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Saúde de Goiânia acata decisão do TCM e aluga 22 ambulâncias para o Samu

Secretaria divide contratações de serviços, como queria tribunal, e seleciona empresa de Contagem (MG) para locação de veículos por R$ 347 mil mensais. Mudança na telefonia estaria sendo preparada

Modificado em 17/09/2024, 17:22

Ambulância do Samu de Goiânia parada em oficina: transporte comprometido

Ambulância do Samu de Goiânia parada em oficina: transporte comprometido (Diomício Gomes )

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia decidiu acatar decisão do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO) e está finalizando o processo de contratação emergencial de 22 ambulâncias por R$ 347 mil ao mês para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da capital. Ao contrário do que vinha tentando desde maio, o titular da SMS, Wilson Pollara, resolveu fazer a locação separadamente de outros procedimentos que ele vinha considerando também emergenciais para solucionar os problemas enfrentados pelo Samu.

O Grupo CDM Saúde, de Contagem (MG), fez a melhor proposta entre as nove interessadas, oferecendo 16,5% de desconto para o valor estimado pela SMS para as 17 ambulâncias de suporte básico e 37,3% para as 5 de suporte avançado. O contrato é de 180 dias e prevê que a empresa ficará responsável também por reposição de peças e acessórios , lavagem e lubrificação, seguro total do veículo, monitoramento, e rastreamento, sem limitação de quilometragem. Todo o processo tem sido comunicado ao TCM-GO, que desde julho faz uma auditoria na situação do Samu.

No final de maio, a SMS lançou um aviso de cotação para contratação direta e emergencial por 180 dias de uma empresa especializada na prestação de serviços relacionados ao Samu. Além das ambulâncias, que viriam com motoristas, a empresa a ser contratada iria fornecer também um software para a central de regulação do Samu e uma equipe de profissionais e de médicos para atuar no serviço. No dia 12 de junho, o TCM-GO determinou a suspensão da contratação e a SMS acatou a decisão.

Entretanto, posteriormente, o TCM-GO descobriu que a SMS havia aberto no mesmo dia um novo procedimento para uma contratação emergencial muito semelhante à que foi anulada, excluindo apenas a parte de recursos humanos. O novo aviso de cotação de preços foi publicado no dia 25 de junho no Diário Oficial do Município (DOM) e em 1º de julho o secretário de Saúde foi afastado por ordem do tribunal. Ele só foi autorizado a voltar ao cargo no dia 14 de agosto, quando a SMS já havia concordado em seguir as recomendações do órgão.

Na primeira vez que a contratação de serviços em um único procedimento foi anulada, o TCM-GO reclamou da justificativa dada pela SMS para a contratação emergencial, no caso o aumento expressivo de casos de dengue na capital no começo do ano. Conforme apontado pelo Ministério Público de Contas (MPC) na época, os casos atendidos pelo Samu não envolvem pacientes infectados. Além disso, foi apontado que a aquisição de um novo software, alterando todo o sistema web do Samu, não poderia ser emergencial.

Ainda não há previsão de quando as ambulâncias chegam ao Samu. A SMS foi procurada nesta quarta-feira (11), mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Na edição do Diário Oficial do Município (DOM) de terça (10), foi publicada portaria designando os servidores municipais que serão fiscal e gestor do contrato. No portal de transparência da prefeitura, consta a reserva financeira de R$ 1,2 milhão para o serviço. O valor daria para alugar todas as ambulâncias previstas até o final do ano a partir de setembro.

Enquanto as ambulâncias não chegam, os problemas continuam no Samu. Só após o afastamento de Pollara e a mudança no entendimento sobre o tipo de contratações emergenciais, que evoluiu a solução para as três situações mais críticas enfrentadas pelo Samu segundo servidores ouvidos pelo jornal: o transporte de pacientes, o aumento de efetivo de médicos e enfermeiros e o serviço de telefonia. Por enquanto, segundo os relatos dos mesmos servidores a situação segue caótica como a noticiada pela imprensa no primeiro semestre.

