Geral

Moradores improvisam barreiras para tentar conter água da chuva em bairros de Goiânia

Proprietários de imóveis e comerciantes têm preocupação com estragos causados pela força dos cursos d’água da capital em dias de precipitação intensa

Modificado em 17/09/2024, 15:38

Capa asfáltica arrancada na Rua Urbano Berquó, na Vila Mauá: à tarde, reparo já havia sido feito no local

Capa asfáltica arrancada na Rua Urbano Berquó, na Vila Mauá: à tarde, reparo já havia sido feito no local
 (Diomício Gomes)

++GABRIELLA BRAGA++

Moradores e comerciantes dos setores mais atingidos pelas fortes chuvas deste fim de semana, em Goiânia, relatam preocupação com a força d'água que desce pelos córregos que cortam a capital. Para alguns, a solução encontrada foi instalar barreiras de contenção aos alagamentos. Mesmo assim, a quantidade de água que caiu neste domingo (7) causou transtorno aos goianienses.

No Setor Castelo Branco, na região Oeste, uma igreja evangélica ficou alagada após o Córrego Cascavel transbordar na altura da ponte da Rua Jaraguá com a Marginal Cascavel. A água descia rapidamente pelo curso d'água canalizado e, na ponte entre as vias, extravasou e inundou ruas. No local, o estagiário Américo Emanuel Silva, de 18 anos, filho do pastor Adailton, relata que no fim do ano passado foi colocada uma mureta para evitar entrada de água.

A medida foi tomada após instrumentos musicais serem perdidos em um alagamento. "A gente chegou o violão estava boiando", conta o jovem. À época, uma caixa de som também estragou pela água. Desta vez, conta ele, o estrago só não foi maior por conta de duas muretas instaladas em frente às portas de aço. Ao menos um teclado musical ficou danificado neste domingo.

O jovem acredita que esta foi uma das chuvas mais fortes dos últimos anos, ao menos na região onde a igreja está instalada há cerca de 10 anos. "Iria no joelho tranquilamente se não tivesse a mureta". Mas, destaca, é comum que ocorra alagamentos mesmo quando a chuva é mais fraca. "Praticamente todo ano tem (enchente). Se não tem em um, tem no outro", diz.

Américo também faz estágio em uma academia próxima à igreja. O local, que conforme ele já sofreu prejuízos em outros alagamentos, não teve muitos problemas desta vez por conta de uma barreira física. Entretanto, em um cômodo do estabelecimento, onde fica a recepção, parte da água entrou por baixo das portas e alagou o chão. Segundo o jovem, muita areia também foi levada aos locais.

Ao lado da academia, a casa de João Ferreira Cortes Junior, de 63 anos, só não ficou alagada porque um segundo portão barra a água que chega da rua. O idoso, que mora há 50 anos no local, conta que tomou a iniciativa uns 15 anos atrás, quando um portão caiu pela força da enxurrada. E acrescenta que não é a primeira vez que vê situação semelhante a deste fim de semana.

"Sempre alaga com chuva forte. Se chover pouco também, às vezes. Porque se o córrego tiver cheio, não escoa a água da rua", explica, ao mostrar os tubos que escoam a água das vias urbanas para o Córrego Cascavel. "Eles são baixos", aponta. João relata ainda que, quando tomou conhecimento de que o curso d'água corria fortemente, retomou para casa rapidamente. Ao chegar às proximidades, entretanto, teve de deixar o carro num ponto mais acima. Enquanto tentava descer a pé, quase foi levado pela enxurrada. "Água estava batendo acima do joelho. Eles (Prefeitura) falam que é chuva atípica, mas eu já vi várias vezes."

Na altura do Viaduto Jornalista Joaquim Câmara Filho, no Setor Vila Canaã, também na região Oeste, o vendedor Ítalo Guilherme Alves, de 24 anos, comenta que a loja de radiadores onde trabalha teve o chão alagado pela água que desce a Avenida Pedro Ludovico. Localizado nas proximidades do Córrego Macambira, o estabelecimento recebeu parte da água que extravasou. Lama levada pela enxurrada também entrou no imóvel. Mas sem grandes prejuízos.

Há mais de seis anos trabalhando no local, ele conta que a situação não é incomum. Mas, a chuva de domingo (7), "foi fora do normal". Para ele, o problema é a água que desce pelo córrego rapidamente. "Porque bueiro o pessoal da Prefeitura limpa, pelo menos aqui na frente, a cada dois ou três meses", conta.

