dedicado ao desenvolvimento de medicamentos usando nanotecnologia para administração inalatória, para tratar doenças infecciosas e processos inflamatórios pulmonares. "Nosso foco é o tratamento localizado não apenas do processo inflamatório, mas também na sua origem, para que o paciente não precise mais fazer uso de medicamentos sistêmicos, via oral."

Estão na mira patologias como câncer pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite, asma, enfisema, fibrose cística, pneumonia, tuberculose, sequelas da Covid e várias outras de origem viral e bacteriana. "Precisamos encontrar formas de reverter processos degenerativos e inflamatórios. No início da pandemia da Covid-19, muitas pessoas vieram a óbito em razão do processo inflamatório. Toda inflamação aumenta a quantidade de líquido na região atingida e, nos pulmões, quando tem acúmulo de líquido, impede as trocas gasosas. É como se a pessoa morresse afogada."

Eliana Martins, que já foi pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFG, lembra que o Farmatec tem mais de 200 publicações científicas. "Estamos rompendo a barreira do conhecimento e formando pessoas. Nosso desafio é fazer com que o quimioterápico chegue na região profunda dos pulmões. Doenças pulmonares crônicas estão entre as três principais causas de morte no mundo e muitas delas não têm um tratamento que induz a cura."