Relatório feito pela SMS no dia 10 de agosto ao qual o Daqui teve acesso mostra que das ambulâncias em operação, cinco tinham mais de 200 mil km rodados e outras nove entre 100 mil e 200 mil. Só três tinham menos de 100 mil km rodados. O documento também apontava que seis ambulâncias estavam em uma situação classificada como "veículo antieconômico" e duas sem condições de voltar a ser utilizadas. Servidores afirmam, entretanto, que em média, circulam de quatro a cinco ambulâncias por dia.

Telefonia e Médicos

Além de separar a contratação emergencial das ambulâncias, o Daqui apurou que a SMS prepara também a aquisição de forma emergencial de um sistema de serviços de telefonia com tecnologia Voip, que permite a comunicação a partir da internet, ou soluções comerciais que gerenciem chamadas internas e externas do Samu para resolver o problema envolvendo a dificuldade de cidadãos em contatar socorro médico por meio do telefone 192. Não foi encontrado pelo jornal nada no site da prefeitura oficializando a medida.

Um estudo técnico feito pela Gerência de Tecnologia da Informação da SMS em 8 de agosto confirma que desde a transferência das linhas telefônicas do Samu em 2023 para a Secretaria Municipal de Inovação, Ciências e Tecnologia (Sictec) e , "o serviço de atendimento pelo número 192 não está operando integralmente". "Essa situação compromete o atendimento de urgência e causa transtornos significativos à população que necessita de assistência em situações emergenciais", afirma o documento.

Também em agosto a SMS começou a trabalhar com o credenciamento de médicos para atender o Samu e assim enfrentar o déficit de profissionais no órgão. A contratação de recursos humanos já havia sido retirada da segunda tentativa de contratação direta conjunta em junho. A pasta não informou como está o andamento.

O TCM-GO segue com uma auditoria/inspeção para acompanhar a situação do Samu e monitorar os avanços nas medidas adotadas pela SMS. Todos os procedimentos citados na reportagem estão sendo informados ao tribunal pela secretaria. Auditores nomeados pelo órgão estão em contato rotineiramente com a cúpula da pasta e verificando in loco os problemas do Samu. Os relatórios ainda estão em elaboração, segundo o secretário de licitações e contratos do TCM-GO, Vinícius Bernardes Carvalho.

Vinícius afirma que o TCM-GO tem acompanhado as medidas adotadas pela secretaria e que a decisão de separar os procedimentos de contratação está de acordo com o entendimento dado pelo órgão. O secretário de licitações explica que a separação dos contratos permite que haja a celeridade necessária para as medidas mais urgentes e evita as irregularidades verificadas no primeiro semestre pelo tribunal.

O Daqui entrou em contato com a SMS pedindo mais detalhes sobre a contratação das ambulâncias, prazos e valores a serem gastos, e sobre como está a busca por soluções para o Samu, mas não obteve resposta.

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Hospital Cora começa a atender crianças em maio

Iniciada em 2023, unidade tem 90% da 1ª etapa concluída e previsão de término para o fim deste mês, após adiamentos. Investimentos nesta fase chegam a R$ 256 milhões

Tomógrafo de última geração é um dos equipamentos que integram a estrutura do Cora na ala infanto-juvenil, a ser inaugurada no próximo mês

Tomógrafo de última geração é um dos equipamentos que integram a estrutura do Cora na ala infanto-juvenil, a ser inaugurada no próximo mês (Diomício Gomes / O Popular)

Os atendimentos para o público infanto-juvenil no Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) devem começar a partir do dia 5 de maio, com a abertura da ala pediátrica da unidade. A primeira etapa da estrutura, que já tem 90% finalizado e expectativa de conclusão ainda no final deste mês, teve R$ 256 milhões investidos em obras e equipamentos e contará com 60 leitos entre internação e observação, além de infraestrutura para procedimentos de alta especialização, como transplante de medula óssea e cirurgias oncológicas, além de reabilitação de pacientes.