Recorrente

A inundação no local, que deixou a parte inferior do viaduto sem tráfego durante horas, também afetou o torneiro mecânico Diogo Erick Caetano, de 42. Ele aponta que sempre alaga no local quando chove muito. Desta vez, a água entrou parcialmente no estabelecimento, mas também sem causar prejuízos.

Próximo ao local, na Rua Urbano Berquó, na Vila Mauá, a malha asfáltica da via foi levada pela força da água. A reportagem esteve no local na tarde desta segunda-feira (8) e o reparo na pista já havia sido feito. Uma moradora relata que a enxurrada descia rapidamente pela via e foi levando asfalto, caçambas de entulho e sacolas de lixo que estavam no local.

Geral

Advogado é preso suspeito de maltratar e abandonar a mãe de 85 anos em Cais

Segundo a Polícia Civil, essa é a segunda vez que o advogado é preso pelos mesmos crimes. Idosa foi deixada na unidade em estado gravíssimo

Modificado em 03/04/2025, 06:41

Idosa deixada em Cais pelo filho

Idosa deixada em Cais pelo filho (Divulgação/Polícia Civil)

Um advogado de 58 anos foi preso suspeito de maltratar e abandonar a mãe de 85 anos no Centro de Atenção Integral à Saúde (Cais) Jardim América, em Goiânia. Segundo a Polícia Civil, a idosa foi deixada na unidade em estado gravíssimo, desnutrida, com lesões pelo corpo, suja e com dificuldades para respirar.

Essa idosa estava completamente abandonada, com inanição, há muitos dias não se alimentava, embainhada em fezes e urina e foi deixada ali. O filho não quis manter contato com Cais que entrou em contato com a polícia civil e realizou uma operação para que ele fosse localizado", informou o delegado responsável pelo caso, Alexandre Bruno.

Por não ter o nome divulgado, a reportagem não conseguiu localizar a defesa do advogado para que se posicionasse até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) disse que acompanhou a operação e esclareceu que, apesar de a prisão não ter relação com o exercício da advocacia, "apura todas os casos que chegam ao seu conhecimento, visando garantir o amplo direito de defesa e o contraditório".

Também disse que esse acompanhamento visa "resguardar as prerrogativas profissionais e fiscalizar o cumprimento dos preceitos éticos da advocacia". E que "não comenta eventuais prisões ou condenações de seus inscritos".

A prisão aconteceu na terça-feira (1º) após uma assistente do Cais procurar a Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai) e denunciar o caso. Conforme a polícia, essa é a segunda vez que o advogado é preso pelos mesmos crimes contra a mãe e ele foi localizado após uma equipe realizar a identificação da idosa com o apoio de papiloscopistas da Superintendência de Identificação Humana da PC que também descobriram os dois filhos dela e encontraram o endereço do advogado.

De acordo com a Deai, ao ser abordado em seu apartamento no Setor Oeste, o advogado afirmou que cuidava da mãe da melhor forma possível, mas que, devido à piora do seu estado de saúde, a deixou no Cais com a intenção de visitá-la depois.

A polícia informou ainda que a idosa é pensionista de um magistrado e teve grande parte da renda comprometida devido a empréstimos feitos pelo filho. O outro filho dela mora em São Paulo e, ao conhecimento dos fatos, se comprometeu a vir para Goiânia para arcar com os custos do tratamento da mãe e solicitar sua curatela.

Geral

Câmeras 360º vão flagrar motoristas usando celular enquanto dirigem em Goiânia

Inicialmente, 12 câmeras inteligentes foram instaladas em pontos estratégicos da cidade. Até o final de abril, outras 56 estarão em operação

Monitoramento será feito por dez agentes de trânsito, nos três turnos diários (Reprodução/TV Anhanguera)

Monitoramento será feito por dez agentes de trânsito, nos três turnos diários (Reprodução/TV Anhanguera)

A partir de agora, motoristas de Goiânia estão sendo monitorados por câmeras 360º, tecnologia avançada que flagra o uso do celular enquanto se dirige. Inicialmente, 12 câmeras inteligentes foram instaladas em pontos estratégicos da cidade, como na esquina da T-9 com Avenida 85, Avenida T-10 com Avenida T-3 e também em três pontos na Avenida Assis Chateaubriand. Até o final de abril, outras 56 estarão em operação, ampliando a fiscalização das ruas e avenidas da capital.

Em entrevista à TV Anhanguera, o secretário de Engenharia de Trânsito de Goiânia (SET), Tarcísio de Abreu, alertou que é proibido o manuseio do celular durante a direção.

Qualquer movimento feito com o aparelho é considerado infração. Se o motorista perde 5 segundos olhando o celular a 80 km/h, ele percorre 100 metros sem prestar atenção no trânsito. Isso representa um grande risco", explicou Tarcísio.

Segundo a Secretaria de Trânsito, quando um motorista for flagrado utilizando o celular, a infração é registrada automaticamente, gerando a multa, que é enviada ao infrator. As imagens capturadas pelas câmeras também são armazenadas como prova da infração.

O monitoramento será realizado por uma equipe de dez agentes de trânsito, que estarão divididos em três turnos diários, responsáveis não só por flagrar infrações como o uso de celular, mas também por verificar irregularidades, como veículos com registro de roubo ou furto.

Centro de Controle Operacional, inaugurado nesta segunda (31): monitoramento pega até interior dos carros (Fábio Lima / O Popular)

Centro de Controle Operacional, inaugurado nesta segunda (31): monitoramento pega até interior dos carros (Fábio Lima / O Popular)

Quem for flagrado utilizando o celular enquanto dirige terá que pagar uma multa de R$ 293,47, além de acumular 7 pontos na carteira de habilitação. Segundo a secretaria, o objetivo é diminuir a taxa de mortalidade no trânsito, especialmente entre motoristas que desrespeitam regras básicas de segurança.

Além da instalação das câmeras 360º, a Prefeitura de Goiânia também implementou 37 novos radares, que começaram a operar na última segunda-feira (31). Até o final do mês, mais 95 equipamentos de fiscalização devem ser instalados em pontos estratégicos da cidade, reforçando ainda mais a fiscalização.

Geral

Acordo prevê 1,5 mil imóveis populares

Contrato firmado entre as prefeituras e governos estadual e federal vai viabilizar construção de unidades habitacionais a custo zero nos municípios

Máquinas trabalham na abertura de ruas, em nova etapa de construção de casas na região do Conjunto Vera Cruz, para erguer três condomínios

Máquinas trabalham na abertura de ruas, em nova etapa de construção de casas na região do Conjunto Vera Cruz, para erguer três condomínios (Wildes Barbosa / O Popular)

As prefeituras de Goiânia e Aparecida firmaram contrato com a Agência Goiana de Habitação (Agehab) para a construção de 1,5 mil moradias populares nos municípios, sendo 720 unidades erguidas no Conjunto Vera Cruz e 768 nos setores Vila Romana e Alto da Boa Vista, respectivamente. A estimativa é de que o empreendimento seja entregue em 18 meses, contabilizados após o início das obras, para contemplar famílias com renda de até R$ 2,8 mil reais, com custo zero aos contemplados por meio de sorteio.

As unidades habitacionais nos municípios vizinhos serão construídas com recursos do governo federal e estadual, por meio dos programas Minha Casa Minha Vida e Goiás Social, que totalizam investimento de R$ 317 milhões. Do montante, mais de R$ 153,7 milhões irão para obras de Aparecida -- R$ 118,2 milhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), gerido pela Caixa Econômica Federal, e R$ 35,4 milhões do Fundo Protege, custeado pelo Estado. Já em Goiânia, o estado deve investir R$ 26 milhões, além dos R$ 137,3 milhões da União.

Na capital, três condomínios serão construídos em áreas distintas, situadas nas avenidas Argentina Monteiro e Colombina Caiado e Castro, no Conjunto Vera Cruz. Intitulados Residenciais Iris Rezende 4, 5 e 6, contam, respectivamente, com 240, 256 e 224 residências. Secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Juliano Santana Silva explica que ainda não há previsão de início das obras, mas cita que será "em breve". A reportagem esteve no local no final da tarde desta terça-feira (1º) e observou uma movimentação de maquinários e funcionários. A expectativa é de que as unidades habitacionais já estejam finalizadas em 18 meses.