Equipes multiprofissionais iniciaram o treinamento para o novo trabalho nesta quarta-feira (2), na Câmara de Goiânia. Até o momento, 281 profissionais das áreas de saúde, limpeza e segurança foram contratados pela Fundação Pio XII. Conforme o diretor do Cora, Mário José de Paula, 275 deles estiveram presentes no início da capacitação e outros 52 funcionários, em fase final de seleção, também devem compor o quadro da entidade. Oriunda de Barretos (SP), a organização da sociedade civil (OSC) foi responsável pela construção e segue com a gestão do hospital.

O POPULAR havia mostrado no início de janeiro que a inauguração do Cora, que estava prevista para o segundo semestre de 2024, foi adiada para março deste ano. À época, 70% do serviço estavam finalizados, mas ainda faltava a construção de uma faixa de acesso na BR-060 por parte da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Contudo, mesmo com o novo prazo, não foi possível concluir a intervenção a tempo e a nova data para inauguração, ainda que não oficial, se estendeu para maio. A Goinfra diz que a obra já foi iniciada e que a previsão é concluir no mesmo mês de abertura da unidade.

Secretário estadual de Saúde de Goiás, Rasível dos Santos explica que o "hospital está agora com quase 90% das obras concluídas". "As partes superiores já estão prontas, inclusive para receber essa capacitação inicial, fazer treinamento dos funcionários, isso enquanto está sendo finalizada a parte baixa. E começou agora essa alça para fazer integração na chegada no hospital. Não é apenas uma obra, são várias, e a concatenação de todas culminou com a finalização agora para esse prazo de abril a maio, para a gente começar a operação mesmo em maio", cita.

Conforme Santos, todos os equipamentos da ala infanto-juvenil já estão no Cora. Ao todo, o investimento apenas nessa parte da primeira etapa foi de R$ 63,2 milhões. "Todos os equipamentos já chegaram, são muitos itens, mais de 2,5 mil que a gente teve ali, além dos equipamentos grandes e toda a parte de reabilitação", explica. Dentre eles, está o aparelho de ressonância magnética para as salas de cirurgia da unidade, que possibilitará aos médicos cirurgiões obter imagens dos pacientes durante os procedimentos, algo inédito em Goiás.

"É uma grande inovação termos ressonância magnética nuclear dentro das salas de cirurgia porque ao fazer uma neurocirurgia em uma criança, a gente não pode fazer o que chamamos de 'cirurgia awake', que é com o paciente acordado. A criança, como ela é pequena, às vezes, não consegue obedecer comando, então preciso saber se a retirada do tumor -- um tumor cerebral, por exemplo -- está no nível correto, se posso fazer mais um pouco de ressecção ou não. Durante o ato operatório fazer esse exame é extremamente importante, para deixar o menor nível de sequela possível para a criança", explica o secretário.

Outra inovação no Cora é a instalação de filtros Hepa (sigla para "high efficiency particulate air", em português, "alta eficiência na retenção de partículas") na área voltada ao transplante de medula óssea, em uma espécie de "bolha" dentro da unidade. "É uma bolha porque as crianças e familiares vão poder ficar no quarto, mas não precisam ficar restritos. Podem sair, ir à brinquedoteca e até mesmo, se precisar, transferir para a unidade de terapia intensiva (UTI). Importante dizer que essas crianças que fazem transplante, só de passar ali no corredor do hospital, já podem pegar uma bactéria, um vírus, o que pode levar a complicações e até ao óbito. Essa é a importância do filtro", complementa.

A bolha criada com o filtro Hepa instalado na área para o transplante de medula óssea abrange 11 leitos de UTI, sendo que 5 deles estarão anexados aos 5 leitos voltados ao transplante. O ineditismo mencionado por Santos ocorre justamente porque a filtragem do ar, em geral, é feita apenas nas UTIs onde estão internados os pacientes transplantados, para reduzir o risco de infecção. Contudo, na unidade tal mecanismo está instalado em um espaço maior, que permite que as crianças transitem pela área.