"Será destinado para a faixa 1 (renda bruta de até R$ 2.850). No entanto, esse em específico, será 'faixa zero', porque não tem parcela mínima do financiamento. O governo estadual vai quitar, será 100% gratuito. Não tem parcelamento nem entrada", explica Juliano. O subsídio aos beneficiários que parte do Estado é previsto na Lei 22.552, de março de 2024, que autoriza a concessão o incentivo aos beneficiários de programas habitacionais feito em parceria com o governo federal para quitação do financiamento. Dessa forma, os contemplados não precisam arcar com a prestação do FAR.

Já a definição das famílias contempladas será feita por meio de sorteio, utilizando como base o banco de dados mantido pela Prefeitura para o programa de moradia de interesse social. Nele, consta o cadastro de 55 mil famílias. A estimativa, contudo, é de que o déficit habitacional na capital seja de 42 mil residências. Conforme o prefeito Sandro Mabel (UB), sua gestão "tem a pretensão de fazer 15 mil casas junto ao governo de Goiás" para reduzir a demanda por habitação. "As pessoas buscam moradia", resume, ao adiantar ainda que foi fechado um projeto junto com uma empresa que deve possibilitar a construção de 10 mil residências.

Mesmo com o contrato já assinado, um evento de formalização de assinatura será realizado no Jardim São José na manhã desta quarta-feira (2) e contará com a presença de Mabel, do presidente da Agehab, Alexandre Baldy, e representantes da Caixa Econômica Federal. Em Aparecida de Goiânia, o ato foi cumprido no final da tarde desta terça-feira (1º), na Cidade Administrativa. No município da Região Metropolitana, serão construídos quatro empreendimentos, sendo três no Residencial Alto da Boa Vista, com 192 unidades em cada e 576 ao todo, e no Residencial Vila Romana, também com 192 construções.

Conforme a Prefeitura, as áreas foram doadas pela administração municipal e a previsão é de que os quatro condomínios previstos no contrato estejam concluídos em 18 meses. Um edital com critérios de seleção será lançado "em breve", mas com duas condições: renda total bruta de até R$ 2.850 por família e ter residência no município há pelo menos cinco anos. O sorteio dos apartamentos está previsto para ser realizado ainda no segundo semestre. "Assim que a obra chegar a 40% de execução, temos autorização para fazer o sorteio", explica o secretário de Habitação de Aparecida, Willian Panda.

A fala foi dada pelo titular da pasta durante a coletiva de imprensa após a formalização da assinatura do contrato. Na ocasião, o prefeito Leandro Vilela (MDB) garantiu que as obras já foram iniciadas no município. "Já tem canteiro de obras para podermos terminar e entregar (as casas) a boleto zero. Não tem custo para o cidadão que vai receber essa unidade habitacional para o seu convívio familiar. Nossa cidade tem um déficit habitacional muito alto e fizemos um compromisso para que seja reduzido. Em menos de cem dias já podemos anunciar feitos para colaborar com o processo de desenvolvimento e de gerar novas oportunidades", enfatizou.

Ainda no evento em Aparecida, o superintendente da Caixa Econômica Federal, Marciano de Freitas Matos, explicou que o repasse do governo federal será liberado "à medida que a construtora for executando as obras, de acordo com a execução do cronograma, e a Caixa faz a medição da obra e a liberação do recurso", cita. O prazo mínimo de obras, diz, é de 18 meses. Já o presidente da Agehab caracterizou os contratos como "inédito no Brasil". "Ao financiar esse imóvel, o governo decidiu que transformaria a faixa 1 em faixa zero, que é o programa de casa a custo zero. Inédito o momento em que governo federal, estadual e Prefeitura se unem para trazer moradia a quem precisa", elencou.

À reportagem, Alexandre Baldy explicou que o subsídio do governo estadual permite não apenas a isenção das parcelas às famílias, mas a viabilidade da construção dos condomínios nos dois municípios. Isso porque, pontua, o valor repassado para as empresas acaba sendo inferior ao que é demandado para as obras -- a exemplo de uma empresa que teria abandonado o projeto em Goiânia diante da falta de recursos para dar seguimento. Ele comenta ainda que ambos os contratos já foram firmados e que as obras começam "imediatamente".

Geral

Radares e câmeras voltam a multar em Goiânia

Fiscalização eletrônica na capital é retomada após nove meses e já começa a valer. Serviço começa com 37 equipamentos e 12 câmeras de videomonitoramento na cidade

Modificado em 01/04/2025, 07:07

Radar na Avenida Laguna, no Parque Amazônia, já está multando

Radar na Avenida Laguna, no Parque Amazônia, já está multando ( Wildes Barbosa / O Popular)

Trinta e sete equipamentos de fiscalização e 12 câmeras de videomonitoramento já estão verificando motoristas infratores nas ruas da capital, após nove meses sem o serviço de fiscalização eletrônica. As autuações começaram nesta segunda-feira (31), com a inauguração do Centro de Controle Operacional (CCO), na sede da Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET) de Goiânia. O local é utilizado para o recebimento e análise das imagens capturadas pelos aparelhos para identificar as infrações e emitir as multas. Até o final de abril, a área sul contará com mais 65 radares e 24 novas câmeras, enquanto a área norte terá mais 30 novos radares e 32 câmeras.

Segundo a SET, os equipamentos já instalados estão distribuídos em pontos de setores como o Bairro Goiá, Parque Amazônia, Cândida de Moraes, Santa Genoveva e outros. "Para ajudar na fiscalização, 12 câmeras de monitoramento PTZ (modelo com visão panorâmica e capacidade de giro) já foram instaladas em locais estratégicos, como na esquina da T-9 com Avenida 85, Avenida T-10 com Avenida T-3, também em três pontos na Avenida Assis Chateaubriand e outros", informa a pasta. Entre os pontos que já começaram a autuar os infratores estão Avenida Laguna e Avenida Padre Orlando, no Parque Amazônia; Rua do Salmão, no Jardim Atlântico; e ainda as avenidas Mutirão (com T-9 e T-10), Castelo Branco (com T-7) e Jamel Cecílio (Setor Sul).

A secretaria ressalta ainda que a maioria dos equipamentos instalados "estão nos mesmos locais que já contavam com radares, pois são áreas de grande necessidade para a segurança viária e a organização do fluxo de trânsito". Porém, outros pontos foram definidos a partir de novos estudos de tráfego realizados a partir da análise de fatores como o volume de acidentes e a necessidade de reforço na fiscalização. Válido lembrar, que, além dos equipamentos fixos, a fiscalização conta com quatro radares móveis, que podem ser instalados por um período do dia em locais com maior índice de acidentes. "Nosso objetivo é principalmente educar os motoristas para que respeitem os limites de velocidade e contribuam para um trânsito mais seguro", disse o titular da SET, Tarcísio Abreu.

Até por isso, não foi definido um período de orientação aos motoristas, ou seja, com o funcionamento dos equipamentos, as infrações já serão autuadas e se tornarão multas. "Desde o início do ano, a população tem sido amplamente informada sobre a retomada da instalação dos novos radares. Além disso, os radares, após instalados, ficaram mais de um mês em período de testes, o que garantiu ampla divulgação e tempo para adaptação", garante a SET. Os contratos com as novas empresas responsáveis pelo serviço, o Consórcio Anhanguera (lotes 1, com equipamentos na área sul, e 3, do CCO) e Consórcio Fiscaliza Gyn (lote 2, com equipamentos na área norte) somam R$ 242,8 milhões e são válidos por 5 anos, com a contratação de 604 faixas, sendo 290 equipamentos de radares fixos e 100 câmeras PTZ.

Controle

O CCO da fiscalização eletrônica de Goiânia foi inaugurado nesta segunda-feira (31), permitindo o recebimento e análise das imagens geradas pelas câmeras do tipo PTZ, e aquelas instaladas nos radares implantados nas vias da capital. A SET explica que o CCO funciona como uma grande central de inteligência "que permitirá aos agentes de trânsito monitorarem, em tempo real, as imagens captadas por câmeras espalhadas pela cidade, garantindo mais segurança e fluidez no tráfego". O monitoramento será feito por dez agentes de trânsito, nos três turnos diários, que verificarão de infrações de trânsito a até mesmo irregularidades, como o uso de veículos com registro de roubo ou furto.