Ao todo, a ala infanto-juvenil contará com 48 leitos de internação e 12 de observação, além de centro cirúrgico, farmácia, centro de exames por imagem e infusão quimioterápica construídos em uma área de 19,2 mil metros quadrados (m²). Apenas para as obras da área voltada ao público infantil, foram investidos R$ 192.658.160,25 pelo governo estadual. Ao se somar com o montante empenhado na aquisição de equipamentos, de R$ 63.241.779,56, o valor total chega a R$ 255.899.939,81. Já o investimento integral para todas as etapas do Cora chega a R$ 724.039.683,05.

2ª etapa tem expectativa de operação para 2027

Primeiro hospital público destinado ao tratamento do câncer em Goiás, o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) teve as obras iniciadas em fevereiro de 2023 para a primeira etapa: a ala infanto-juvenil. Com a inauguração dela, em maio, a segunda etapa já tem sido anunciada para entrar em operação a partir de 2027. Titular da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Rasível dos Santos explica que essa parte ainda está em fase de projeto, mas com uma previsão para ser iniciada entre o fim deste ano e o próximo.

"Estamos elaborando o projeto da segunda etapa, tanto da parte adulta quanto diagnóstica, para ser iniciada no fim do ano e possivelmente entrar em operação em 2027", diz. Com a conclusão de todas as alas do hospital, que está sendo erguido em uma área de 44 mil metros quadrados (m²) nas proximidades do Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia, a unidade contará ao todo com 148 leitos de internação e 22 de observação, totalizando 170 leitos. Haverá ainda uma ala de prevenção e um alojamento para receber familiares de pacientes.

Goiás realiza em média 4,5 mil cirurgias oncológicas e a promessa é que, com a inauguração do Cora, o total suba para 7,2 mil procedimentos, ou seja, em torno de 600 cirurgias ao mês. Além disso, a unidade deve proporcionar 13,5 mil consultas e uma média de 600 internações mensais. Hoje, pacientes diagnosticados com a doença têm sido regulados para o Hospital Araújo Jorge e o Hospital das Clínicas, em Goiânia, e ao Hospital Evangélico Goiano, em Anápolis. O custo ao Estado gira em torno de R$ 35 milhões, enquanto a previsão da unidade é ter um custo mensal em torno de R$ 21 milhões quando estiver em pleno funcionamento.

Filosofia

O Cora tem sido idealizado para seguir os moldes do Hospital de Amor de Barretos (SP), também gerido pela Fundação Pio XII e tido como referência no tratamento do câncer no Brasil. "É uma parceria de longa data, porque a gente vai desde o início, de pensar o hospital e desse sonho construir uma unidade que vai fazer o tratamento de toda a região Centro-Oeste, apoiar a região Norte e o Brasil", comenta Santos.

Ele destaca ainda que a "filosofia" importada do hospital paulista, com base em um atendimento humanizado, tem sido o foco do treinamento dos profissionais iniciado nesta quarta-feira (2), fala também reforçada pelo diretor do Cora, Mário José de Paula. "Não é somente trazer a estrutura física, é trazer também o conceito do Hospital de Amor, que além de cuidar as pessoas e tratar dos pacientes e suas famílias, trata bem o ser humano", enfatiza o secretário. "Estamos focados em passar para os colaboradores a filosofia de humanização no atendimento ao paciente oncológico e no acolhimento às famílias", complementa Mário.

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Advogado é preso suspeito de maltratar e abandonar a mãe de 85 anos em Cais

Segundo a Polícia Civil, essa é a segunda vez que o advogado é preso pelos mesmos crimes. Idosa foi deixada na unidade em estado gravíssimo

Modificado em 03/04/2025, 06:41

Idosa deixada em Cais pelo filho

Idosa deixada em Cais pelo filho (Divulgação/Polícia Civil)

Um advogado de 58 anos foi preso suspeito de maltratar e abandonar a mãe de 85 anos no Centro de Atenção Integral à Saúde (Cais) Jardim América, em Goiânia. Segundo a Polícia Civil, a idosa foi deixada na unidade em estado gravíssimo, desnutrida, com lesões pelo corpo, suja e com dificuldades para respirar.