Centro de Controle Operacional, inaugurado nesta segunda (31): monitoramento pega até interior dos carros (Fábio Lima / O Popular)

Centro de Controle Operacional, inaugurado nesta segunda (31): monitoramento pega até interior dos carros (Fábio Lima / O Popular)

"Eles vão fazer todo o monitoramento. A fiscalização agora começa com algum tipo de regularidade: se tem avanço de sinal, se o ocupante está sem cinto, se está usando o celular, a velocidade também está sendo monitorada", afirma o secretário Tarcísio Abreu. "As imagens captadas também permitem fazer um cerco de segurança para ajudar em investigações criminais, o que representa um grande avanço para a mobilidade e a proteção dos cidadãos em Goiânia", informa a SET. Os radares permitem um mapeamento geolocalizado dos veículos que circulam pela cidade e o CCO funciona como um banco de dados avançado, "auxiliando as forças de segurança no rastreamento de veículos e na identificação de padrões de comportamento dos motoristas".

Presente na inauguração, o prefeito Sandro Mabel (UB), afirmou que, quando a gestão atual assumiu o mandato, os radares iriam fazer apenas a função de fiscalização de trânsito. "Nós mudamos os equipamentos e colocamos o equipamento mais avançado. Ele fica 24 horas lendo todas as placas e ligado ao banco de dados que vai mostrar carros que têm infração de trânsito também, mas, o principal, carros roubados, placas clonadas, pessoas que estão com o IPVA descoberto. Então, tem uma série de utilidades que esses radares terão e isso vai ajudar na segurança da cidade."

O prefeito explica que as imagens captadas dos radares e das câmeras serão disponibilizadas também para as demais forças policiais. Ele conta que uma série de criminosos com mandado de prisão em aberto que estavam em Goiânia foram detidos porque foram identificados de alguma forma. "Então, Goiânia, dentro desses próximos dois anos, cada vez mais, vai ser a cidade mais segura para morar. Aqui não tem jeito de você ser anônimo. Goiânia terá essa condição de fazer essa identificação das pessoas que tem dívidas com a justiça."

Aparelhos devem estar todos instalados até julho

Os contratos com os consórcios Anhanguera e Fiscaliza Gyn, com prazo de cinco anos, determinam um período de até 12 meses para entregar os 290 equipamentos instalados. Porém, diante do aumento de acidentes com vítimas, de acordo com a Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET), logo no início do atual mandato foi realizada uma reunião para reforçar a necessidade de agilidade na instalação dos equipamentos. "As empresas responsáveis pela instalação compreenderam a urgência e se comprometeram a concluir a implementação de todo o sistema até o final de julho, garantindo mais segurança no trânsito da capital", informa.

Também serão contemplados os corredores preferenciais de ônibus, já com o adendo da permissão ao uso das motocicletas. A primeira via deste tipo a ter fiscalização será a Avenida Universitária. Os equipamentos que estão instalados na Avenida Universitária e Rua 10, que fazem o trajeto do Corredor Universitário entre a Praça Cívica e o Terminal Praça da Bíblia, já começaram a passar por aferição e estarão em operação em até 15 dias. Os demais entrarão no cronograma de instalação em abril e maio, sendo cinco equipamentos na Avenida 85, seis na T-63 e outros quatro na Castelo Branco com a T-7 nesse período.

Em meados de março, O POPULAR publicou que o número de óbitos em Goiânia aumentou sem a presença da fiscalização eletrônica. Com base nos números da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), que registra as ocorrências de acidentes com vítimas, foi possível verificar um aumento de 5,5% no mesmo período de nove meses com os radares e sem os equipamentos. Entre setembro de 2023 e maio de 2024, os nove meses anteriores à retirada dos equipamentos, 183 pessoas morreram no trânsito de Goiânia, o que gerou uma média de um óbito a cada 36 horas, enquanto que entre junho de 2024 e fevereiro de 2025, nos nove meses seguintes, a quantidade de óbitos chega a 193, com média de uma morte a cada 34 horas. Válido lembrar que os dados de óbito se referem a apenas as vítimas que morreram no local do acidente, não levando em conta as mortes em hospitais.

Desde janeiro, os equipamentos estavam sendo instalados nas vias da capital, mas as multas só serão registradas a partir de agora, em razão da finalização do CCO. Durante a inauguração do espaço, nesta segunda-feira (31), o prefeito Sandro Mabel (UB), revelou que pretende fazer uma terceira via na Marginal do Botafogo. "Ela é comprimida, é uma marginal é estreita, e ela vai ter a pista de 2,70 metros. Então precisa ter controle de velocidade, precisa ter controle do trânsito, precisa ter disciplina da população, mas a velocidade do trânsito vai aumentar em 50% (a partir da mudança na via)", estimou o prefeito.