Essa idosa estava completamente abandonada, com inanição, há muitos dias não se alimentava, embainhada em fezes e urina e foi deixada ali. O filho não quis manter contato com Cais que entrou em contato com a polícia civil e realizou uma operação para que ele fosse localizado", informou o delegado responsável pelo caso, Alexandre Bruno.

Por não ter o nome divulgado, a reportagem não conseguiu localizar a defesa do advogado para que se posicionasse até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) disse que acompanhou a operação e esclareceu que, apesar de a prisão não ter relação com o exercício da advocacia, "apura todas os casos que chegam ao seu conhecimento, visando garantir o amplo direito de defesa e o contraditório".

Também disse que esse acompanhamento visa "resguardar as prerrogativas profissionais e fiscalizar o cumprimento dos preceitos éticos da advocacia". E que "não comenta eventuais prisões ou condenações de seus inscritos".

A prisão aconteceu na terça-feira (1º) após uma assistente do Cais procurar a Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai) e denunciar o caso. Conforme a polícia, essa é a segunda vez que o advogado é preso pelos mesmos crimes contra a mãe e ele foi localizado após uma equipe realizar a identificação da idosa com o apoio de papiloscopistas da Superintendência de Identificação Humana da PC que também descobriram os dois filhos dela e encontraram o endereço do advogado.

De acordo com a Deai, ao ser abordado em seu apartamento no Setor Oeste, o advogado afirmou que cuidava da mãe da melhor forma possível, mas que, devido à piora do seu estado de saúde, a deixou no Cais com a intenção de visitá-la depois.

A polícia informou ainda que a idosa é pensionista de um magistrado e teve grande parte da renda comprometida devido a empréstimos feitos pelo filho. O outro filho dela mora em São Paulo e, ao conhecimento dos fatos, se comprometeu a vir para Goiânia para arcar com os custos do tratamento da mãe e solicitar sua curatela.

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Saúde diz ter feito 925 mil visitas no combate à dengue, mas não atualiza sistema

Prefeitura rompe contrato com empresa que fornecia tablets para combate às endemias

Modificado em 03/04/2025, 06:37

Visitas dos agentes de endemias aos imóveis de Goiânia não estão sendo registradas no sistema do governo estadual

Visitas dos agentes de endemias aos imóveis de Goiânia não estão sendo registradas no sistema do governo estadual (Diomício Gomes / O Popular)

Os agentes de combate às endemias (ACEs) de Goiânia voltarão a fazer visitas domiciliares utilizando fichas de papel. No final do mês passado, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) rescindiu contrato com a empresa que fornecia tablets para o trabalho dos profissionais. A pasta garante que não haverá prejuízo ao serviço e diz que contenção de gastos motivou medida.

A secretaria afirma já ter realizado 925,8 mil visitas domiciliares com o intuito de combater a dengue nos primeiros 90 dias de 2025. Entretanto, a pasta não alimentou o sistema de monitoramento do governo estadual nos últimos cinco meses, o que atrapalha o controle da disseminação do mosquito Aedes aegypti. Na plataforma, não consta nenhuma visita realizada pelo município neste ano. A atual gestão promete que voltará a alimentar o sistema da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO).

Até o início de 2024, os ACEs usavam papel e caneta durante as visitas domiciliares para preencher fichas. Posteriormente, as informações eram digitalizadas e também serviam para alimentar o Sistema Integrado de Monitoramento Aedes Zero (Simaz), do governo estadual.

Em fevereiro do ano passado, o então secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, assinou um contrato com a empresa Horizon Inovação e Tecnologia a fim de oferecer serviços técnicos especializados de operação e gestão de solução integrada para atender os ACEs e os agentes comunitários de saúde (ACSs). O contrato, no valor de R$ 3,5 milhões, tinha duração de 12 meses, podendo ser estendido.

Desde então, os ACEs passaram a trabalhar com tablets. Assim, as informações eram registradas em uma sistema de forma direta, sem a necessidade de um intermediador. "Era mais fácil de inserir os dados e tinha um georreferenciamento mais atualizado", pontua Aliandro Paulo de Jesus, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde-GO) e diretor executivo da Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias (Fenasce).

Nos primeiros meses de operação da Horizon, os agentes continuaram fazendo os registros no papel ao mesmo tempo que usavam o tablet. Depois, passaram a utilizar somente o dispositivo eletrônico. Entretanto, o sistema da empresa não tinha comunicação direta com o Simaz, o que impossibilitou que os dados fossem repassados para a plataforma estadual.

Em 24 de março deste ano, a Prefeitura de Goiânia enviou um ofício à Horizon informando sobre o encerramento do contrato. De acordo com a pasta, a rescisão teve como intuito a contenção de gastos. Conforme relatado ao POPULAR pelos agentes, a pasta já pediu para que os tablets sejam recolhidos e organizados para serem devolvidos.

O Ministério da Saúde possui um aplicativo gratuito, chamado e-SUS Território, que foi desenvolvido justamente para facilitar o processo de trabalho dos ACEs e ACs, viabilizando o registro das atividades dos profissionais."Também é fácil de usar e os dados vão direto para o Ministério da Saúde", destaca Jesus. Entretanto, a SMS não avalia usar esse aplicativo.

O que a secretaria vai fazer é voltar a usar papel e caneta. A pasta garante que não haverá prejuízo para o serviço, "que é realizado como uma das prioridades da atual gestão". De acordo com a SMS, a Vigilância em Saúde do município já realizou reunião com a vigilância estadual para utilização do Simaz, sendo que "a diretoria de Vigilância em Zoonoses está sendo capacitada para disponibilizar os dados por meio da ferramenta".

Simaz

O Sistema Integrado de Monitoramento Aedes Zero (Simaz) é uma iniciativa da SES-GO que funciona desde 2016. Os dados lançados no sistema alimentam o Boletim da Dengue, do governo estadual. O Simaz conta com informações de todo o estado, mas também é possível consultar os dados referentes a cada um dos municípios goianos. Em relação a Goiânia, o sistema foi alimentado pela última vez em outubro de 2024, quando foram registradas 559 visitas na capital. O número é expressivamente menor do que o registrado em setembro, quando 76,7 mil visitas foram cadastradas.

A falta de dados no Simaz em relação aos últimos cinco meses contrasta com os números apresentados pela Prefeitura. De acordo com a SMS, das 925,8 mil visitas domiciliares realizadas nos últimos 90 dias, 788,5 mil imóveis foram trabalhados, 145,5 mil casas estavam fechadas e em 13,1 mil foram encontrados focos do mosquito. Em entrevista concedida ao POPULAR dias antes de assumir a SMS, o atual secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, prometeu que um milhão de visitas seriam realizadas nos primeiros 100 dias de gestão. A reportagem apurou que todas as informações referentes às visitas realizadas estão sendo salvas em planilhas próprias criadas pela pasta.

Questionada sobre a ausência de dados de Goiânia no Simaz, a SES-GO informou que colocou o sistema e a equipe da secretaria à disposição dos técnicos da capital para a integração do Simaz, sendo que a alimentação da plataforma é essencial para controlar a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A pasta ainda salientou que a adesão dos municípios ao sistema é voluntária.

A secretaria destaca que o fornecimento de dados sobre os focos do mosquito ajuda no acompanhamento em tempo real, na identificação, mapeamento e promoção de ações mais direcionadas, resultando no aumento da eficácia na prevenção e combate às arboviroses.

Horizon

Em nota, a Horizon lamentou o rompimento de contrato por parte da Prefeitura e informou que ingressou, em janeiro deste ano, em uma nova etapa tecnológica de integração de dados entre o município e o Estado para que as informações epidemiológicas captadas em campo pelos agentes pudessem ser sincronizadas automaticamente para o Simaz. Destacou que, embora essa ação não estivesse prevista em contrato, a empresa, "sensível à gravidade do aumento dos casos de dengue e às necessidades do Estado e do município, dispôs- se a executá-lo".

Saúde fará vistorias compulsórias

A partir desta quinta-feira (3), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começará a realizar vistorias compulsórias em imóveis fechados ou abandonados da capital com o intuito de combater focos de disseminação do mosquito Aedes aegypti, vetor da transmissão da dengue. De acordo com a pasta, a ação reunirá auditores da Vigilância Sanitária, agentes de combate às endemias (ACEs), guardas civis e chaveiros.

A ação tem início às 8 horas e o ponto de encontro será na sede do Distrito Sanitário Noroeste, na Vila Mutirão. A Região Noroeste foi escolhida porque, de acordo com a SMS, tem apresentado a maior incidência, com 834 casos a cada 100 mil habitantes. Por isso, existe necessidade de intensificar as visitas domiciliares nos bairros da região.

A iniciativa é fundamentada pela lei federal 13.301, de 2016, que permite o ingresso forçado em imóveis públicos e particulares, no caso de situação de abandono, ausência ou recusa de pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identificado, quando se mostre essencial para a contenção das doenças.

De acordo com o painel de arboviroses da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), a capital já possui 8,3 mil casos confirmados de dengue em 2025, sendo que a maior parte dos registros ocorreu nas dez primeiras semanas epidemiológicas do ano. Até o momento, a capital já possui 15 óbitos suspeitos e outros 2 confirmados.

IcEconomia

Emprego

Empresas oferecem mais de 40 vagas de emprego na Grande Goiânia

Há oportunidades para serralheiro, operador de caixa, ajudante de motorista, assistente e analista de SAC, auxiliar de padaria, repositor de loja e muito mais. Confira os prazos e como se candidatar

Pessoa preenchendo uma carteira de trabalho.

Pessoa preenchendo uma carteira de trabalho. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Veja as vagas de emprego disponíveis em Goiás nesta quinta-feira (3). Há oportunidades para serralheiro, operador de caixa, ajudante de motorista, assistente e analista de SAC, auxiliar de padaria, repositor de loja e muito mais. Confira os prazos e como se candidatar.

Veja as vagas disponíveis:

Goiânia

Soollar Distribuidora

Total de vagas oferecidas: 4 vagas
Cargo oferecido:

4 vagas para assistente e analista de SAC

Prazo para se inscrever: até 04/04
Salário: a combinar
Como se candidatar: enviar currículo para o Whatsapp (62) 3416-7523
Contato: (62) 3416-7523

Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo

Total de vagas oferecidas: 2 vagas
Cargo oferecido:

2 vagas para servente de pedreiro

Prazo para se inscrever: até 30/04
Salário: a combinar
Como se candidatar: enviar currículo para o WhatsApp (62) 99637-8719
Contato: (62) 99637-8719

Estrutuart

Total de vagas oferecidas: 25 vagas
Cargos oferecidos:

8 vagas para montador de estruturas metálicas
8 vagas para serralheiro
8 vagas de ajudante de serralheiro
1 encarregado de estruturas metálicas

Prazo para se inscrever: indeterminado
Salário: a combinar
Como se candidatar: enviar currículo para o Whatsapp (62) 99942-3466
Contato: (62) 99942-3466

Empório Prime Supermercado

Vagas oferecidas: 11 vagas
Cargos oferecidos:

1 vaga para auxiliar de serviços gerais
1 vaga para auxiliar de depósito
1 vaga para auxiliar de padaria
3 vagas para repositor de loja
3 vagas para operador de caixa
2 vagas para atendente de loja

Prazo para se inscrever: até 15/04
Salário: a combinar
Como se candidatar: enviar o currículo para o e-mail selecao@emporioprime.net
Contato: (62) 99617-1214

Aparecida de Goiânia

Unitransp

Vagas oferecidas: 1 vaga
Cargo oferecido:

1 vaga para ajudante de motorista

Prazo para se inscrever: indeterminado
Salário: R$ 1.518,00 + gratificação + vale alimentação + vale refeição
Como se candidatar: encaminhar o currículo para o WhatsApp (62) 98257-0060
Contato: (62) 98257-0060